08 maio 2010

Terrorismo vermelho continua a fustigar Banguecoque

Quando tudo parecia encaminhar-se para a normalização, a liderança vermelha - que já mentira no início da crise, afirmando que retiraria de Banguecoque para de seguida se barricar no coração da baixa comercial da capital durante 45 dias, com danos estimados em 3.000.000 milhões de dólares de prejuízos - proclamou hoje que o roteiro para a paz oferecido pelo primeiro-ministro seria reapreciado. Em suma, as negociações falharam, pois aos vermelhos, que perderam a reputação, só resta a corrida para a frente e forçar uma solução militar para a resolução da crise.

Banguecoque voltou a afivelar a máscara sorumbática. Ontem à noite, bombas e tiros mataram dois policias e levaram ao internamento de outros quinze membros das forças da autoridade. Os atentados foram, obviamente, executados por milicianos vermelhos de uma das facções mais radicais do movimento. O calibre das armas e as granadas utilizadas são as mesmas que há catorze meses foram usadas contra os Amarelos do PAD, então acampados na sede do governo para forçar a demissão do governo vermelho afecto a Thaksin. Posteriormente, atentados contra a sede da estação de televisão amarela (ASTV) foram desferidos com armamento similar, como do mesmo calibre foram os artefactos que alvejaram por todo o mês de Abril quarteis, esquadras da polícia, departamentos governamentais e residências particulares de políticos afectos ao governo.

A população resiste com a bonomia thai. A polícia e o exército oferecem o seu sangue na defesa da ordem constitucional e os cidadãos sentem-se mais seguros com o arame farpado, os sacos de areia, as barreiras de estrada e a multidão de camuflado que resiste ao calor e à chuva, noite e dia, segurando a situação e evitando o descalabro. Incapazes de sairem do redil em que se colocaram, teimosos e quase isolados do país que agora os despreza, os vermelhos procuram o milagre que não chegará. Ao fechar a porta ao diálogo, perde-se a última esperança na "boa liderança vermelha", aquela que poderia sacudir o extremismo violento e abrir o caminho à formação de uma esquerda parlamentar e reformista. Como me dizia alguém, "os vermelhos tiveram a sua graça e a sua oportunidade, mas perderam o rumo. Alguns eram lixo, mas ainda pensei que se poderia separar o lixo das pessoas cordatas . Em vez de se limparem da vergonhosa protecção financeira de Thaksin, desenvolveram uma inesperada radicalização e, como maus actores, foram ultrapassados dentro do movimento pelos verdadeiros comunistas. Hoje, são tão utéis como Thaksin: não servem para nada".
Fotos de Combustões (8 de Maio/2010)

Quando voltará a Grécia a boas mãos ?

Afastado por uma camarilha de coronéis torcionários, que implantaram a república através de referendo que foi uma enorme chapelada, impedido de regressar ao seu país pelas máfias oligárquicas dos Karamanlis e dos Papandreos, o Rei Constantino é hoje o último dos gregos merecedor de confiança. Pede-se o seu regresso; ou seja, o regresso da Grécia à decência. Se for necessária uma revolução popular e democrática, que venha, pois será bem vinda para limpar os estábulos de Áugias que tresandam a décadas intermináveis de plutocracia desmiolada e cleptocrática.

07 maio 2010

O garante do equilíbrio

O resultado inconclusivo das eleições britânicas endossa à rainha Isabel II a decisão final na escolha do líder que deverá iniciar contactos para a formação de um novo governo. Afinal, a monarquia é o eixo e o garante do normal funcionamento do Estado e da rotação, impugnando o errado argumento do carácter "simbólico" da instituição real. Os britânicos não mostraram preferência clara por nenhum dos partidos. Windsor decidirá em função do interesse colectivo, mas sem se imiscuir na intriga. Aqui está, sem tirar, a superioridade da monarquia: não fazer política partidária, não exibir favoritismo, interpretar e sugerir no superior interesse nacional.

