10 abril 2011

Os Zuavos



A França anda em infrene correria africana, agora espalhando democracias onde antes implantava a tal Mission Civilisatrice. De Napoleão, o Pequeno, bem como da republicaníssima crença, velha como Condorcet e depois Jules Ferry, que os selvagens não se sabem libertar dos despotismos, ali estão eles, superiormente dirigidos pela nata das novas Luzes em busca da gloire e da panache dos estandartes. Agora, a democracia tudo absolve. É a superstição do número e da maioria, qualquer que seja, não importa, mesmo que 80% queiram exterminar 20% e que os 80% sejam os menos susceptíveis de compreender o que é um Estado, o que é uma Constituição e o que é o parlamentarismo. Escondido atrás de tanta verborreia, o Rei petróleo a dar ao rabo.

Os cálculos estavam, aparentemente, errados. O passeio na Líbia transformou-se numa luta sem fim e Kadhafi vai-se parecendo, cada vez mais, com Benito Juaréz. Na Costa do Marfim, o déspota Gbagbo, ainda há pouco uma coqueluche do "socialismo africano", dá cartas e obriga os amigos do patrão francês a abandonar a capital cuja conquista, ainda ontem se afirmava, era trigo limpo.

Les Africains

1 comentário:

Nuno disse...

na fotografia parece o antónio variações.

quanto ao texto, de acordo.