30 agosto 2011

Proteger as famílias dos ditadores



A horda de bandidos armados e ladrões [assalariados das petroleiras] que tomou a Líbia de assalto, anda a dar caça indiscriminada a pessoas tidas como afectas à velha situação, que era horrível, certo, mas que colocou a Líbia à cabeça de todas as estatísticas africanas. Depois dos negros, dos milicianos kadafistas e de qualquer pessoa que tenha a desdita de haver sido fotografada num desses comícios verdes que o Coronel organizou, coube a vez aos familiares, amigos dos familiares, servidores dos familiares e amigos dos servidores dos familiares de Kadafi. Dizem as fontes isentas que nada daquilo que se vê na CNN, na BBC, na France24 e outros canais poluídos corresponde à realidade em Trípoli. Estão a ser cometidos crimes terríveis de vingança, as pessoas que desaparecem levadas numa rusga, os corpos com braços atados atrás das costas que apoderecem em baldios, os bairros da classe média invadidos, saqueados, a população que partiu para parte incerta; em suma, maravilhas da libertação. No Ocidente, nem uma palavra. No fundo, é a democracia, a democracia com o dedo no gatilho a matar tudo o que se move.


As novas "autoridades" pedem o regresso da família do ditador. Para quê? A pergunta é ociosa. Se entrassem na Líbia seria condenação à morte certa; aliás, execução, pois não há na Líbia outros tribunais que os sumários. O que dizem os arautos dos "direitos humanos", o que diz o New York Times, as ONG's, as igrejas e igrejinhas, os observatórios e essa brilhante inutilidade chamada União Europeia? Nada. Naão interessa. O importante é fixar o alvo e não o largar, ou seja, o petróleo. O resto não interessa. E assim regressa a Líbia às tâmaras e aos camelos antes dos Talibãs tomarem o poder e o Ocidente voltar a sentir a humilhação húmida, morna, viscosa e escorrente de um escarro na cara !

5 comentários:

AMCD disse...

Pois. É uma revolução e as revoluções geralmente dão nestas coisas. Só não entendo porque teimam os media em chamar rebeldes aos revolucionários. Há mais de dois mil anos atrás Aristóteles fez a distinção entre revolução e rebelião, julgo que na sua Política. Mas para as televisões são rebeldes, e quanto a isso parece que não há nada a fazer. É a deseducação de massas.

José Domingos disse...

Excelente. Quando é que o ocidente, e não só, devolve á Libia, o dinheiro emprestado pelo ditador. Toda esta situação, é de uma hipócrisia vergonhosa.
A censura do correto.

swedenborg disse...

A Elite globalista se esmerando na arte de levar ao poder a escória para manter seu domínio.
Enquanto o International Crisis Group (ICG) afirma estar "comprometido com a prevenção e resolução de conflitos fatais", a realidade é que eles estão comprometidos com a oferta de soluções muito bem construídas por antecipação para problemas que eles mesmos criaram de modo a perpetuar a própria agenda corporativa.
Em nenhum outro lugar isso poderia ser melhor ilustrado do que na Tailândia e mais recentemente no Egito. O membro da ICG Kenneth Adelman tem apoiado o ex-primeiro ministro da Tailândia Thaksin Shinawatra, um ex-conselheiro do Grupo Carlyle que estava literalmente em pé diante do Council of Foreign Relations em Nova Iorque quando de sua derrubada do poder em 2006 por um golpe militar. Desde 2006, as intervenções de Thaksin na Tailândia tem sido escoradas por outro membro do Carlyle James Baker e seu escritório de advocacia Baker Botts, pelo conselheiro da Belfer Center Robert Blackwill da Barbour Griffith & Rogers, e agora o escritório de advocacia Amsterdam & Peroff, um importante membro corporativo da Chatham House globalista.
Com a Tailândia agora envolta em caos político liderado por Thaksin Shinawatra e a revolução colorida de seus "camisas vermelhas", a ICG está pronta com "soluções" nas mãos. Essas soluções geralmente envolvam amarrar as mãos do governo tailandês com argumentos de que deter as atividades subversivas de Thaksin equivale a abusos contra os direitos humanos, na esperança de permitir que a revolução financiada pelos globalistas cresça para além de qualquer controle.

Justiniano disse...

Sem dúvida, caro Castelo Branco.
É como bem diz!! Mas se isto é o que se produziu na melhor das estatísticas de IDH em África, é melhor nem falar do resto!! Não será assim!!??

Flávio Gonçalves disse...

Com o apoio estratégico da NATO os rebeldes líbios, condenados à derrota logo à partida, tendo inclusive havido a possibilidade de um cessar-fogo em Abril deste ano, iniciaram na passada semana a conquista de Tripoli.

Enquanto escrevo estas linhas ainda combatem ferozmente o golpe de Estado milhares de forças fiéis a Khadafi, auxiliados por cidadãos partidários do regime, algo que não se testemunhou no Iraque. A esperança é a última a morrer, mas creio ser quase certo darmos como encerrado o período de Khadafi e da sua revolução social na Líbia, o que demonstra uma alteração estratégica na função da NATO: esta já pode intervir onde quiser e forçar mudanças de regime, algo que, na teoria, vai contra os seus princípios fundacionais.

Infelizmente poucos parecem aperceber-se do preço que a Europa terá que pagar pela derrota de Khadafi. Todos os anos o “irmão líder” efectuava uma digressão europeia na qual era recebido pelos principais líderes europeus, estes, a troco de uma hipócrita política do tampão, ofertavam-lhe vários milhões de euros para que este protegesse o flanco sul da ex-Fortaleza Europa: Khadafi era a ‘nossa’ linha da frente, a Líbia revolucionária patrulhava piamente as suas fronteiras e o seu mar para se certificar que dezenas de milhar (centenas de milhar, dizem alguns) de imigrantes não chegassem à Europa…

Foi meticuloso o modo como foi pensada a morte da Líbia: primeiro faz-se com que Khadafi abdique do fabrico de armas de destruição massiva, o mesmo, para demonstrar a sua boa fé para com o Ocidente, encerra as fábricas e elimina os arsenais… depois, outro sinal de boa fé, assume as culpas de um atentado pelo qual não era responsável… é então que, num esquema aparentemente pensado ao longo de vários anos, um Khadafi desarmado e convicto da firmeza da sua aliança com o Ocidente, é apanhado de surpresa pela horrenda traição ocidental: caem bombas ocidentais em Tripoli… o Ocidente apoia a Al Qaeda líbia… o Ocidente trai os amigos… a Europa odeia-se e quer morrer, está numa morte lenta e decrépita e há que apressar, acabar logo com a agonia!

Querem melhor do que bombardear e mandar abaixo o muro, o último muro, o que ainda nos protegia do grosso das bárbaras hordas do Sul? Tripoli arde, e com ela arde a última defesa da Europa…

O Diabo
30 de Agosto, 2011.