27 agosto 2011

As causas, as bandeiras, os afectos e os saberes

Tenho um amigo que se ri como um Bijagós ou um Manjaco do torvelinho de paixões postiças, "causas justas" e "povos em marcha" que se fazem e desfazem com a brevidade das borboletas. Vistosas, coloridas e esvoaçantes, as "causas" promovem abaixo-assinados, levam as suas indignações aos parlamentos, fazem as parangonas dos jornais, alimentam debates e se estão suficientemente escoradas por um dos dois milhões de lóbis que esgotam as entradas de uma enciclopédia, sobem às Nações Unidas e até conseguem transformar as minúsculas causas que as abrasam em cruzadas.
Ontem assisti ao debate televisivo sobre a Líbia. Estavam lá Ângelo Correia, Ana Gomes, uma novinha sem nome e uma outra senhora que participa em tudo, mas cujo nome ainda não tive a paciência de decorar. Falavam com uma autoridade catedrática sobre um país onde, talvez, nunca puseram os pés. Repetem e trepetem o que leram nos jornais: tempestades de palavras num deserto de ideias. Se um dizia mata, o outro acrescentava esfola. Uma das senhoras - a tal que participa em tudo, mas cujo nome ainda não tive a paciência de decorar - ficou eriçada de paixão quando se falou no petróleo que a liberdade e a democracia exigem a troco do derrube do tirano. Falar no petróleo é meter o dedo na ferida. Quando é que começam estes debates sobre a Líbia - a Tailândia, o Burkina Faso ou o Tibete - com uma simples pergunta: "o senhor(a) fala árabe/tailandês/julakan, tem algo publicado sobre o assunto, que título académico possuiu para vir falar como especialista" ?

6 comentários:

Paul disse...

Un article étonnant concernant l’(ancien) régime libyen : Pourquoi les Libyens aiment Kadhafi ?
http://www.medialibre.eu/monde/pourquoi-les-libyens-aiment-kadhafi-par-maurice-gendre/8747
Extrait : “Pourquoi la Libye est-elle bombardée ?” : La Libye, qu’on décrit comme une dictature militaire de Kadhafi est en réalité l’État le plus démocratique du monde.
En 1977 y a été proclamée la Jamhiriya qui est une forme élevée de démocratie où les institutions traditionnelles du gouvernement sont abolies, et où le pouvoir appartient directement au peuple à travers ses comités et congrès. L’État est divisé en de nombreuses communautés qui sont des “mini-États autonomes” dans un État ayant autorité sur leur district, y compris l’allocation des fonds budgétaires.
Récemment Kadhafi a émis des idées encore plus démocratiques : distribuer les revenus du budget directement et de façon égalitaire aux citoyens…


Un régime dont on peut rêver…

Josephvs disse...
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. disse...

Off-topic
Alguns livros recomendados pelo grande filósofo Olavo de Carvalho.

https://spreadsheets.google.com/spreadsheet/pub?hl=en&key=0AjkWwKgSYO9mdHJTaU8tWk5VdW41WjZWYXVPRmtXVFE&output=html

Pedro Marcos disse...

Embora não possua dados estatísticos que sustentem categóricamente a minha afirmação, estou convencido que as poucas pessoas que realmente se interessam por estes temas, são imunes aos lugares comuns dos "tudólogos" da nossa praça, já objecto de ridículo de quem tem um mínimo de bom senso e de sensatez.

E como são poucas, são irrelevantes. Programas ou "eventos televisivos" destes são mais ocasiões para mostrar "serviço" que para informar, porque quem quer irm mais além da curiosidade ociosa sabe muito bem onde ir.
E não é certamente a um televisor, muito menos num canal generalista.

Por vezes há coisas que são sobrevalorizadas e a "informação televisiva" é uma delas.
As massas querem é futebol e emoções baratas. O interesse delas nos eventos de importância não deve passar alguns minutos após a notícia.

Pedro Marcos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rui Mota disse...

A "senhora que participa em tudo" é a Teresa de Sousa, "especialista" em questões europeias, que defende sempre a NATO independentemente das circunstâncias. Uma "atlantista", para quem o Ocidente tem sempre razão.
Já o Angelo, que é presidente da Câmara de Comércio Luso-Árabe e que tem algum conhecimento daquela região, falou no petróleo líbio como o mais refinado e por isso de interesse para a Europa. Mas, foi prontamente cilindrado pelo duo Gomes-Teresa, que não o deixou sequer acabar o raciocínio...