14 abril 2011

Passado desfeito



Uma casa gradeada, desfeita, transformada em barraca. Um pouco como o meu Moçambique, que foi libertado para se transformar em terra queimada, minada e vala comum para um milhão - sim, um milhão - de conterrâneos que em nós confiavam e foram, como nós, trespassados na negociata imunda dessa coisa a que se chamou descolonização. Ali nasci, mas já nada me diz. Morreu, está coberta por trinta e muitos anos de medo, subjugada, prostituída. Lá em cima morava o Manuel Luís Pombal. Ao lado, o general Nascimento e Silva. Já morreram, deles ninguém se lembra. Como nós, que fingimos viver emparedados a imaginar um certo Portugal que nada diz à malta das europas, das tecnologias e das "novas ideias". Dizia há tempos um tal Almeida Tantos que só podia dar "força moral". Dispenso-a. Pode limpar as mãos à parede. Manâmbuas-ripa-de-mar-santanhocos, ou, mais prosaicamente, FAMBA TI KUSA !

2 comentários:

JNAS disse...

é um erro voltarmos aos lugares onde já fomos felizes.
JNAS

Marcos Pinho de Escobar disse...

Caro Miguel, em poucas linhas disseste TUDO. Enquanto os criminosos passeiam-se e pontificam luxuosa e alegremente por este resto de Portugal em bancarrota e moribundo, não deixo de pensar UM só dia nas vítimas de sangue e de infelicidade desta traição inenarrável. Recebe um abraço amigo.