22 agosto 2011

Strauss-Kahn & Kadafi

Houve quem exultasse com a detenção de Strauss-Kahn e nela revisse um auto medieval sobre a inapelável justiça divina exercida sobre os poderosos lavando a honra dos pobres de Deus. Outros, mais afeitos aos tempos, uma vitória do "género" e a demonstração da bondade de um sistema judicial centrado no senso-comum. A América foi incensada e deu-se largas ao mais chão entusiasmo pela visão "uomo qualunque" que por todo o lado triunfa. Sempre achei que a historieta era dúbia, na qual os senhores da sordidez eram mais os predicadores da moral que o banqueiro priapista. Afinal, a mentira, a manipulação emocional, o fazer dos outros parvos e cúmplices corria do lado dos exaltados defensores da vítima deliberada. As coisas são sempre mais complexas e subtis do que as mentes reactivas e os afectivos espontâneos pensam. Aquilo foi, desde o primeiro minuto, uma luta que ultrapassava largamente o quarto do hotel, o banqueiro insaciável e a prestadora de serviços sexuais transformada em "mãe", "mulher", "vítima" e "imigrante". Foi uma luta entre banqueiros - uma luta de bastidores entre filhos de Abraão- para tirar Khan da ribalta francesa já ocupada por um certo Sarkozy, muito amigo dos banqueiros da Street. Foi, tudo o indica, uma tentativa concertada mas frustrada para retirar a Europa e o Euro de cena. Hoje, a "vítima" retirou a queixa. Amanhã será presa por perjúrio.

Outro caso de paixão e "pistis" para as massas telemobilizadas é a derrocada de Kadafi. O homem que foi conqueluche das lutas libertadoras, do terrorismo necessário e da propaganda pelo facto, passou a tirano insaciável, perdição dos oprimidos e dos famintos. A sua derrota sabe, no fundo, a vitória, pois foi necessário que as "fábricas da liberdade" se encavalitassem para ver quem deitava mais bombas sobre o povo líbio que não sabia como se libertar. Os revolucionários -agora revolucionário é todo o tolo que faz a agenda das petroleiras - chegaram a Tripoli. Não foi vitória militar coisa alguma. Depois de 7500 raides aéreos da coligação sem procuração da ONU, entraram por ali adentro e, pasme-se, não encontraram os V's libertadores. Tripoli está vazia. Os dois milhões de escravos do tirano fugiram. As ruas estão entregues aos libertadores e tenho a certeza absoluta de que amanhã começarão a saquear o que restou da era Kadafi. No dia seguinte à pilhagem, com as carrinhas atafulhadas do espólio, vão-se começar a matar uns aos outros em nome de miríficos direitos e democracias.

6 comentários:

Josephvs disse...

why not comparing strauss & frederic??

Paul disse...

Le PS retrouve son messie… mais quel four… quelle débandade… les dés de cette fellation étaient pipés…

Justiniano disse...

Ora, parece-me que o caro Castelo Branco troca os mitos e poemas de uma turba por outros mesmos conspirativos de outra!! Mas porque raio se há-de ter de escolher sempre entre turbas!!?? Porque não poderá a coisa ser exactamente o que foi, como muitas outras!!??

Justiniano disse...

Ora, caro Castelo Branco, mas é exactamente isto que aquele produziu!! Uma chusma de saqueadores e escravos!!

Justiniano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paul disse...

Un excellent article publié par MediaLibre et concernant l’affaire DSK, tout y est dit, : Mafia juive : les avocats de Nafissatou Diallo accusent le procureur Vance de corruption et demandent sa révocation (avec une vidéo)
http://www.medialibre.eu/france/mafia-juive-les-avocats-de-nafissatou-diallo-accusent-le-procureur-vance-de-corruption-et-demandent-sa-revocation/8729
En cadeau un superbe one-man-show de Jean-Marie Le Pen datant du tout début de l’affaire : "Le Pen éclate DSK en sketch !"
http://youtu.be/2_YxmA7R5RQ
Un vrai bijou !