07 Junho 2010

Falsas dinastias, falsos reis

Gente gananciosa e ávida; desertos mentais e afectivos. Horizontalizadores, estes novos Levellers sonharam com um mundo de plástico, torres de vidro e a soberania do Homem Novo, "cidadão do mundo". Fizeram da usura uma religião, reduziram a política a marketing, a cultura em mercado, a educação em negócio. Reinaram impantes durante duas décadas, legislaram contra o Bem Comum, inventaram entidades supranacionais para alargar as fronteiras da coutada, fizeram guerras para espalhar a boa nova, tornaram o Ocidente odioso aos olhos daqueles que em nós confiavam.

Às suas mãos foram abatidas, uma a uma, as fronteiras que faziam a riqueza e a diversidade dos povos do Ocidente. Planificadores, recusaram aos povos a liberdade económica, riscaram tratados que estilhaçaram a segurança do pão e do trabalho, abriram as portas do Ocidente à China para agora a quererem ver abatida e substituída pela Índia. Às suas mãos, fizeram-se as relocalizações, demoliu-se a agricultura e coroou-se o colarinho branco como novo equites, servido por milhões de escravos trazidos para ecelerar a proletarização da detestada "classe média" de empresários e quadros que se lhes opunha. Abateram o que sobrara das antigas elites, dos corpos profissionais, dos velhos partidos e do associativismo que eram barreiras à expansão do totalitarismo.

Tudo isto aconteceu e ninguém se apercebeu que era uma revolução, tão profunda e perdurável como qualquer dos cataclismos que no passado mudaram para sempre a face do mundo. Surgiram novas referências e novos ídolos, gente surgida do nada fazendo o clamor de exigências montadas sobre grandes mentiras. Tudo o que lhes lembra o passado foi varrido. É este o admirável mundo integrado, globalizado e uniformizado. Tudo passou a global: o clima, o mercado, as ideias, as modas, a língua. Tudo perdeu a magia às mãos desta gentuça.

06 Junho 2010

Comem crianças ao matabicho

Sei que entre os asiáticos a reputação dos norte-americanos foi caindo década a década desde aquele longínquo ano de 1833 em que Edmund Roberts e W. S. W. Ruschenberger tentaram estabelecer relações diplomáticas com o sultanato de Omã, com o Sião e o Dai Viet. Para os governantes desses potentados, os EUA não existiam senão como vaga referência geográfica, mas os enviados do presidente vinham tão entusiasmados com os sonhos de amizade perpétua e comércio que as cortes tiveram a paciência de os receber e, até (Omã e Sião) com eles assinarem uns tratados que nunca passaram do papel. Os Eua não tinham império asiático, não interferiam, não incomodavam.


Porém, em 1853, a simpática imagem começou a desvanecer-se quando os quatro navios negros comandados por Perry chegaram a Yokosuka (Japão) com ordens expressas para abrir fogo sobre juncos, portos e cidades costeiras se os teimosos Tokugawa persistissem no isolacionismo das ilhas nipónicas. O Japão cedeu. Três anos depois foi a vez do Sião, quando um diplomata soi–disant chamado Townsend Harris chegou a Banguecoque com todo o tipo de ameaças se o Reino do Elefante Branco não se submetesse ao "livre comércio". O Sião cedeu e os americanos ganharam confiança e passaram a executar a política de canhoneira a todo o Pacífico e Mar da China, direito da força que aplicaram indistintamente a concorrentes europeus (Espanha, 1898), a evasivos asiáticos (China, 1900) ou a exóticos ilhéus (Havái, 1894). Todos se vergaram perante o Americano que seguia na peugada do mais enxuto triunfalismo imperialista.

Os Eua exportavam aventureiros e missionários e importavam coolies. De quando em vez, um jornalista romântico percorria as rotas da Ásia e insinuava-se junto dos candidatos a ditadores, como foi Edgar Snow, amigo de Zhou En-Lai, propagandista do mito de Mao que fez mais pela angelização do tirano vermelho que qualquer remessa de canhões e granadas oferecida por Estaline ao abrigo do "internacionalismo proletário". A sua Red Star Over China é, indiscutivelmente, uma das mais bem conseguidas campanhas de propaganda pró-comunista do século XX, apenas comparável ao Ten Days that Shook the World, de John Reed, outro americano que fez de Lenine um salvador aos olhos da opinião que se publicava no crédulo Ocidente.

