12 abril 2011

Vão-se despir (II)


Era o candidato estupendo, independente e sério, um homem com carreira fora da política, sempre ao serviço das mais nobres causas. Dele disseram que era necessário para limpar os estábulos de Áugias da partidocracia sem-vergonha. O Dr. Nobre tomou agora a decisão de se apresentar ao eleitorado, crente na remota possibilidade do regime se emendar, mesmo sabendo que esse outro trabalho de Hércules é pouco menor que o impossível. O que foi fazer ! Os mesmos que nele viram um voto contra a candidatura de Cavaco e Alegre, lançam os maiores impropérios. Por outras palavras, se fosse candidato pelo berloque ou se fosse candidato pelo ridículo micro-burguês, reaccionário e inútil do PC, seria um "homem esclarecido", "um cidadão envolvido e preocupado", "um homem civicamente empenhado". Ou preferiam que o lugar do Dr. Nobre fosse cair nas mãos de um beta semi-letrado, desses que infestam a vida pública portuguesa e nem para balconistas serviriam ? As pessoas são, decididamente más, mesquinhas e mal formadas. É um dos grandes problemas que não se resolvem com mais crescimento económico, menos dívida pública e endividamento. É um problema de carácter e nesse particular os portugueses estão cada vez mais doentes: doentes de raiva. Vão-se despir !

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Isso, desde que não se fotografem. Seria péssimo para a saúde visual.