01 maio 2011

1º de Maio, trabalhadores sempre, sempre ao lado do Rei


Há precisamente um ano, Bangkok estava a ferro e fogo. Para a generalidade dos observadores - aqueles que não observam, mas mentem e manipulam - tratava-se do episódio final do combate entre o "feudalismo" e a "democracia". Estranhei então que os mais acrisolados amigos dos Vermelhos (uma coligação entre o grande capital predatório e o comunismo) fossem, precisamente, os ocidentais prenhes de desdém neo-colonial. Foram semanas de tensão e insuportável campanha de desinformação e intoxicação mediática. As grandes centrais da manipulação global estiveram à altura da sua costumeira falta de escrúpulos, torcendo e espalhando boatos, fazendo crer que havia um "Conselho Privado" (um orgão de Estado) que representava a "aristocracia" (num país onde não há aristocracia titular), que o exército era uma melancia (verde por fora e vermelho por dentro), que as massas trabalhadoras e o campesinato marchariam sobre a capital. Confesso que, então, pensei que tudo estava terminado; que a vaga vermelha venceria. Foi por isso que percorri Bangkok ao longo de dias, de câmara em riste, para colher imagens dos fogos, dos tiros e barricadas.



Desde o início do conflito apercebi-me da grande contradição. Os manifestantes Vermelhos eram pagos, trazidos como servos em colunas, alimentados pelos capitalistas e, por fim, transformados em escudos-humanos de uma clique de aventureiros, ricos e com formação universitária - onde aprenderam a geringonça das "contradições", da "luta de classes" e da "mudança da sociedade - impacientes por chegarem ao poder e transformarem a Tailândia num novo laboratório socialista. Os defensores do Rei, gente diferente, de todas as condições sociais, não era paga, deslocava-se à capital por imperativo de consciência e não pedia, não reclamava, não protestava outra coisa que não o amor à pátria e ao Rei. No dia 23 de Abril, fui a uma manifestação pró-monarquia no extremo oposto da cidade. Foram horas para lá chegar, pis já não havia taxis, autocarros ou mesmo motorizadas. No caminho, ao passar por uma fábriqueta, assisti a algo que me marcou profundamente: um grupo de operários saia, com os seus fatos de trabalho. Pensei: "lá vão os vermelhos para as barricadas".


Pelo fim da tarde, já na manifestação, encontrei o grupo de operários. Eram os mais ruidosos e entusiastas. Não havia ali o patrão, o cacique, o manipulador ou o comissário controleiro. Estavam entre eles, trabalhadores, e a sua fidelidade ao Rei. Os povos, os trabalhadores, têm infusa a percepção de quem os explora e engana. Sabem que os reis são garante da dignidade para quem, nada tendo, precisa de um aliado que os defenda da usura, da propaganda e da manipulação. Os trabalhadores - ou seja, aqueles de trabalham, que criam riqueza, que não pertencem a lóbis e grupos, não têm amigos que lhes arranjem sinecuras - conhecem as durezas da vida. Neste primeiro de Maio, dia de S. José, o carpinteiro, um só desejo: que os meus concidadãos que trabalham como eu desde os 16 anos se libertem dos profiteurs e ganhem o direito pleno à cidadania.


เพลงแม่แห่งแผ่นดิน

1 comentário:

swedenborg disse...

Em Londres nada diferente, enquanto os trabalhadores , a gente do povo, aqueles Tommies acostumados a levar bala em defesa de sua ancestral nação, dançando, bebendo e comemorando com genuina alegria a continuação de "Sua" família real, os oligarcas eurocentricos desfilavam seu ar nojinho desdenhando a celebração pela City londrina, o antro da roubalheira internacional.