27 novembro 2010

Il Portogallo è grande, ou quem nos corta o caminho do futuro ?

A Revista Italiana de Geopolítica é uma instituição cultural com pergaminhos. Tendo surgido em finais da décadas de 30 do século passado, pouco antes do deflagrar da guerra e da entrada da Itália na contenda, foi inicialmente pólo de recepção das ideias de Haushofer, para depois se constituir em agente de reflexão académica sobre os problemas da Geopolítica, aliando uma vertente didáctica - criadora de grandes públicos - sem contudo abdicar de uma qualidade científica indiscutível. Ora, o número agora saído é uma pedrada no charco - de derrotismo, miserabilismo e jeremíadas - em que vive a sociedade portuguesa. Um número temático inteiramente dedicado a Portugal, que deve ser lido por todos e recomenda-se vivamente que se dessa leitura se tirem conclusões, necessariamente impiedosas para quem tem feito crer aos portugueses que não há outro caminho que não seja o do empobrecimento inapelável, a submissão e diluição no magma da Espanha.

Lidos os textos, assinados por uma plêiade de especialistas de reconhecidos méritos, retiramos as seguintes conclusões:

- Portugal é um país central no complexo euro-atlântico e não pode submeter-se a orla periférica do Mitteleuropa;

- A comunidade cultural, linguística e afectiva dos países herdeiros da expansão portuguesa não é um adereço retórico; detém hegemonia económica, demográfica e política sobre a América do Sul e encontra em Angola o mais poderoso Estado da África negra após a África do Sul, posto que a Nigéria perdeu a sua grande oportunidade;

- Portugal está virado para os grandes espaços. Mais que uma inclinação, há uma verdadeira pulsão existencial que o impele a viver fora da Europa;

- Portugal não está condenado a desaparecer: há um grande potencial nos futurivéis, conquanto nos libertemos do Euro, que nos empobreceu;

- O Estado Social e as suas quimeras nórdicas levou o país à miséria, pelo que a ideia de Estado Social se deve adaptar aos recursos do país;

- A CPLP pode ser o pan in herbis de algo realmente grande e a ideia peregrina de juntar todos os países resultantes das fases imperiais de Portugal é, mais que uma nostalgia, uma ideia moderna e actualíssima na era da globalização;

- A Lusosfera não é um mito. Haverá dirigentes à altura para a alavancar ?


Uma nota muito especial para o nosso embaixador em Roma, pelo seu admirável italiano, pela segurança que inspira e pela acção que vai desenvolvendo em defesa do bom nome da nossa pátria.Um exemplo a ser apontado ao nosso corpo diplomático.

25 novembro 2010

Nepal: restauração monárquica à vista

Por uma nova monarquia, contra a desordem, o caos social e económico e a escalada totalitária pró-chinesa de comunistas e maoístas (os dois mais fortes partidos do país !), eis a mensagem do partido monárquico recentemente formado naquela que foi, até há dois anos, a última monarquia hindú. A violência atingiu proporções de alarme, os raptos sucedem-se, os contribuintes deixaram de pagar impostos, as greves e ocupações tomaram conta da vida empresarial, há desinvestimento estrangeiro e fuga de capitais. Neste cenário, muitos voltam-se de novo para a casa real e pedem a intervenção das casernas.

A queda da monarquia foi, como todos sabem, um golpe minuciosamente preparado pela China, em estreita colaboração com diplomatas da União Europeia, com tamanha similitude com a crise dos "Camisas Vermelhas" na Tailândia que dir-se-ia ter sido o complot tailandês de Abril-Maio últimos a reedição do bem sucedido golpe de Estado no Nepal. O golpe plutocrático-comunista na Tailândia falhou, porque a monarquia está mais sólida e profundamente entranhada no ser e nos modos do povo. Mas tudo tem o seu tempo. Aos nepaleses, bastaram dois anos de república para poderem comparar. Nós somos mais masoquistas: assistimos ao longo de um século ao deslizamento da liberdade, do orgulho e do elementar direito a escolher, até chegarmos a este nadir humilhante de pelintrice esfarrapada. Os nepaleses são, pois, mais lestos. Que concluam o trabalho o mais rápido possivel, é tudo quanto desejamos.

Le Chardon Ardent

Um blogue não recomendável, em absoluto, aos dependentes do politicamente correcto. Passa directamente para a lista dos preferidos.

24 novembro 2010

GREVE

HOJE NÃO ME APETECE ESCREVER. ESTE BLOGUE ESTÁ EM GREVE.

