07 abril 2011

Safadezas


O homem é roncante, rasca, insignificante. Uma baleia da plutocracia, criatura ávida, trampolineira, arranjista. Contudo, o que o separa da generalidade dos ómegas que dominam o cenário político europeu, de esquerda e de direita, todos eles também rascas, roncantes e insignificantes ? Digam-me, com honestidade, que diferença entre as oclocracias espanhola, francesa, belga, grega, búlgara e o berlosconismo ? Que diferença entre um Sarlozy ou um Medvedev embriagados e Silvio Berlusconi ? Para quem pensa - erradamente - que o voto tudo desculpa e que o simples facto de ter mais votos é decreto que tudo absolve e justifica, Berlusconi pertence à "maioria moral" e aritmética que o elegeu repetidamente.

A hemiplegia perfeitamente safada de quem o julga de dedo moralista em riste, a chuva de impropérios, campanhas sobre "os maus costumes" e os "impulsos genésicos incontroláveis" do onorevole parece só se aplicarem ao homem que dominou o futebol e a imprensa tablóide antes de assentar arraiais no palácio do governo. Não está, também, Portugal cheio de pequenos Berlusconis ? É o estilo do tempo, a marcha inexorável da Europa para o declínio. Com gente desta a governar, como pode a Europa dar lições de Liberdade, de democracia e direitos dos homens ao mundo que um dia, já distante, lhe prestou respeito ?


Depois, alguns dos santarrões que fabricam clamores contra Berlusconi são duplamente falsos. Berlusconi faz o tipo que agrada à plebe consumista, diplomada e arrogante que desfez em três ou quatro décadas a paisagem cultural europeia. Não anda por aí muito tecnocrata que cospe um desprezo olímpico na cultura ? Não temos por aí centos de criaturas que não resistiriam ao mais elementar trivial pursuit ? Têm todos os defeitos de Berlusconi, com a agravante de afivelarem seriedade patega e pretensões a emularem os antigos homens de Estado. São pura contrafacção. O onorevole, esse, é o que é, mas é genuíno naquilo em que caiu o nosso velho mundo.

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