02 abril 2011

Os livros deixam de ser nossos

Bangkok, feira do livro, stand da universidade de Chulalongkorn.

Ao finalizar um livro, o autor deixa de brincar aos pequenos deuses da criação efémera e passa a réu de tudo o que não conseguiu exprimir: das falhas e erros que cometeu, das omissões e, até, de uma ou outra gralha incómoda e traiçoeira que pousou no papel pintado com tinta. É bom ver um livro nosso à venda em livrarias distantes, comprado e lido por pessoas que nunca vimos. Há quem odeie os livros, há quem os queime e rasgue, quem os atire para um canto. Porém, basta que uma só pessoa que não o autor os folheie, critique ou aplauda para valer a pena o esforço. Hoje, em Bangkok, um, dois ou dez tailandeses levaram para casa um livrinho que tenta provar a prioridade portuguesa na abertura do Sião ao mundo contemporâneo. Só isso me enche de energia para fazer o próximo, o tal que prometi terminar e editar este ano. Depois, posso dizer adeus à escrita e voltar ao tempo em que não tinha deveres imperiosos. No fundo, tudo na vida se resume a "perder ou não perder a face". O homem deve ser o único animal que procura voluntariamente a servidão.

4 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Algode novo e que vem desmistificar a lenda do "inglês primeiro", depois do "holandês primeiro" e ainda do "francês primeiro".

nunokyoto disse...

Para além de Bangkok, onde é que se consegue ter acesso a um exemplar da tão esperada obra?

Combustões disse...

Nunokyoto:
Muito simples. Passa por minha casa e recebe um. Este livro é apenas um capítulo (entre 18) do que sairá até finais do ano. O segundo já tem 300 páginas e aguarda cerca de 100 da terceira parte. Tratando-se da minha tese de doutoramento, aguarda apresentação em provas públicas e, assim, faz parte do segredo académico.
Cobrirá o arco cronológico que começa com a fundação de BKK e termina com o tratado de 1938, ou seja, nas vésperas da Segunda Guerra. Tem cinco inovações:
1. Não repete o Padre Teixeira nem o o J. Campos, que foram importantes mas estão datados;
2. Inclui documentação inédita portuguesa.
3. Está carregado de documentação tailandesa que nunca ninguém tratou.
4. Oferece o enquadramento histórico, institucional, social e cultural do Sudeste Asiático e nele insere a política externa portuguesa asiática em três fases diferentes.
5. Aborda as lusotopias mestiças portuguesas no Sudeste Asiátio.

Sei que dói a muita gente que os livros se publiquem em inglês, mas é imperioso oferecer aos estrangeiros a informação que lhes falta sobre Portugal na Ásia.
Dói, também, aos analfabetos que, cheios de raiva por não saberem escrever uma linha sem fiadas de erros palmares (para não falar dos ortográficos) se sentiam donos das coisas de Portugal na Tailândia.

disse...

Caro Amigo/Amig@ blogueiro/blogueira,

Livros existem para aventurarem-se de mão em mão, enchendo olhos e mentes, traspassando mundos vários, continentes distantes, até mesmo galáxias perdidas deste infinito Universo, sem respeitar nem mesmo as fronteiras do senhor Tempo.

É com base neste espírito que Lisboa acaba de ganhar um novo Alfarrábio on-line. É o www.livrilusao.com, que vende livros usados e novos.

No entanto, não queremos ser apenas um alfarrábio a mais. Para além de comprarmos, vendermos e trocarmos livros, buscamos também interagir com todos que queiram trocar ideias connosco sobre livros, artes em geral e tudo o mais relacionado com Cultura.

Convidamos-te a visitar a nossa página e, se achar interssante, ajudar a divulgá-la, seja por meio de seu blog, seja repassando esta mensagem para a sua lista de emails.

Vamos dar continuidade à aventura dos livros!

Obrigada,

Giulia Pizzignacco,
Livrilusão