22 junho 2011

Faz hoje 70 anos: o mais importante acontecimento do século XX



Passam hoje 70 anos sobre um acontecimento que marcou decisivamente a história mundial, sem dúvida o acontecimento axial do século XX. A decisão de invadir a URSS é um daqueles raros momentos em que o passado sucumbe de morte súbita e o futuro depende, apenas, do resultado das acções dos homens. Muitas centenas de obras foram desde então escritas sobre a mais mortífera das campanhas militares, mas aquela cujo título melhor revela a tragicidade e absoluta imprevisibilidade do resultado são as memórias do Generalfeldmarschall Erich von Manstein, que lhes chamou de Vitórias Perdidas.


Hitler repetiu o erro de Napoleão. A invasão da URSS era deseconselhada pelos homens de bom senso. Era um erro económico, pois a URSS só ofereceria vantagem se fosse tomada incólume. Se capturada já destruída, seria um fardo e não uma vantagem. Foi tudo estudado até ao pormenor, mas como muitas vezes acontece, as premissas eram erradas e tudo correu mal; ou antes, foi uma sucessão de grandes vitórias tácticas sem vitória final. Foi, sobretudo, uma enorme derrota estratégica. A URSS era já tão forte industrialmente quanto a Alemanha. Derrotá-la era, pois, no mínimo, uma incerteza. Era uma campanha que não podia reproduzir as vitórias alemãs de 1940. Os nazis teimavam que sim, tão cegos andavam. A URSS, no momento da invasão, era militarmente mais forte que a Alemanha. Aconselha a doutrina que a proporção entre aquele que ataca e aquele que defende deve ser de 3 para 1. Em Junho de 1941, a URSS tinha mais soldados, mais taques, mais canhões e mais aviões que a Alemanha. Mesmo obsoletos, estavam na defensiva, ou seja, em vantagem táctica.


Foi, também, uma derrota política. Hitler dizia que bastava dar um pontapé na porta, para que todo o edifício caísse. Foi uma derrota da inépcia dos decisores políticos, pois desde cedo a ideologia conduziu as operações, substituindo-se à visão dos militares. Ora, o que fizeram os alemães ? Deram ao governo soviético a legitimidade que lhe faltava desde 1917. Mais, Hitler permitiu o nascimento da cidadania soviética, pois desde os primeiros momentos da campanha desvaneceu-se a esperança de uma libertação do jugo comunista. Os alemães vinham como conquistadores e não como salvadores da Rússia, a Ucrânia e dos povos do Caúcaso. A derrota alemã podia ter sido apenas o fim do nazismo, essa variante negra do bolchevismo, como notou Alain de Benoist, mas foi mais. Hitler levou a Europa à destruição, trouxe americanos e russos para o continente, provocou o colapso dos impérios coloniais e o fim do Euromundo.


2 comentários:

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Acerca desse assunto, li há algum tempo umas obras interessantes, baseadas em documentos e factos até há algum tempo omitidos ou desconhecidos no Ocidente.
Abaixo deixo os links das mesmas:

http://www.amazon.com/Icebreaker-Who-Started-Second-World/dp/0241126223

http://www.amazon.com/gp/product/1591148383/ref=pd_lpo_k2_dp_sr_1?pf_rd_p=1278548962&pf_rd_s=lpo-top-stripe-1&pf_rd_t=201&pf_rd_i=0241126223&pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_r=1XNJ5CWMFABQEQ825567

Um abraço.

Carlos Pires disse...

O General Inverno não lhes deu hipótese.