21 novembro 2010

Portugal e os outros

Dizia-me anteontem uma fulana que estava a preparar um livro sobre a recepção dada por Paulo VI aos líderes dos "movimentos de libertação". Disse-o com um brilhozinho nos olhos, como quem evoca uma vitória. Fiquei triste, pois se Portugal serviu desinteressadamente a algo neste mundo foi a Roma. Lembrei-lhe que a paga não foi conforme o gesto estudado: Samora e Neto pagaram ao Vaticano com perseguições, confisco e destruição das missões. Retorquiu: "e depois"? Pois, a mesmíssima resposta que daria um desses peralvilhos das Missions Étrangères que a Propaganda enviou para o Oriente para destruirem tudo o que por lá haviam feito os portugueses e depois, sem deixarem obra, só serviram para abrir as portas da Indochina ao imperialismo jacobino. Passaram 40 anos sobre a tal audiência. Não, corrijo, passaram 40 sobre essa traição ignóbil e mais de 300 sobre coisa análoga feita no Oriente. Nunca aprendemos nada !

Já que não quereis, Senhor, desistir ou moderar o tormento, já que não quereis senão continuar o rigor e chegar com ele ao cabo, seja muito embora; matai-me, consumime, enterrai-me:

Ecce nunc in pulvere dormiam; mas só vos digo e vos lembro uma coisa: que "se me buscardes amanhã, que me não haveis de achar": Et si mane me quaesieris, non subsistam. Tereis aos sabeus, tereis aos caldeus, que sejam o roubo e o açoite de vossa casa; mas não achareis a um Jó que a sirva, não achareis a um Jó que a venere, não achareis a um Jó, que destruí, consumi-nos a todos; mas pode ser que algum dia queirais espanhóis e portugueses, e que os não acheis. Holanda vos dará os apostólicos conquistadores, que levem pelo Mundo os estandartes da cruz; Holanda vos dará os pregadores evangélicos, que semeiem nas terras dos bárbaros a doutrina católica e a reguem com o próprio sangue; Holanda defenderá a verdade de vossos Sacramentos e a autoridade da Igreja Romana; Holanda edificará templos, Holanda levantará altares, Holanda consagrará sacerdotes e oferecerá o sacrifício de vosso Santíssimo Corpo; Holanda, enfim, vos servirá e venerará tão religiosamente, como em Amsterdão, Meldeburgo e Flisinga e em todas as outras colónias daquele frio e alagado inferno se está fazendo todos os dias. Padre António Vieira, Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda, 1640.


A cimeira como o meu pai a viu


"Regalei-me e ri bem à vontade com as fotos e legendas que puseste no teu blog a propósito da Nato muito desnatada que nos custou os olhos da cara e não sei se a Portugal serve para qualquer coisa!
Enfim, o que é preciso é aguentar os "cavais" para fazer perdurar esta burguesia - desculpa, queria dizer "infra-burguesia" - que nos assalta, espreme, devora e sacaneia noite e dia.
Vi algumas das imagens pela TV e devo confessar que fiquei preso a uma boa meia-dúzia: 1, a famosa capa de seda (?) listada de verde e cinza do mirífico Karzai que tão bem vai com o bivaque cinzento que parece ser de astracã, um desrespeito por um país que vive sob metralha e morre de fome, de angústia e de terror; 2, os deliciosos e apepineirados casibeques - não sei se o termo existe e está dicionarizado mas o facto é que traz ressonâncias camilianas - de todas as cores e com os mesmos botões que são a marca da distinta "afuheraida" que dá pelo cândido nome de Angela Merckel e que quer alcançar para a Alemanha o que falhou ao pintor de tabuletas do III Reich; e quer fazê-lo sem guerras destruidoras do húmus humano mas com a corrente caudalosa dos marcos alemães que ela conduz como euros demolidores; raios a partam; tenho dito!; 3, o ar de agoniado de quem sofre do estômago e tem úlceras duodenais: o senhor Cavaco, aliás, de par com o riso acontentado do senhor de Sousa, o que sempre é bem melhor do que lhe chamarem aquela outra cousa de ressonância filosófica, disciplina que ele nunca terá estudado; 4, a turbamulta de repórteres e fotógrafos a correrem de um lado para o outro (!) como quem anda à procura do caminho de Santiago, o do cinema espanhol que não o do santuário galego; 5, umas meninas e umas senhoras, de farda muito parecida, que andavam, também, de um lado para outro a conduzir não se sabe quem nem para quê, já que se tratava de gente que ninguém sabe quem seja nem se, em Verdade, existe; 6, uns locutores e jornalistas e convidados que falavam e falavam até deixar os telespectadores a arfar como cães cansados depois de uma corrida à beira-mar; 7: a chegada do delicioso e sofisticado Berlusconi que se fez esperar pois deve ter estado ocupado com algo mais importante do que esta lisboetice que nos arrancou mais uns cabelos; parabéns senhor Berlusconi e a sua desbundice; 8: o famoso, o português mais famoso por aqui e pelo mundo inteiro: o Bo do saltitante em forma Obama que sobe e desce escadas como quem se atira às laranjas e aos figos…
Tenho dito.
Abçs do Pai"