04 novembro 2011

Sem crise e sem cheias



Fim de tarde nas ruas do bandel dos Protukét, paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Bangkok. Conversa animada à mesa de uma cozinha de rua. À nossa beira sentou-se uma Dias. Logo veio uma Fonseca, uma Abreu com traços de uma Dona Maria do Rosário de Alfornelos ou de Moncorvo. Dez minutos foram suficientes para se reunir uma assembleia de rua, mulheres de bata e chinelos invocando costelas portuguesas e um miúdo que se tornou desinibido quando lhe disseram que estes farang eram “família” de Portugal. Assim é a Tailândia, tão perto e tão longe do Portugal distante. Só quem não conhece, só quem teima em viver no ar-condicionado e nos deslumbramentos de uma Europa onde não cabemos pode esquecer este outro Portugal espalhado pelas sete partidas do mundo que teima em resistir aos tiques da parvalhização. De súbito, já terminada a sopa de galinha e bebido o café que uma moradora pressurosa insistiu em oferecer-nos, apareceu, montado na garupa da bicicleta, o chefe do bandel. Sandálias, calças arregaçadas até meio da perna, t-shirt de algodão. “Esperem, esqueci-me de vos dar uma lembrança”. Duas medalhas de Nossa senhora da Conceição, talismã para a viagem de regresso à velha Lusitânia. Não, não se trata de um homem qualquer. Está para receber as passadeiras vermelhas de almirante da marinha real tailandesa. É o eco glorioso de uma era em que fomos grandes. Que bom reecontrar família nossa a 12.000 km de Lisboa ! Sei que nada disto interessa aos patetas engravatadinhos de Lisboa. A nós diz, e muito.

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