04 setembro 2010

Der Untergang des Abendlandes


«Mais do que de perda de referências, é de uma perda de magnetismo que se trata hoje. Vive-se uma desmagnetização geral dos valores, e sem valores pode haver chefias, mas não há lideranças. Pode haver impulsos, mas não há soluções. Pode haver gestão, mas não há visão. Lidamos hoje com um mundo em intensa transformação, o que o Ocidente sente como um drama, mas o resto do mundo vê como uma fantástica oportunidade. Todos os dias verifico isto mesmo nas reuniões da UNESCO: um mundo entusiasmado face a um Ocidente desmoralizado. A energia emergente que se contrapõe à fadiga declinante, com Darwin a sugerir a todos e a cada um o seu provável futuro. O Ocidente, e nomeadamente a Europa, aparece cada vez mais como um bloco conservador, nostalgicamente à espera que o tempo volte para trás - aí a meados da década!... -, quando a ilusão do seu natural domínio mundial se começou a esfarelar. Mas não haverá regresso

Manuel Maria Carrilho, ontem no DN

02 setembro 2010

Os camisas vermelhas sem amigos externos

Não, não é uma fotografia tirada no Soweto nos anos 70. É um carro blindado sul-africano anti-motim aplicado para defender uma justa causa, a causa dos 5% de moçambicanos frelimistas que não são miseráveis, que têm escolas de excelência com mensalidades pagas em dólares e euros, que viajam para os paraísos fiscais, que se cobrem com as armaninhadas e ocupam a totalidade dos lugares na administração, na vida empresarial e na banca. É a repressão necessária contra os camisas-vermelhas de lá, os tais 40% de desempregados, cidadãos de terceira e quarta categoria que vivem com 1 dólar por dia nas barracas de Maputo e da Beira, sem água corrente e sem electricidade. Quando aqui 5000 vermelhos, pagos a fundo perdido por Thaksin ocuparam o centro da capital tailandesa, mataram, lançaram granadas e lançaram fogo a dúzias de edifícios, houve quem os apaparicasse, os recebesse ou fosse recebido entre palmas no estrado de um comício ininterrupto. Os camisas-vermelhas de Moçambique são outra coisa: estão a impedir o "crescimento económico", "sabotar a economia", amedrontam o investimento externo. São uns bandidos, pois atreveram-se contestar os sacrossantos pergaminhos de uma brilhante liberdade que lhes faculta o acesso ao voto em eleições manipuladas. São estes, pois, os critérios dos afanosos amigos de todas as causas justas, sim, aquelas que enchem os bolsos de tanto europeu prenhe de sonhos justiceiros. Esperei dois dias para ouvir dos sempiternos d'Artagnans um simples poemeco em defesa do povo de Maputo. Nada ! O mundo é feito, decididamente, para os hipócritas.


Das lachende Saxophon

31 agosto 2010

Foi há 2 anos



Foi há dois anos que se iniciou o levantamento nacional democrático contra a plutocracia. Hoje fui dar um abraço ao amigo Kietisak, artista e militante pela causa do Rei e da Liberdade que perdeu uma perna num ataque bombista perpetrado pelas milicias vermelhas pró-Thaksin. O povo não teve medo, nem do dinheiro nem das granadas; avançou compacto e decidido, cerrou fileiras em defesa do trono e da nação e ganhou. Se não tivesse havido reacção na rua ao crescendo totalitário, a Tailândia seria hoje uma ditadura. Valeu a pena, como valem todos os movimentos ditados pelo coração e pela responsabilidade da cidadania quando o Estado e aqueles que detêm o poder abandonam os interesses permanentes da nação.Se o povo português tivesse feito o mesmo em Setembro de 1974, não tínhamos passado pelas vergonhas e vexames a que fomos sujeitos e o desastre teria sido evitado. Mas não, aí ficou tudo em casa. Aqui, o povo saiu à rua. Ensinamentos !

30 agosto 2010

Vitória azul e branca

O partido de Abhisit venceu folgadamente as eleições hoje realizadas em Banguecoque, elegendo 210 conselheiros regionais (82%). A abstenção foi grande e penalizou severamente o nóvel partido das Novas Políticas, que não teve um só dos seus candidatos eleitos, bem como os vermelhos, que só conseguiram 39 (15%). O partido no governo sai reforçado deste pleito e a pouco expressiva votação dos nacionalistas do NP garante a Abhisit liberdade de agir sem constrangimentos na construção de uma nova maioria, talvez monocolor, para as eleições gerais que se realizarão no próximo ano. Os vermelhos do Peua Thai, ainda fortes em algumas zonas da capital, receberam com alguma estupefacção os resultados, pois ainda ontem acreditavam na possibilidade de ganhar nos grandes bairros operários dos arredores. Há ou não democracia na Tailândia ? Ou só há democracia quando se tomam de assalto as ruas, se incendeiam edifícios e se alvejam as forças da ordem ?