03 agosto 2011

Ignorâncias

Um jornal que se edita em Bangkok em lingua inglesa publicou recentemente um longo artigo sobre as relações entre Portugal e a Tailândia. Algures no texto anotei: "Yet many Portuguese today are decidedly ignorant about Thailand. Generalities abound, with many believing that Bangkok is in Indochina, bamboo is everywhere, the city is criss-crossed with rivers and canals, and the movie "Tears of the Black Tiger" is great".


Não deixa de ser verdade, muito embora os tailandeses sejam, também, de uma ignorância espantosa a respeito não só da nossa história, como da sua própria. Os portugueses não conhecem a sua história e até há quem dela escarneça. A verdade, caríssimos tecnocratas, é que a história não só é fundamento para todas as humanidades - detesto a expressão marxistóide de "ciências sociais" - como sem ela corremos o risco de nos transformamos naquilo que são os povos sem tempo (vide Eua), ou seja, selvagens. O problema português é o da preguiça, da falta de hábitos de leitura, da superficialidade e das generalizações, da ausência de método e sistematização. Assim, não há escolas, correntes, linhas de investigação inovadoras. Tudo o que sai parece isolado, produto do esforço solitário e de heroicidade vã; logo, condenado a não frutificar. Depois, parte apreciável da actividade universitária parece ter como fim último a obtenção de um diploma e "fazer curriculum", ou seja, escrever e publicar, escrever e publicar n'importe quoi.


Todos os dias, ao fim da tarde, antes de jantar, abro a televisão e ali estou meia hora fazendo zapping. Ontem, dei com um programa sobre o Marquês de Pombal, coisa incomestível e laudatória do facínora Sebastião José apresentada por um certo Miguel Real. Quando o fulano, logo no início fez alusão aos "marqueses e duqueses" (SIC) perdi o interesse, pois fiquei de imediato esclarecido. Um "académico" que diz "duqueses" nada tem a ensinar.

3 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

E os "tradutores" do dito Canal de "História" (da guerra civil espanhola, a obsessãozita do momento)? Aqui vão alguns exemplos:

Canal Inglês, em vez de Canal da Mancha.

Dinastia de "Bârgandi", em vez de Dinastia de Borgonha (a nossa 1ª)

Os aviões da "Lufte-ueife", em vez da Luftwaffe

"os aliados desembarcaram perto da cidade de "Algér", em vez de ... Argel

Podia ficar aqui o resto da tarde a dedilhar, mas não me apetece.

Nova Casa Portuguesa disse...

De facto o Miguel Real é mau, ponto final.
Não se consegue perceber de onde vem toda essa euforia gerada em redor desse senhor. Ele insiste em ter uma opinião ou explicação para tudo, mesmo quando não domina minimamente o assunto. Intelectualmente lembra um Carrilho, ou outro qualquer filosofo de folhetim.

Klatuu o embuçado disse...

Tenho que rir, e estou a rir! O Miguel Real é assim «fruta da época»... Mas deixe, que ele para a semana é bem capaz de perorar opinião contrária... :)