Depois, foi a Segunda Guerra. Via há dias a série televisina Pacific e perguntei-me se aquilo que ali se escancarava - um velho mito adubado pela propaganda de guerra - poderia ser apresentado no Japão, que continua a resistir à visão hollywoodiana de uma guerra entre fanáticos kamikaze e o "individualismo democrático" dos americanos. Ora, os EUA não ficaram aquém dos nipónicos na prática das mais refinadas patifarias. Aquilo foi uma guerra de extermínio sem contemplação que só ficou a dever à barbárie nazista-comunista de Hitler e Estaline por ter lugar numa parte do mundo pouco coberta pelas câmaras do jornalismo. Os americanos arrasaram o Japão com fósforo e, no derradeiro instante, como a criança que quer experimentar o novo brinquedo, lançaram bombas atómicas. Foram duas, mas se tivessem mais à mão, teriam sido cinco, dez ou vinte até o Sol Nascente se converter num deserto.
Os asiáticos, apercebi-me há pouco, veneram o very british, sentem curiosidade pelo raffinement dos franceses, atracção pelo excesso de italianos e espanhóis e mantêm a ideia, certamente viciada pela memória, do pioneirismo da "Potência Histórica" portuguesa. Dos americanos têm medo; diria, sentem uma quase repugnância pelo mascar convulsivo de pastilhas-elásticas, pela linguagem gestual que estimam ameaçadora, pelo falar sem-cerimónias, pela violência que pressentem nas fitas americanas. Têm, em suma, reputação de selvagens. Como os mitos são mais importantes que tudo o mais, dos EUA ficou a imagem da guerra de aérea que MacArthur desencadeou na Coreia, no seu pedido de lançamento de 100 bombas atómicas sobre a China, aliada de Kim-il-Sung, de My Lai e do Agente Laranja no Vietname. Para os asiáticos, é estreita e dubitativa a opção entre America e Comunismo, pois dos dois receberam as maiores provações. Acresce que a política asiática dos EUA, invariavelmente nas mãos de gente tola e alvar, favorece a preservação do "carácter asiático" das tiranias comunistas, pelo que as pessoas tendem a desculpar os vermelhos pela inépcia norte-americana.
Há tempos, falando com um bom amigo tailandês sobre a sua família, abordámos os tempos da guerra. O avô fora um dos últimos Luang (Visconde) sob a monarquia dita absoluta e nos anos 30 e 40 serviu o Estado ocupando relevantes postos na administração. Quando veio a guerra, o Sião optou pelo campo japonês, mas era uma guerra a fingir, sem campanhas no exterior das fronteiras. Em 1943, os EUA começaram uma campanha de bombardeamentos visando minar as vias de comunicações japoneses. Pensaram os tailandeses: "isto é uma guerra que não nos diz respeito, pois no fundo nunca fomos inimigos de americanos e britânicos". Ilusão infantil. Os americanos passaram a bombardear Banguecoque de noite e de dia. Queimaram bairros inteiros, mataram milhares de pessoas. A tragédia foi tal, que a capital foi abandonada em finais de 1944 e a população enviada para os campos. É um assunto tabú, mas basta esgravatar um pouco e sai uma torrente de ressentimento anti-americano. Os Eua foram, de facto, o maior acicatador de ódio anti-Ocidental na Ásia.


