05 Maio 2011

Manners before morals



Sou absoluta, incuravelmente apartidário e digo que só há, na ordem pública, um "inteiro" a que devoto a minha lealdade. Esse inteiro é Portugal. Não voto, não faço parte de grupos e chefes só tenho aqueles que me ensinam algo - chefes sem outro poder que o da palavra e dos olhos cansados pela leitura - pelo que não devo favores, não os peço nem os posso dar em espécie. Isso permite-me alguma liberdade, a suficiente para comparar comportamentos. Dizem muito mal de Sócrates, mas verdade seja dita que num regime como este, entregue a gente que mal sabe empunhar um garfo e uma faca, o Primeiro-Ministro será dos poucos que acusa a recepção de cartas, as responde e diligencia para que informações sejam transmitidas aos ministérios e serviços do Estado. Cheguei, por razões profissionais, a escrever a directores-gerais cartas com aviso de recepção, das quais nunca recebi o mais insignificante eco.


Como dizem os ingleses, "manners before morals", ou seja, um pouco de educação antes de coisas mais insondáveis. A Sócrates devo esse agradecimento. Por três vezes ao longo dos anos a ele me dirigi e por três vezes me respondeu. Kop Khun Krab (obrigado em tailandês) - que se exprime juntando as mãos em atitude de oração. Acresce que, por razões de natureza empresarial, por meia-dúzia de vezes o tive como cliente e a imagem que deixou junto do meu pessoal foi, sempre, a melhor. As pessoas gostam de generalizações, do claro-escuro e dos furores difamadores. Eu prefiro contrastar, observar, matizar. No que à atitude respeita, deve ser caso único na classe política desta terra. Sócrates tem manners. É o que me interessa.

11 comentários:

Bmonteiro disse...

«dos poucos que acusa a recepção de cartas»
É para isso que serve um batalhão de assessores e secretárias.
Condiz pouco, com as actuações no circo de S. Bento/AR.

josé disse...

Ou se satisfaz com pouco ou as suas necessidades são mesmo só essas, "manners", porque em relação ao resto já está governado. Infelizmente, outros milhares de portugueses não têm a mesma sorte e exigem de Sócrates mais qualquer coisa. A saber: honestidade, verdade, competência emenos demagogia, É uma pena que as alegadas "manners" do engenheiro dominical não o tivessem impedido de afundar o País.

esseantonio disse...

Are you sure, he has manners?

Gonçalo Ramos Ferreira disse...

Miguel, não pode bastar ter educação. Possuir uma estratégia que devolva dignidade a Portugal, ter espírito de missão e falar verdade, são características que não posso descurar.

João Gonçalves disse...

O que é que lhe deram a comer na Tailândia, Miguel? Que pena.

António Bettencourt disse...

Francamente, não lhe fica bem. Um académico como você é a dizer parvoíces destas!? Por esta linha de pensamento, podemos aceitar qualquer um, mesmo sendo vigarista, corrupto, trapaceiro, pedófilo, assassino etc., desde que tenha maneiras e saiba comer de faca e garfo. Tenha paciência... Não esperava isto de si.

Carlos disse...

Não tem Miguel, não tem. A mínima. Pode perguntar a quem lidou com ele (muito) mais do que meia-dúzia de vezes. Faculto o endereço de correio electrónico.

José Mexia disse...

Estou embasbacado com este post.
Sem querer ofender, mas vê-se bem que está fora de Portugal.
Sócrates é pouco mais que um labrego de Armani.
Cumprimentos

Pedro Leite Ribeiro disse...

Tendo-nos posto a pedir esmola à Europa e ao Mundo, só lhe falta, ao José Sócrates, pôr-nos a arrumar carros (serão os tais 150.000 empregos ou as novas oportunidades?). Também tenho encontrado arrumadores de carros bastante bem educados. :)

Pedro Leite Ribeiro disse...

Deixe-me acrescentar, caro Miguel Castelo Branco, que, conhecendo-o eu como conheço há anos na internet, onde aprendi a respeitar as suas opiniões com as quais muito tenho aprendido, não me espanta esta sua postagem pois como pessoa extremamente bem-educada que é, em muito boa conta tem a boa educação. Não me parece, no entanto, que se deva sobrevalorizá-la já que esta pode, nos cínicos, disfarçar algo muito menos agradável. Assisti, há tempos, a uma entrevista concedida pelo Ahamadinejad a uma cadeia de televisão norte-americana em que ele, sorridente e educado, manifestava o seu desejo de ver desaparecer o Estado de Israel. Imaginei-o a lançar uma nuclear sobre Israel sussurrando um humilde "com licença". O José Sócrates não lançou nenhuma nuclear mas algumas bombas têm caído.
Os meus mais respeitosos cumprimentos.
Pedro

Malhão disse...

Caro Miguel
Não compreendo este seu comentário.
Possivelmente está a "provocar" os seus fiéis leitores.
Gostava que esclarecesse melhor as suas ideias.
Um abraço do seu admirador e partilhador de ideias.
José Manuel Malhão Pereira