01 dezembro 2010

1º de Dezembro: a Liberdade e a censura

Telejornais da uma da tarde: futebol, nevões, banco alimentar, mais futebol, trânsito e a crise da Irlanda, ainda transida pela factura que terá de pagar à plutocracia rapinadora. Sobre o 1º de Dezembro, nada. Pois, 1º de Dezembro quer dizer "estamos fartos do jugo", "queremos ser livres", "nós somos independentes". Para quem trabalha para o jugo, a opressão e a dependência, este dia não convém ser lembrado aos portugueses.

29 novembro 2010

Última esperança vermelha morre na Tailândia

Os derrotados da crise de Março-Maio deste ano na Tailândia, mais os seus instrutores estrangeiros, viram hoje escapar-lhes a última possibilidade de assistir em directo pela televisão à queda da Abhisit Vejajiva, o primeiro-ministro monárquico que derrotou o assalto vermelho ao poder e se transformou no alvo a abater pelas forças totalitárias.

O Partido Democrático de Abhisit fora acusado de uns pecadilhos perfeitamente inocentes na utilização, numa campanha eleitoral passada, de fundos recebidos mas então não revelados. Na Tailândia, tal infracção é punida com interdição de direitos políticos por cinco anos e consequente dissolução dos partidos políticos que contrariem tal disposição. Ora, o Partido Democrático é o mais antigo do país e faz parte indissociável da memória do regime constitucional e representativo, sendo o único, como os acontecimentos recentes provaram, com cultura democrática e liderança com provas dadas de maturidade, segurança e coragem para impedir derivas cesaristas e populistas. O Partido Democrático é o garante do desenvolvimento das reformas em curso e o agente de apaziguamento que garanirá o aperfeiçoamento dos mecanismos democráticos de fiscalização da acção do governo. Com Thaksin e os vermelhos no poder, a Tailândia seguiria o caminho inverso, mas se tal acontecesse, as madalenas lacrimejantes de hoje não emitiriam um simples ai.

A sentença do tribunal, esperada com grande aperto e comoção foi ... "não há réus, não há caso judicial, não há matéria de relevo e mesmo que a houvesse, essa há muito prescreveu, pois Abhisit e a actual direcção nada têm a ver com irregularidades cometidas antes da sua chegada à liderança do partido". Calculo o bruá que irá nas sedes da conspiração - bancos, multinacionais, embaixadas - que garantiram a pés juntos que Abhisit não iria resistir "à lei". Mas de que lei falam pessoas que intrigam, manobram, manipulam, difundem rumores, enviam relatórios falsos para as suas chefias na Europa e América do Norte, mandam recados de apoio a terroristas vermelhos detidos, utilizam as sempiternas ONG's como arietes e demolidoras do bom nome da Tailândia ? São, sem tirar, os mesmos que fizeram o trabalho sujo no Nepal com o belíssimo resultado hoje conhecido.