THE TURKEY SHOOT

04 Junho 2010

O passado de uma ilusão

Hoje fui pagar a conta da luz, posto que se esgotara o tempo de pagamento por multibanco e impunha-se que o fizesse directamente num dos guichets da fornecedora. Apanhei um táxi que me levou a Klong Tewy, onde se situa a sede da companhia de electricidade que abastece Banguecoque. Ao chegar, o taxista informou-me laconicamente que "já não pode pagar aqui", pois "eles queimaram tudo". Eu ia absorvido com a leitura de uma revista, pelo que não lhe prestei atenção. Paguei a corrida, saí do carro e parei subitamente, como quem recebe um valente soco no estômago. O grande edifício está lá, mas comido pelo fogo do primeiro ao último andar.

Foi pasto das chamas durante uma noite, precisamente no derradeiro momento da tentativa de golpe de Estado plutocrático-comunista. Foi um acto gratuito de maldade e vandalismo perpetrado intencionalmente por quem se reclamava defensor do "povo", da "democracia" e da "liberdade". Tal como todos os movimentos totalitários, os vermelhos, vendo perdida a jogada, quiseram lançar fogo a toda a cidade e deixar a marca infamante do seu reinado de curta duração. Disse-me um amigo, quadro dirigente no Ministério do Interior, que foram recuperados documentos reveladores do plano vermelho. Tudo estava meticulosamente listado. Em Banguecoque, figuravam mais de 300 edifícios no plano de terra queimada: templos, museus, repartições do Estado, tribunais, centros comerciais, uma estação de caminhos-de-ferro, centrais de comunicações, a sede dos Correios (bem perto da nossa embaixada), duas universidades, hotéis, uma grande estação de autocarros, bancos e mesmo hospitais.

Quem coisas destas faz é capaz de tudo. Tenho para mim que depois dos 300 e tal edifícios, o terror espalhar-se-ia pela cidade e as "massas" e o "povo" - ou seja, dez mil mercenários entre os setenta milhões de tailandeses - invadiriam os bairros de "parasitas do povo" para aí cevarem os seus instintos. Depois, começaria a "justiça popular". Fuzilariam os generais, depois os brigadeiros e os coronéis, para logo de seguida darem caça à "aristocracia", à família real, aos proprietários, aos escritores e professores universitários - responsáveis pela "produção da alienação" - e por aí seguiriam até liquidarem por atacado os tais "5% de inimigos do povo". Se assim foi assim na Rússia, na China, na Coreia, no Camboja, na Roménia, Polónia e RDA, por que razão não o fariam também na doce Tailândia ? Ora, 5% quer dizer 3 milhões e meio de pessoas esbulhadas, presas, empurradas para o exílio ou mesmo mortas. O vermelhismo é igual em todo o lado. A Tailândia esteve a centímetros do abismo, mas aqui houve resistência, o terror não venceu a combatividade, a monarquia e a democracia (a tal "democracia burguesa") venceram a batalha. Que a mão da justiça não trema no acto de aplicar a lei a tais celerados, é tudo o que desejo.



Fire

03 Junho 2010

O estendal do gajismo

O esplendor da meia-tigela: a Cristina, presidente, mulher de Néstor "de Kirchner ", ex-presidente da mesma Argentina onde pontificaram Carlos Saúl Menem Akil com Fátima Zulema e, depois, Cecilia Bolocco, acusados de peculato e corrupção passiva que ascende aos dois dígitos de milhões de dólares. Um mundo com Maradona, culebrones e crises económicas de dimensões bíblicas, com cavalos abatidos em plena rua e esquartejados pela multidão esfaimada. O país que foi o terceiro mais rico do hemisfério ocidental nos tempos do longo, estável e educado liberalismo dos "terratenentes" e da "oligarquia inglesa", antes de descambar na tirania democrática - pois claro, foram eleitos e reeleitos - de um casal de fascistas de pacotilha e discurso socialista que comeu até ao osso as empresas que produziam e cortou cerce o pescoço à elite letrada, chegando ao extremo de humilhar o "conservador e reaccionário" Borges, demitindo-o do seu posto de funcionário da Biblioteca Nacional e transferindo-o para as nobres funções de inspector dos aviários da edilidade de Buenos Aires.

