03 fevereiro 2011

Revoluções, rebeliões e arruaças


O mito das primaveras dos povos está em baixa. As revoluções, agora, não passam de arruaças bem pagas, bem orquestradas, cronometradas de acordo com as horas de maior consumo de notícias. Quem as faz ? Os muito ricos, os que querem entrar na esfera do poder, mais os patrocinadores de causas justas; aqueles que não querendo revoluções nos seus países as exportam para queimar a excitação do frémito destruidor noutras paragens. É claro, notório, indiscutível, que a "revolução egípcia" já era. Só não vê quem não quer. Mubarak ficou, os EUA cometeram um erro de avaliação, a Europa portou-se, mais uma vez, como a grande iludida a querer dar lições de moral às quais já ninguém dá a mínima relevância. Quem ganhou? Mubarak. Não teve medo, não viu a CNN, não se deixou impressionar pelas marcha do "milhão" que afinal foram 100.000 (num país de 80 milhões). Desta revolução que não o foi ficou a grande carga de camelos e cavalos dos guias das pirâmides - a verdadeira classe trabalhadora - que farta de ver os meninos das universidades e da burguesia a brincar às bravatas, mais os acicatadores dos milionários caprichos, quis exercitar a chibata.
É notório que se realizou a união táctica das três maiores forças do tempo presente: a plutoctacia (venha mais dinheiro), o novi-comunismo que tem vergonha do seu nome e essa vaga de fundo de pobreza de espírito que dá pelo nome de causas justas, onde cabe tudo o que rime com balbúrdia.

5 comentários:

José Domingos disse...

Nõa há nada, como uma boa manifestação, para os orgãos de formatação, darem a vitória como certa. Só agora, é que chegaram á conclusão, que no Egipto, havia uma ditadura!!!!Um novo 25 de Abril, escreveram alguns imbecis cá do burgo, desejosos de agradar ao dono, parece a "verdade" a que temos direito. Por cá, continuamos, numa pseudo democracia, onde os aprendizes de politicos, estão gordos e lusidios, embora por cá, também existem muitas praças.....

luís Vintém disse...

Não percebo como se pode excluir o governo egípcio da lista dos grandes responsáveis por esta situação.
Conheço alguns egípcios (certo, não são guias turísticos mas também não compreendo porque há-de residir nestes o "volksgeist") e conheço, há vários anos, a sua frustração por viver num país onde a justiça é uma eterna farsa e a pobreza uma doença crónica.
Penso que há que admitir que por vezes as pessoas decidem "mudar de vida", como o fizeram em 91 do outro lado da cortina de ferro.

Kubrik64 disse...

N'importe quoi!!! como dizia Nietzsche "As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras", não estou de acordo com este artigo e com os precedentes (sobre o Egito)simplesmente porque não ilustra a realidade, não compreendo o seu anti-americanismo e deixe-se de amálgamas, espectros Maoistas, Al- Qaedas, Ahmadinejad, porque o que se está a passar no Egito é uma realidade diferente, a continuar assim e eu que admiro a sua arte da retórica, penso que para alimentar o seu pseudo jornalismo, poderia criar um jornal digno de fazer concorrência ao jornal Avante, para bom entendedor....
cumprimentos

Klatuu o embuçado disse...

Eu acho que Mubarak deveria deixar aquela coisa durar mais um mês: o Cairo está sobrepopulado e as tropas precisam de distracção...

EJSantos disse...

Amigos, temos provavelmente duas escolhas: Ou Mubarack é apoiado, ou levamos com um novo Irão, mesmo à porta das nossas casas.

Se os muçulmanos são suficientemente estupidos para acreditar que um regime fundamentalista é o remédio para os males que lhes afligem, lamento muito e tenho muita pena.
A promiscuidade entre poderes nunca deu certo; quem tem dúvidas que leia na História.

Mas mesmo sendo em casa alheia, não podemos ficar indiferentes. Os fanático de Allah não vão se contentar em infernizar a vida aos seus próprios conterrâneos.