26 março 2011

É teu o mar profundo


Quando parece fecharem-se todas as portas do futuro, as pessoas voltam-se para o passado. Hoje, o taxista que me levava a casa ouvia uma cançoneta do Calvário. Um silêncio compenetrado, pesado e pesaroso. O homem teria uns sessenta e tal anos e parecia tenso ao ouvir a música que a rádio debitava. Por fim, encheu-se de coragem, voltou-se para trás e disse: "olhe, faz hoje quarenta anos que embarquei para a guerra. Estive lá durante três anos. Serviu para alguma coisa ? Foi para isto que me fizeram nascer, para assistir ao fim do meu Portugal ?"


Para Cantar Portugal

2 comentários:

Pedro Marcos disse...

A Alemanha, depois da tragédia da I Guerra, teve os Frei Korps.

Portugal, depois da Grande Traição, apenas teve uma massa bruta de bananas a adular traidores.
Agora ainda se julga que isto "vai lá" com palavras.
Pois sim...

JNAS disse...

Post poderoso quer no narrador quer na personagem.
JNAS