06 maio 2010

União Europeia já fede


Creio que muito boa gente ainda não se deu conta que a União Europeia morreu. Ora, a União Europeia não deve ser confundida com a Europa. Europas há muitas, como sempre houve, pelo que confundi-la com essa coisa regulamentadora, unidimensional, seca de cultura e sem história, desdenhosa das Europas de sempre, entregue a ficções autoritárias e a gente que nunca pôs os pés numa biblioteca ou num museu, que não sabe nem quer saber e que exprime o nadir do embotamento e da estupidificação é, para além de atrevimento, um grosseiro insulto às fontes e correntes profundas da nossa civilização. São cabeças de ontem, inamovíveis, incapazes de sair das falácias dos anos 60, do boom, do crescimento económico ascendente e contínuo, do mundo a três velocidades, das causas ditas justas defendidas a partir de uma rodoma de abastança. Isso tudo acabou. Com o afundamento da Islândia, da Grécia e dos estados bálticos, soou o alarme da última chamada para Portugal e para a Grã-Bretanha, nações euro-atlânticas que em nada comungam na ideia de nação-império que ainda entretém as patéticas guerrilhas nos corredores de Estrasburgo e Bruxelas. Só espero que a Europa atlântica saiba sacudir o jugo do centripetismo e da vassalidade e lançar-se de novo nas soluções do futuro. Quem melhor que o Infante luso-inglês para ilustrar essa outra Europa, a nossa Europa, que quase sucumbiu às mãos dos continentalistas já sem Napoleão, Metternich e Bismarck ?

A monomania do TGV

Há coisas que me fazem espécie. Uma delas é a fixação pelo TGV, pois países há que dele não precisam. Que eu saiba, o Vaticano, Andorra e S. Marino nunca se interessaram pela matéria. No caso português, antes pensar numa rede alargada e integrada de metro de superfície que nessa faraónica, inútil e provinciana quimera de um comboio que só servirá - tamanha é a nossa carteira de exportações - para levar portugueses a 300 à hora para a salvação da emigração.

05 maio 2010

Viagem ao Tecto do Mundo


Viagem ao Tecto do Mundo – o Tibete Proibido, nova obra de Joaquim Manuel de Castro, relata-nos a viagem inesquecível que o autor fez ao coração do Tibete, o Ngari. Com início na capital, Lhasa, esta intrépida aventura durou cerca de mês e meio e atravessou, em direcção a oeste, quase dois mil quilómetros dalgumas das paisagens mais inóspitas, magníficas e sagradas do planeta, de onde podemos destacar a cidade perdida de Tsaparang ou o monte Kailash e o lago Manasorovar, locais de peregrinação budista a nível mundial visitados no início do século XVII pelos jesuítas António de Andrade, Francisco de Azevedo, João Cabral, Estêvão Cacela, entre outros, pioneiros europeus nos Himalaias. De mochila às costas, viajante clandestino em algumas das regiões por onde passou e muitas vezes transportado nas caixas de camiões, Joaquim Manuel de Castro conheceu o Tibete mais recôndito e autêntico, o seu povo, a sua cultura, a grandiosidade dos seus palácios, templos e mosteiros, e a sua profunda religiosidade.

Apresentação pública: 9 DE MAIO, domingo, pelas 16:00, no Espaço EDP, na Feira do Livro de Lisboa.

04 maio 2010

Vitória de Abhisit: um blogue de opinião faz-se com máquina fotográfica na mão e sem copy-page de breaking news

Quando há semanas se iniciou o recente capítulo da tentativa vermelha para derrubar o legítimo governo de Abhisit, os líderes da frente plutocrática-comunista exigiam a demissão imediata do governo, a realização de eleições três meses após a saída de Abhisit e a formação de um governo interino composto, presume-se, por figuras gradas da Frente Democrática Contra a Ditadura. Pediam, igualmente, a demissão do general Prem, que preside ao Conselho Privado do Rei. Ora, ao aceitarem hoje integralmente o plano proposto por Abhisit, os líderes vermelhos colocaram-se assumidamente na posição de derrotados. Abhisit não caiu, Prem não foi demitido, as eleições serão dentro de nove meses e a opinião pública, exposta à evidência do verdadeiro carácter de um movimento que se dizia democrático e pacífico, teve tempo para julgar com a máxima severidade os desmandos e pulsões violentas de gente que reivindica a democracia mas não a respeita. Não cabe aqui o rememorar tudo o que aconteceu ao longo das semanas, mas o movimento vermelho, que já no passado ano se excedera em violência e destruição de património colectivo, acabou por se reduzir ao extremismo inconsequente e odioso e viu partir das suas fileiras pessoas mais moderadas. Aliás, o movimento vermelho já não é hoje uma entidade: partiu-se, fraccionou-se em grupúsculos que se despedaçam internamente. Thaksin terá ficado com os nostálgicos do defunto Thai Rak Thai, os comunistas ganharam força e quererão um programa eleitoral afeito às suas convicções e o povo trazido das áreas rurais regressa às suas terras com o incómodo travo de uma canseira sem resultado.

