08 março 2011

Prosas fantásticas (II): o caso das criancinhas desaparecidas


"Caldas da Rainha é a terra onde desaparecem mais criancinhas. Eu que o diga! Gostava ainda muito mais de Caldas da Rainha se por ali não me tivessem desaparecido bastante umas quantas. Faz pena e mete dó. A mim, que eu sei. Desapareceu primeiro a Dona Eugénia Soeiro de Brito, Belzebu-pêra-e-bigode, que, como solteirona e crente e apaixonadíssima, era uma autêntica garota em matéria de comportamento social e, também, lógico, sexual. Desapareceu-me depois o meu Pai, um metro e quarenta se tanto. (...) Lembro-me dele: se andasse de calção e fato à maruja passava bem por treze ou catorze anos."


Luíz Pacheco, Exercícios de Estilo, Estampa, 1973, p.211

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