06 julho 2011

O genocídio de que não se fala



Fez ontem 49 anos. Em Oran, no dia em que a França abria mão da Argélia, 3.500 colonos franceses foram abatidos a golpes de machado, empalados, queimados vivos ou simplesmente estrangulados. O comandante da guarnição da cidade recebeu ordens expressas de Paris - ou seja, do falso herói histórico de Gaulle - para não intervir e deixar que a populaça fizesse o trabalho. Cinicamente, o homem que fora o emblema da França YES (França aliadófila) frente à França JA (França colaboracionista), esquecendo-se que devera a esses pieds-noirs a preparação e execução da única campanha francesa digna de nota de reconquista do solo francês durante a Segunda Guerra Mundial (desembarque da Provença), lavava as mãos e afirmou: "Vous imaginez ça ! Les pieds-noirs veulent que notre armée les défende, mais ils n'ont jamais éprouvé le besoin de se défendre eux-mêmes ! "

Começava o êxodo dos pieds noirs. Sairam da Argélia 1.200.000 franceses (ou seja, 10,4 % da população) e entravam os radialistas portugueses da Rádio Argel. Anos depois, os portugueses de Angola e Moçambique teriam a mesma sorte. As histórias que a História não estuda.

5 comentários:

Miles disse...

Li há não muito, algures, sobre este massacre; na altura, não me deixou de arrepiar o estranho paralelismo que o mesmo tinha com um outro massacre que viria a ocorrer doze anos mais tarde, em Setembro de 1974, em Lourenço Marques...

Isabel Metello disse...

Não sabia.
Quanto a África, no outro dia até me admirei de terem elaborado, finalmente, uma reportagem que focava os massacres da UPA, nos quais facínoras chacinaram homens, mulheres e crianças brancos, negros, mestiços, de formas criminosas...reportagem que focava a história feliz de uma criança negra resgatada pela tropa portuguesa e adoptada por um médico português, hoje, tb ele com a profissão do Pai adoptivo...
...e o facínora do Olden Roberto ainda foi entrevistado há pouco tempo por outro jornalista como se nada fosse...e os militares portugueses negros fuzilados na Guiné? A lógica do "somos todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros" é mesmo uma realidade...

José Domingos disse...

É esta história, que não dá geito contar. Um povo, que tem vergonha do seu passado, não tem futuro.
Os franceses, como os portugueses, preferem o correcto, e o resultado, está aí.

Luís Bonifácio disse...

Convém não esquecer os "Harkis".

Wegie disse...

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, é “um homem muito bem intencionado”, afirmou hoje o duque de Bragança, D. Duarte, que se encontra na capital síria para contactos com elementos do regime...