Quem ganhou com a crise ? À cabeça, indiscutivelmente, Abhisit, que resistiu à chantagem da força, se manteve firme mas dialogante e acabou por se impor como a mais importante figura política tailandesa. Depois, a Maioria Silenciosa, que tomando partido pelo Rei e pela democracia, reduziu a pó a arrogante proclamação vermelha de uma inexistente luta do povo contra a "exploração", o "feudalismo" e a "oligarquia". Por último, ganhou a Monarquia, que uma vez mais demonstrou ser o fecho institucional sem o qual o Estado não funciona. Hoje é um dia de vitória, por mais que prestigitadores pretendam minorar da expressão do triunfo de um governo que não decretou a Lei Marcial e procurou, de delonga em delonga na aplicação da força justa, o caminho da reconciliação.
No que a esta humilde tribuna respeita, procurei dar ao público português uma versão menos colorida dos acidentes do processo, fora do correctês acéfalo do "pappagai wissenschaft" que as rádios Moscovo emitiram do primeiro ao último dia e com visitas diárias fotografadas com abundante diversidade de aspectos aos dois lados da barricada. A imprensa portuguesa falhou rotundamente e provou, uma vez mais, que a chamada comunicação social é feita de pouca comunicação e sem preocupação alguma no que ao direito à informação dos portugueses respeita. Depois, há o atrevimento, o eterno complexo de superioridade colonial dos europeus, que viram esta crise nos curtos parâmetros da sua visão do mundo e falharam em absoluto em todas as análises.
Para confirmar o nosso acerto, folheamos páginas passadas. Em 21 de Março, aqui se disse que o movimento vermelho, ao invés de tanto disparate que por aí se dizia, era expressão de uma reacção à mudança democrática tailandesa. Em 6 de Abril - isto é, quatro dias antes das forças armadas serem alvejadas por armas de guerra por milicianos vermelhos - fazíamos o retrato do movimento rebelde, caracterizando-o como anti-democrático, violento e a tudo disposto para derrubar a ordem existente. Houve quem se risse. Em 16 de Abril, Combustões afirmou que os inimigos da democracia e da monarquia não passariam. Nesse dia, a BBC afirmava com dramatismo que o regime se debatia nas vascas da agonia. Em 20 de Abril afirmámos que as eleições não eram temidas por Abhisit. Em 21 de Abril dissemos que o governo não caira nem cairia. Não nos alongamos nesta série interminável de provas, mas gostaria de lembrar que outros blogues, avisados e conhecedores deste país, prestaram igualmente relevante serviço de esclarecimento e reflexão: o Estado Sentido e o Corta-Fitas.

Rotação precisa-se

O problema português não é de natureza económica, política ou educacional. É um problema de formação do carácter, pelo que todas as reformas serão baldadas se não se operar uma profunda rotação nos modos. Confesso que o que mais me chocou ao chegar a Portugal naquele distante 1974, confrontado com os meus colegas de escola, foi essa cultura do despeito e do palavrão, da maledicência, da incomunicabilidade, da inibição do afecto e da ausência do elogio; em suma, o analfabetismo na expressão de sentimentos positivos, o verde do riso escarninho, o deliciar-se pelas maleitas alheias e a aspereza com que se tratam as pessoas. A tudo isto alia-se uma imobilidade mortal, um conservantismo agressivo, um medo profundo por tudo o que possa expor as pessoas à liberdade. Incapazes de discutir ideias, os portugueses refugiam-se num consenso de imobilidade, frases feitas e lugares-comuns, abstrações vazias e sem aplicação, tiques de importância e tiques de vitimização. Num país onde todos são importantes, todos reclamam e ninguém dá o exemplo, despreza-se a criatividade, o oferecimento desinteressado é interpretado como trepadorismo, a iniciativa individual um pecado social, a expressão de convicções uma ofensa. É por isso que os portugueses não querem pensar, falam mas não dizem, agregam-se em cachos para se neutralizarem.