Foi como o tango. De dança "obscena" e proibida nos anos 20 ao triunfo universal, espalhou-se pelo mundo a moda dos Kirchener, dos Menem, dos Maradona e dos culebrones. É o homem novo, levantado do chão, maravilha fatal da nossa idade que vai espalhando pelo mundo dito democrático - com muitas eleições - o triunfo da mediocridade atrevida. No fundo, este preiamar da democracia totalitária parece só ter poupado a velha, teimosa e imóvel Albion, onde nunca germinou o simpático despeito por aquilo que não se vende nem tem preço: a liberdade. A democracia não é o número: é uma cultura, um método e um antídoto contra a irresponsabilidade. É difícil fazer montanhismo. As montanhas caíram. Hoje, só há pântanos !

02 Junho 2010

Em defesa do bom poder personalizado

Príncipe Vajiralongkorn, futuro Rei da Tailândia



Há que não temer nem as palavras nem o raciocínio: o poder, ou tem um rosto e uma voz, ou é simples associação de criminosos irresponsáveis. O grande drama das democracias contemporâneas - por redundância, do mundo hodierno - é o eclipse da solidão responsável e o triunfo da turbamulta derrancada na tirania das exigências e dos chamados "direitos" inscritos pela mão de quem entende a Cidade como armazém inexaurível de pão e espectáculo gratuitos.



A privação da liberdade política é um flagelo, certo, mas fazendo de advogado do diabo diria que o bom e o mau governo não se aferem apenas pela maior ou menor ilusão de participação e daquelas condições que fazem da democracia o mal menor entre todos os outros regimes políticos. O poder é a capacidade de levar os outros a comportarem-se como nunca o fariam se a tal não fossem constrangidos. Disseminar o poder por muitos implica, a história comprova-o, entregar o bem comum a camarilhas devoristas, pelo que amiúde as chamadas democracias sem cultura de cidadania e sacrifício tresandam a corrupção, amadorismo e demolição das instituições que salvaguardam a unidade de destino.



Há ditadores boníssimos que são, por indução da sua obra, verdadeiros construtores de democracias. O continente africano tem hoje como líder político mais respeitado na arena internacional um ditador: Yoweri Kaguta Museveni. Há autocratas amados que entregaram a vida à sua comunidade e deixam um legado de obra e elevação que envergonharia muitos governantes eleitos. Lembro o nome do Sultão Qaboos bin Said Al Said de Omã. Por seu turno, os mais acabamos exemplos do triunfo das pulsões liberticidas contemporâneas foram eleitos livremente: Hugo Chávez, Robert Mugabe, Evo Morales, Hun Sen, Ahmadinejad e Lukashenko. O Rei-Povo decide, sempre, no estreito limite da sua visão do mundo, pelo que premeia quem com ele se identifica - os Berlusconi, os Zapatero, os Papandreou - e não quem exerce o poder para além da hora que passa.



Ora, uma democracia, para o ser, precisa de um poder não-democrático - isto é, não eleito - que seja agulha polar, que preserve e memória do pacto social, que não se comprometa nem envolva com as camarilhas ávidas e que não se deixa ludibriar pelos caprichos e reivindicações de curta duração da massa. A democracia precisa, desesperadamente, da caução da monarquia.


Guardia Vieja

Preparar 2011

Terminou a visita da Siam Society a Portugal com um jantar na embaixada tailandesa em Lisboa. Presidido pelo embaixador da Tailândia em Portugal, o encontro contou com as presenças do Professor António Vasconcelos de Saldanha, embaixador Carlos Pais, da vice-presidente da Siam Society e uma vintena de membros da delegação e amigos portugueses da Tailândia. A embaixatriz de Portugal, Maria da Piedade de Faria e Maya, foi distinguida com o Elefante em Ouro da mais prestigiada instituição cultural tailandesa por "relevante incentivo dado ao conhecimento das relações entre os dois países".

