Os números são arrasadores: 40% das crianças portuguesas vivem imersas na pobreza, não têm acesso a alimentação e assistência médica adequadas, pelo que não terminarão o percurso escolar mínimo e entrarão na idade produtiva sem especialização profissional; ou seja, os filhos dos pobres, pobres ficarão. Trinta e sete anos após a dita coisa, já não há desculpas. Um regime quarentão não se pode desculpar com o anterior. A legitimidade moral de um regime faz-se pela obra e não pelas intenções solenemente proclamadas. A constituição de 76 nasceu marcada pela utopia, que no tempo era já há muito uma distopia cansada de socialismo indicando o caminho da miséria. Depois de muitas alterações e revisões, a constituição transformou-se num amontoado de pias mentiras em que todos fingiam acreditar, conquanto se pudesse dar livre curso ao instinto predatório das capelinhas, dos grupos e parentelas. Chegou-se ao fim. Haverá por aí alguém com veia de Demóstenes que me consiga convencer a ir votar num regime que mente e não se emenda ?
Há indiferentismo e apoliticismo. No meu caso, trata-se dos dois.
3 comentários:
Talvez, e apenas só, por respeito aos que em tempos passados deram as suas vidas para que tal fosse possível.
É por isso que me dignei a ir votar em todas as eleições, mesmo que fosse para lá colocar o boletim no mesmo estado em que mo foi dado.
É verdade! Que desilusão, a democracia! O meu pai chama-lhe "bandalheira".
O meu Pai tb :) meu Tio chama-lhe Porcalhota, talvez uma amálgama entre porca + palhota! :))
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