20 dezembro 2011

Felizmente não existo


Júris, votações e concursos já pouco me dizem, pois de experiência própria há muito abandonei a cândida ilusão de viver entre gente honesta, inacessível à corrupção, ao favor imerecido e ao mais estreito tribalismo. Num país dominado por pequenas panelinhas e onde, do porteiro ao presidente, tudo está arranjado, não é de espantar que até na blogosfera o grupismo, o comensalismo e a pernada se substituam à emulação da pena. Leio de quando em vez blogues - há coisas bem mais importantes sob o sol - e ainda me espanto com a mediocridade, o analfabetismo, por vezes roncante, outras vezes afectado, dos candidatos a tribunos da plebe, da burguesia da "direita social" e até da estupidez inteligente da intelectualite.
O Combate de Blogues, coisa inventada para dar cabidela a candidatos ao opiniarismo à Marcelo, à Medina Carreira ou à Sousa Tavares - sem graça e com atrevimentos acnosos de adolescente - esquece-se de blogues de ideias, onde diariamente se exercitam a graça culta, a provocação inteligente, se formam e informam leitores. Esses não interessam. O que importa é copiar a Lusa ou a triste crónica da politiquice trampolineira de S. Bento. 
Vivemos num tempo medíocre, de medíocres e para medíocres.

2 comentários:

WZD disse...

You do exist and fortunately for us, we are able to read you and your incisive insights.


BTW, what good portuguese language blogs do you prefer to read nowadays?

PEDRO QUARTIN GRAÇA disse...

Sem qualquer dúvida! Esse prémio era, há muito, merecido para o COMBUSTÕES!