01 Junho 2010

História desconhecida dos portugueses na Ásia: os fotógrafos portugueses dos reis do Sião

Quando Townsend Harris, enviado dos presidente dos EUA tocou Banguecoque para assinar o tratado de abertura do Sião ao mercado americano (1856), o Rei Mongkut ofereceu-lhes as prendas da praxe: têxtéis, serviço de chá em ouro, espada cerimonial, um gongo, mas também uma foto do soberano na companhia da rainha Debsirindra. O Rex Siamensis, como gostava de assinar, insistia em quebrar o tabú da representação física do corpo do monarca - até aí vedado ao olhar dos mortais - e exibir-se aos seus súbditos e ao mundo como um governante tocado pelas Luzes do conhecimento científico e do progresso tecnológico que tanto o fascinavam na relação de atracção/medo que nutria pelo Ocidente. Não sabemos quem terá feito o daguerreótipo, pois a primeira sessão de fotografia com assinatura que se conhece é de John Thomson, um escocês que veio ao Sião em 1866 expressamente convidado por Mongkut para retratar a família real. A verdade é que os reis do Sião não mais largaram o fascínio pelas câmaras: o filho de Mongkut, Chulalongkorn, foi um amador da câmara escura, como actual monarca, o 9º da dinastia Chakry é um fotógrafo de grande mérito reconhecido internacionalmente.

Essa primeira foto terá sido tirada por Francis Jittr [ou Chit] (1830-1891), um católico siamês luso-descendente, natural da paróquia de Santa Cruz de Thonburi, na margem oposta a Banguecoque. Francis foi um caso de sucesso na adaptação à mudança e pelos relevantes serviços prestados à corte em dois reinados (Rama IV, Rama V), recebeu a distinção do título de nobreza de Khun Sunthornsathitsalak. As suas vistas de Banguecoque, tipos sociais, naturezas mortas, monumentos e retratos da elite siamesa integram hoje qualquer antologia da história da fotografia no Sudeste-Asiático. Abriu um estúdio de fotografia na New Road (ou Charoen Krung) e foi muito procurado por notabilidades e diplomatas em trânsito pela Veneza do Oriente. Era muito requestado, mas dava-se ao luxo de se atrasar, de cancelar sessões e fazer esperar clientes. Um dos nossos embaixadores à corte siamesa esperou quatro dias pelo artista, até que este condescendeu em fazer-lhe uma sessão de estúdio e outra ao ar livre, nos jardins da Missão Portuguesa.

Em 1895, o Ministro da Casa Real recebeu uma missiva em inglês assinada por um tal J. António, que informava estar a preparar a edição do primeiro guia ilustrado de Banguecoque, que estimava um marco na relação do país com os estrangeiros que o visitavam. Pedia o patrocínio do monarca, pelo que enviava algumas provas tipográficas, bem como pedido de acesso ao Rei para uma fotografia que serviria de frontispício. Foram pedidas informações ao Consulado britânico sobre o autor da carta, posto que este havia feito alusão a trabalhos já executados para aquela representação diplomática. António não era, como Francis, um protukét (luso-descendente siamês), mas chegara ao Sião no início da década, eventualmente de Hong Kong ou Singapura, pois o perfeito inglês da sua escrita e a esmerada letra comercial das suas cartas indiciam ter feito o percurso escolar numa possessão da coroa britânica na Ásia. Era, julgamos, um "protegido" inglês, pois a existência de um seu homónimo como "protegido" português carece de informação detalhada. Na investigação agora terminada sobre o J. António "inglês" surge de manifesto que era visita assídua da rpresentação consular britânica e que aí tinha registo. A iniciativa parece ter sido coroada de êxito, pois a obra foi publicada e António surgia em finais de 1896 como "fotógrado de SM o Rei do Sião". Abriu estúdio de fotografia, foi premiado com uma medalha de ouro na Exposition Française et Internationale d'Hanoi (1902) e morreu em finais da década de 1910, já naturalizado siamês, como uma das mais aplaudidas figuras artísticas do país. Guardo suculentos elementos da sua epistolografia para a obra que publicarei no próximo ano sobre as relações entre Portugal e o Sião nos séculos XIX e XX. A surpreendente história dos portugueses na Tailândia está, pois, quase toda por fazer !

Richard Tauber - Dein ist mein ganzes Herz