As relações entre portugueses são medianamente corteses, conquanto não ultrapassem o bom dia e o boa tarde, o estado do tempo, a conversa sobre as férias ou a última ida ao cinema. Tudo o mais é proibitivo. Como não sabem discutir, ofendem-se com posições contrárias e preferem o corte de relações ao perigo de dar seguimento a desinteligências construtivas.

Dizia-me há dias um deputado tailandês que conheci num jantar em casa de amigos, que já foi a Portugal por duas vezes e saiu sempre com a sensação de vazio. Isto é grave. Revela insegurança, incapacidade de realizar, infunde desconfiança e desconforto nos interlocutores e cobre-nos com o labéu de incapazes.

03 maio 2010

A alimentadora da Europa


O Nuno lembra o Alte Kameraden. Pois, aqui fica a retribuição neste postal que comprei numa loja de antiguidades de Banguecoque, lembrando os tempos do socialismo catedrático do velho Kaiser, antes da fulanagem de Weimar e do triunfo do psicopata que arrastou o coração da Europa para a catástrofe seguida de americanização e de sovietização. Ah, a Alemanha era e será sempre a locomotiva alimentadora. Que o digam a Grécia, a Espanha Portugal.


Alte Kameraden

Não falem no acaso

O Nepal está novamente a ferro e fogo, com os camisas vermelhas de lá reivindicando o "poder popular". Há dois anos, por acção conjugada das centrais da diplomacia de intoxicação e dos rebeldes maoístas, a "democracia" foi imposta com a condição do fim imediato da monarquia. O Rei saiu para evitar uma guerra civil e tudo parecia correr de acordo com o plano de reconciliação. Mas esta gente actua sem desfalecimentos. Pára, acumula forças e avança em novas exigências. Nada neste mundo é produto do acaso. A Tailândia foi o segundo alvo, mas resistiu. Estou certo que há uma relação directa entre os dois processos. Esperemos para ver.

O sonho de um Rei: ความฝันอันสูงสุด

O sonho inalcançável (ความฝันอันสูงสุด)

Sonhar,
o impossível sonho.
Combater,
o inimigo invencível.
Carregar,
a tristeza mais pesada.
Ir até onde o mais ousado não se atreve ir.
Corrigir,
o erro incorrigível.
Amar, pura e castamente, de longe.
Tentar,
quando os nossos braços não obedecem.
Alcançar,
a estrela inalcançável.
Este é o meu caminho:
seguir tal estrela.
Não interessa quão sem esperança,
não interessa quão distante.
Lutar pelo que é verdadeiro,
sem duvidar nem desfalecer.
Ter vontade de ir até ao Céu,
por uma causa celestial.
E só saberei se é verdadeira,
esta gloriosa busca.
Quando o meu coração
descansar em paz e na calma,
e eu me preparar para o sono.
E o mundo será melhor,
quando um homem marcado e coberto de cicatrizes,
se continuar a bater com coragem
para alcançar a inalcançável estrela.

Tradução, adaptação e arranjo musical de SM o Rei da Tailândia

Sua Majestade canta



O antigo Rei Norodom Sihanouk é um mistério insondável. Do político irrequieto e errático deu conta a história contemporânea do povo khmér. Norodom possuiu outras graças. Foi realizador de cinema, contista e artista, mas reconhecem-lhe uma vocação escondida. Queria ter sido músico, mas a um deus vivo esse desejo foi negado. Ainda hoje, com quase 90 anos, entretém os convidados com as suas composições. A velha Ásia é sempre uma caixa de surpresas.

02 maio 2010

Usura = globalização


Os desastres grego e islandês ficaram a dever-se à entrada em cena de uma certa multinacional criminosa que se especializou no ataque a economias vulneráveis. O mesmo fenómeno ocorreu aqui na Tailândia em 1996. Invocam-se mil e uma razões - todas justíssimas - para culpabilizar a má gestão financeira dos Estados que acabam por sucumbir por acumulação de erros das políticas económicas e financeiras, mas o agente precipitador tem um nome, conhecem-se-lhe as ramificações e sabe-se quem a coordena. É desta plutocracia a que amiúde aludo. Se não lhe quisermos dar outro nome, a globalização recobre perfeitamente a entidade, a sua natureza e práticas. É uma escola velha. Se o Banco de Portugal detectar nos próximos dias uma anormal corrida bolsista, tal anuncia que tal gente começou a abrir a sepultura onde os portugueses se irão deitar.