09 agosto 2011

Cobardia e irresponsabilidade criminosa


Londres está em chamas. O velho mundo morreu, mas há quem pense que não é nada, que amanhã tudo voltará à pacata normalidade do consumo, das ruas varridas e lavadas cada madrugada, que os negócios retomarão, que os stands de automóveis, as floristas, os cabeleireiros, os restaurantes, as livrarias e lojas hi-fi triunfarão sobre o caos, a barbárie, os incendiários e os vândalos que, antes de o serem, já eram as "criminal classes", coqueluches de tanta subcultura gabada, exaltada, imposta como moda por sociólogos, "antropólogos urbanos"e cobertas por linhas de subsidiação de uma certa social-democracia a fundo-perdido.

Alimentaram um monstro, gabaram-lhe os graffitis, a visão do mundo do "jovem" de fato de treino e sapatilhas de 300€ engordados pelo "rendimento mínimo garantido". Riram-se da velha, casmurra burguesia dos Tory, do emprego fixo das nove às cinco, do civismo, do respeito devido às autoridades - à polícia, aos tribunais, aos professores, aos idosos - e substituíram essas antiqualhas por uma miudagem analfabeta, possessiva, tirânica, despesista, sem ocupação certa, vivendo de expedientes. Fizeram crer que a boring life não mais era compatível com o "mundo globalizado", que a cultura do protesto e os esquemas alternativos eram a resposta para a integração. Fizeram-nos, até, crer que tudo era permitido, que não há uma lei mas vários códigos em coexistência, que tudo é relativo e contingente e que cada um segundo os seus interesses faria a sociedade democrática. Tudo isso está a morrer e soa a trágica desforra moral para os conservadores, os "botas-de-elástico", os "imobilistas" e "reaccionários".

Não se trata de uma revolução mas de um colapso. Não é, também, uma simples revoada de distúrbios. Após meio século de desagregação, pedra a pedra, miligrama a miligrama, de tudo o que fizera a Europa desejada e invejada, estamos no fim de um sendeiro que leva ao precipício. Acabou. O multiculturalismo e as suas fantasias mostrou como era frágil a ilusão de pagar para calar, pagar para fingir que nada estava a acontecer. Foi o medo, o complexo de não estar á la page, a tirania do politicamente correcto, o acocorar-se perante o "Outro" - mesmo que o Outro não passe de um selvagem - a infame rendição perante o obscurantismo religioso que nos quer trucidar, os esquemas "compreensivos" e o pagar de supostas facturas históricas morais que tornaram isto possível. Claro que tudo o que tentasse trazer as pessoas à razão era liminarmente considerado "xenófobo". O importante era reinventar isto e aquilo: reinventar o civismo, "reinventar" a sociedade, desmantelando tudo o que era: o Estado, a Escola, a Lei e a Ordem. Agora, o que fazer ?

Sei qual vai ser a resposta. Só não vê quem não quer. É uma fatalidade, tão irresistível e tão clara como um um exercício de lógica.

4 comentários:

zazie disse...

Excelente.

Paul disse...

Les vuvuzuelas seront là pour l'ouverture des jeux Olympiques, l'été prochain…

Nadiá disse...

Gostaria de não lhe dar razão...mas, sem duvida que a tem!!!

ana disse...

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2025068/Revealed-middle-class-rioters-The-aspiring-musician-organic-chef-millionaires-daughter-dock-accused-looting.html

"rendimento mínimo garantido"???