14 março 2011

É tão bom matar mitos


A nossa equipa de investigadores vai de vento em popa. Ainda o cadáver do mito da prioridade britânica na integração do Sião na comunidade internacional estava a aguardar sepultura, deitado na laje branca do Tribunal da História e hoje, pela tarde, descobrimos um novo e surpreendente documento que dá conta de algo ainda mais arrasador. O livrinho de nossa autoria que há dias foi apresentado na Tailândia ofendera os brios britânicos. Em 1820, Portugal negociara com o Sião um tratado escrito. Para alguns, terá ficado a incerteza da efectividade de tal tratado. Agora, surgiu algo bem mais surpreendente.

Em 1851, o Rei Mongkut ascendeu ao trono e, receoso da expansão britânica, procurou de novo Portugal para actualizar os termos da abertura do seu país ao euro-mundo. Enviou a Macau uma mensagem confidencial pedindo aos portugueses um novo tratado. Infelizmente, os costumeiros atrasos da nossa maquinaria burocrática impediram que Lisboa pudesse responder a tempo.

Afinal, antes do tal Sir John Bowring - governador de Hong Kong e ministro plenipotenciário da rainha de Inglaterra - chegar a Bangkok com o texto do tratado anglo-siamês de 1855, já em Lisboa havia uma carta assinada pelo Rei do Sião requerendo urgente assinatura de um tratado com Portugal. Os ingleses vão ficar furibundos por lhes andarmos a revolver os mitos. É um prazer matar mitos !
Poderão alguns dizer que nada disto é importante. Não passa de história. Sim, é história, mas é a parte de leão da memória da Tailândia moderna, aquela que é ensinada nas escolas e produz imagens poderosas nos cidadãos. Mostrar-lhes que Portugal estava lá e era o aliado prioritário do Sião na construção do tempo novo é reduzir a dependência psicológica em relação a britânicos e americanos. Fazer história é, também, fazer o presente.

1 comentário:

Bic Laranja disse...

Esplêndido! - para usar um adjectivo que eles entendem.
Cumpts.