16 novembro 2011

Paulo Portas na AR: lucidez e moderação

A intervenção de Paulo Portas no parlamento foi um alívio para quantos, amargurados com boatos alarmistas sobre o encerramento de embaixadas, vaticinavam o pior. Afinal, Paulo Portas agiu em conformidade com o bom-senso e decidiu aquém das expectativas; isto é, não aplicou o critério cego do encerramento estribado numa certa mentalidade de merceeiro que desde os anos 90 invadiu lentamente e maculou as prioridades da política externa portuguesa em benefício da chamada "diplomacia económica". As relações externas não são um negócio. Nós, que nunca fomos cartagineses, gente de bazar e negociatas, entendemos a política externa como exercício da presença de Portugal nos negócios do mundo. Os nossos "negócios" são, à cabeça, a memória, a história, a cultura e a língua. Os vinhos, os azeites, as resinas, as amêndoas e os trapos e couros estão lá, mas não são prioridade.

Foi uma grande lição. Falava-se, entre outras, no encerramento da Embaixada de Portugal na Tailândia. Claro, a Tailândia pouco importa de Portugal, nós pouco importamos da Tailândia, empresas portuguesas na Tailândia não as há. É possível inverter, é possível melhorar e abrir negócios com os tailandeses. Contudo, as relações com a Tailândia são alimentadas pela história e pela cultura, as mais antigas entre um Estado europeu e uma nação asiática. Paulo Portas sabe-o e não ofendeu essa velha e jamais alterada relação no ano em que se celebram 500 anos. Parabéns, Ministro !

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