
Sou absoluta, incuravelmente apartidário e digo que só há, na ordem pública, um "inteiro" a que devoto a minha lealdade. Esse inteiro é Portugal. Não voto, não faço parte de grupos e chefes só tenho aqueles que me ensinam algo - chefes sem outro poder que o da palavra e dos olhos cansados pela leitura - pelo que não devo favores, não os peço nem os posso dar em espécie. Isso permite-me alguma liberdade, a suficiente para comparar comportamentos. Dizem muito mal de Sócrates, mas verdade seja dita que num regime como este, entregue a gente que mal sabe empunhar um garfo e uma faca, o Primeiro-Ministro será dos poucos que acusa a recepção de cartas, as responde e diligencia para que informações sejam transmitidas aos ministérios e serviços do Estado. Cheguei, por razões profissionais, a escrever a directores-gerais cartas com aviso de recepção, das quais nunca recebi o mais insignificante eco.
Como dizem os ingleses, "manners before morals", ou seja, um pouco de educação antes de coisas mais insondáveis. A Sócrates devo esse agradecimento. Por três vezes ao longo dos anos a ele me dirigi e por três vezes me respondeu. Kop Khun Krab (obrigado em tailandês) - que se exprime juntando as mãos em atitude de oração. Acresce que, por razões de natureza empresarial, por meia-dúzia de vezes o tive como cliente e a imagem que deixou junto do meu pessoal foi, sempre, a melhor. As pessoas gostam de generalizações, do claro-escuro e dos furores difamadores. Eu prefiro contrastar, observar, matizar. No que à atitude respeita, deve ser caso único na classe política desta terra. Sócrates tem manners. É o que me interessa.
11 comentários:
«dos poucos que acusa a recepção de cartas»
É para isso que serve um batalhão de assessores e secretárias.
Condiz pouco, com as actuações no circo de S. Bento/AR.
Ou se satisfaz com pouco ou as suas necessidades são mesmo só essas, "manners", porque em relação ao resto já está governado. Infelizmente, outros milhares de portugueses não têm a mesma sorte e exigem de Sócrates mais qualquer coisa. A saber: honestidade, verdade, competência emenos demagogia, É uma pena que as alegadas "manners" do engenheiro dominical não o tivessem impedido de afundar o País.
Are you sure, he has manners?
Miguel, não pode bastar ter educação. Possuir uma estratégia que devolva dignidade a Portugal, ter espírito de missão e falar verdade, são características que não posso descurar.
O que é que lhe deram a comer na Tailândia, Miguel? Que pena.
Francamente, não lhe fica bem. Um académico como você é a dizer parvoíces destas!? Por esta linha de pensamento, podemos aceitar qualquer um, mesmo sendo vigarista, corrupto, trapaceiro, pedófilo, assassino etc., desde que tenha maneiras e saiba comer de faca e garfo. Tenha paciência... Não esperava isto de si.
Não tem Miguel, não tem. A mínima. Pode perguntar a quem lidou com ele (muito) mais do que meia-dúzia de vezes. Faculto o endereço de correio electrónico.
Estou embasbacado com este post.
Sem querer ofender, mas vê-se bem que está fora de Portugal.
Sócrates é pouco mais que um labrego de Armani.
Cumprimentos
Tendo-nos posto a pedir esmola à Europa e ao Mundo, só lhe falta, ao José Sócrates, pôr-nos a arrumar carros (serão os tais 150.000 empregos ou as novas oportunidades?). Também tenho encontrado arrumadores de carros bastante bem educados. :)
Deixe-me acrescentar, caro Miguel Castelo Branco, que, conhecendo-o eu como conheço há anos na internet, onde aprendi a respeitar as suas opiniões com as quais muito tenho aprendido, não me espanta esta sua postagem pois como pessoa extremamente bem-educada que é, em muito boa conta tem a boa educação. Não me parece, no entanto, que se deva sobrevalorizá-la já que esta pode, nos cínicos, disfarçar algo muito menos agradável. Assisti, há tempos, a uma entrevista concedida pelo Ahamadinejad a uma cadeia de televisão norte-americana em que ele, sorridente e educado, manifestava o seu desejo de ver desaparecer o Estado de Israel. Imaginei-o a lançar uma nuclear sobre Israel sussurrando um humilde "com licença". O José Sócrates não lançou nenhuma nuclear mas algumas bombas têm caído.
Os meus mais respeitosos cumprimentos.
Pedro
Caro Miguel
Não compreendo este seu comentário.
Possivelmente está a "provocar" os seus fiéis leitores.
Gostava que esclarecesse melhor as suas ideias.
Um abraço do seu admirador e partilhador de ideias.
José Manuel Malhão Pereira
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