18 maio 2011

A "ónião sóviética" dos liberais




Bastou fazer um pouco de caricatura sobre os EUA e sobre o "tipo ideal" de americano para que se levantasse um coro de inflamados zelotas, num clamor proporcional à caricatura que intencionalmente pintei. É, para alguns fascinados pelo dinheiro, nos EUA não se toca, mesmo sabendo - e nisso faço vénia à cultura média literária de cada um - que os mais importantes vultos lá nascidos ou crescidos (Mark Twain, Dreiser, Pound, Eliot, Dos Passos, George Santayana) disseram precisamente aquilo que me limitei a repetir. O seguidismo pró-americano, uma infantil mistura de fascínio do candidato a emigrante siciliano, polaco ou açoriano pela "terra das oportunidades", mais o gosto pelos clichés anos 50 e 60 (grandes carros, casas com jardinzinho arrelvado, optimismo, grandes planos), somado ao "espírito guerra fria" deu nisto: uma defesa quase histérica da América. Tudo me faz lembrar os tempos da "Ónião Sóviética" e seus turiferários. A América é assim: não nos dá nada, nunca teve para connosco o mais leve movimento de solidariedade, nada nos compra, limitando-se a lançar umas migalhas em bolsas PhD aos áulicos da religião plutocrática que aqui dá pelo nome de "liberalismo". De resto, invada, polua, não assine convenções e cartas internacionais, bombardeie, mande assassinar, tudo isso é para a defesa do socialismo, dos trabalhadores e da paz e amizade entre os povos...ops, perdão, da democracia, da liberdade e da luta contra o terrorismo.

9 comentários:

Virgilio Costa disse...

Mas se aquela merda cai, é o fim do mundo tal como o conhecemos!

José Mexia disse...

A boa educação que ridiculamente escreveu a propósito de Sócrates, parece que lhe falta a si.
Que sobranceria. Sempre o tive como um Gentleman, que desilusão, nem discutir sabe.
O insulto é a arma dos pobres de espírito.

Paulo Selão disse...

É assim mesmo. Assim é que se fala. Os EUA não são flor qaue se cheire e há portugueses que defendem esse país com unhas e dentes mas quando é Portugal não se importam.

Combustões disse...

É o que é. Para uns, a América é uma espécie de Vaticano do dinheiro, no fundo a mais forte crença saísa da Reforma.

zazie disse...

Em grande!

zazie disse...

Em grande.

Isabel Metello disse...

Por considerar que o vil metal é lixo perante Princípios e Direitos inalienáveis de qualquer ser humano é que considero que um criminoso será sempre um(a) criminoso(a) tenha ele/ela o poder e o dinheiro que tiver, seja ele/ela de que nacionalidade for, e uma vítima será sempre uma vítima tenha ele/ela a forma que tiver em diversas variantes- género, etnia, classe socioeconómica, etc. Este episódio até é exemplar relativamente ao que está em cima da mesa virtual, se ficar provada a acusação. Os EUA são uma nação de contrastes e, claro, que há tantos exemplos históricos que comprovam que interesses se sobrepuseram e sobrepõem a princípios, que o que aparece no palco é o contrário do que se passa nos bastidores, mas acontece que, neste caso, a comprovar-se o ataque alucinado de um predador, a justiça norte-americana foi exemplar, protegendo e dando voz ao mais frágil. Já, por cá, quantas vítimas ainda passam por agressoras, arrependendo-se até de fazer qualquer tipo de queixa, pois não só ainda se sujeitam a ser o alvo de retaliações do agressor como ainda são enxovalhadas, até por quem presta juramento para defender a Verdade e a Justiça.

MIGUEL disse...

CARO MIGUEL, ESTA NOTOCIA:

Procuradora que conduzia com álcool e em contramão foi detida e libertada (Renascença)

A detenção foi feita por um agente da Polícia Municipal, na noite da passada segunda-feira, mas segundo conta o “Correio da Manhã”, na edição de hoje, o processo foi anulado na manhã do dia seguinte, por um colega da magistrada, que considerou a detenção ilegal.

A magistrada saiu em liberdade sem ser submetida a julgamento sumário, como acontece por norma em situações semelhantes.

No entanto, esta decisão contraria um parecer de 2008 da Procuradoria-geral da República, que autoriza a Polícia Municipal a fazer detenção em flagrante delito.

SÓ PARA PROVAR QUE ESTÁ ERRADO. SAO ESTAS AS NORMALIDADES POR CÁ QUE MATARAM O STRAUSS KHAN, MAIS NADA.
ESTA GENTE HA MUITO QUE VIVE SEM LEI , SEM REI, SEM DEUS.

Samuel de Paiva Pires disse...

Caro Miguel,

Deixo uma breve passagem da autoria do Embaixador Seixas da Costa, constante do seu livro "Tanto Mar":

«Vale a pena lembrar que, no nosso país, a estabilidade das relações com os EUA, que reputamos de essencial no nosso
quadro externo, esteve sempre ameaçada por dois desvios de
sentido contrário, ambos promotores de riscos graves de ruptura no consenso interno: a doença infantil do anti-americanismo e zelo patético dos hiper-seguidistas.»

Um abraço