20 março 2010

Bombas em Banguecoque

Há cerca de três horas foram detonados dois engenhos explosivos, o primeiro na sede da Comissão Nacional Anti-Corrupção, a instituição que tem desenvolvido infatigável trabalho de investigação sobre os crimes cometidos por Thaksin durante os anos em que foi chefe do governo e o segundo no Ministério do Interior. As agências tailandesas informam, entretanto, que o governo estuda a possibilidade de declarar o estado de sítio e a entrada em vigor de leis de excepção.

Última hora

Dando o dito por não dito e quebrando a promessa feita à população da capital, a liderança vermelha está a chamar de regresso a Banguecoque parte dos efectivos que sábado aplicou na caravana de retirada. É uma estratégia errática, ainda por esclarecer, que acompanharemos no decurso das próximas horas.
Uma intuição que tem vindo a crescer dentro de mim é, no mínimo, sinistra. E se tudo o que está a acontecer na Tailândia for mais, bastante mais, que uma luta caseira entre Thaksin, os seus aliados comunistas e os seus mandaretes contra o governo monárquico de Abhisit, mas um surdo enfrentamento velado entre os EUA e a China ?
Em plena crise que se vive, na passada quarta-feira o embaixador norte-americano foi recebido por Abhisit e fez questão que todos os orgãos de comunicação social estivessem presentes. Estará a China a retaliar pela recente visita do Dalai Lama aos EUA, bem como pelo aprofundamento das relações com Taiwan e com a mudança de estratégia americana em favor da Índia ? Estará a China a apoiar financeiramente os Vermelhos ?
O que anda a Europa a fazer ? Porque se mantém tão calada ? Será que está a fazer trabalho para Pequim ?

Combustões na retirada vermelha de Banguecoque

Está o leitor a imaginar a retirada alemã da Rússia ? Aqui, os "alemães", que comeram o pó da mais humilhante derrota, cobertos de ridículo, repelidos pela população citadina, sem terem atingido um só dos objectivos que o seu Führer estabelecera, minados pela divisão interna, passearam-se em longa caravana blasonando vitória. O circo ambulante vermelho, que contaria com umas 10.000 motocicletas e umas três mil viaturas carregando no dorso as 30.000 ou 40.000 pessoas trazidas, vestidas, alimentadas e pagas pelos cofres de Thaksin demorou-se por sete horas percorrendo as grandes avenidas da capital, antes de desaparecer num turbilhão de decibéis e fumo em direcção às mais remotas províncias do nordeste.


Por todo o lado, a reacção do povo - sim, do povo trabalhador, das pessoas que se levantam às cinco da manhã e trabalham doze horas, não essa mirífica "aristocracia parasitária" de que falava a "rádio Moscovo" - foi de impassividade perante o corso. Rostos reservados, olhar desaprovador, posição hirta e sem um vestígio do sorriso thai. Não sei o que terão sentido os foliões, mas estou certo que se viram entre uma parede de desprezo e outra de ridículo.

Suspeito que sou pela simpatia e pelo amor que sinto por este povo, achei estes Vermelhos encantadores e quase infantis, excedendo-se em sorrisos, apertos de mão, vénias e olhando olhos nos olhos o farangue que entre eles se passeava para os fotografar. É o grande povo siamês, sem agressividade, afável e com uma quase ingénita capacidade para conquistar o coração mais empedernido. Dos elementos perigosos, os homens dos varapaus, das catanas, óculos escuros e fardamento negro, só vi a segurança dos líderes que gritavam no topo de um camião as estafadas palavras de ordem "Abhisit ók pay" (Abhsit vai-te embora) ou "Chanat, Chanat, Chanat" (Vitória, Vitória, Vitória). Mas ali não se estava a celebrar vitória alguma. Estava-se a participar num funeral festivo.


Ao longo dos passeaios, guardando distância, as pessoas iam fazendo comentários. O Máy, um amigo meu, só fazia cálculos: "olha, este camião vem como 10 pessoas. Dez pessoas vezes 2000 Bath, cinco dias, faz 100.000 Bath". "Olha esta moto-táxi, custa 500 Bath por dia para a gasolina, mais 2000 para o motociclista. Cinco dias de trabalho; logo, ganhou 10.000 Bath". Uma empregada do restaurante japonês disse-me a gargalhar: "a estes saiu um mês de trabalho só por andarem aos gritos".

O Máy, meu contabilista de serviço para a ocasião, "amarelo até aos ossos" como gosta de dizer, proporcionou-me uma hora de gargalhada. A costela familiar chinesa trabalhou infatigavelmente e sem o báculo na avaliação dos custos da retirada vermelha de Banguecoque.

A polícia militar estava em todo o lado, mas sem o habitual facies carregado que por aqui afivelam os membros das forças de segurança do Estado. Riam-se de gozo profundo e alguns sentavam-se displicentemente nos passeios bebendo garrafas de água fria, outros fumavam e faziam simpáticas apreciações à passagem da coluna: "este autocarro vem de Buriram (cidade do extremo leste da Tailândia) e só lá chegará amanhã se entretanto não avariar pelo caminho".

Só, no meio da avenida, um estrangeiro vestindo uma camisa vermelha excedia-se em V's de vitória, apertos de mão e gritos de entusiasmo. Os espectadores thais olharam-no com quase comiseração e com aquele semi-sorriso com que presenteiam os farangues que se intrometem nos seus assuntos caseiros. Este devia ser o branco de serviço. Aposto que vive uma dourada reforma ou é quadro de uma das mil multinacionais que aqui estão para drenar o suor e o sangue dos trabalhadores deste país que os acolheu e suporta todos os caprichos neo-coloniais.

Ouvi um persistente "Khun Mikél", "Khun Mikél" e voltei-me para ver quem me chamava. Era o Dam, tenente da polícia de choque do Exército Real, meu vizinho. Afinal, Banguecoque, com os seus treze ou catorze milhões de habitantes é uma aldeia. Tirou o capacete e insistiu que tirássemos uma foto, eu a brincar aos polícias, ele fumando um cigarro. Assim terminou este episódio de pé de página de uma revolução que não chegou a ser, nas derradeiras linhas de um capítulo que a história cunhará como o fim político de Thaksin, o homem que quis ser ditador da Tailândia.

Calculo os relatórios que algumas embaixadas estarão hoje a cozinhar para explicar o fim desta comédia.

19 março 2010

Alívio: derrota da frente plutocrática-comunista


Hoje havia sorrisos e a satisfação dos tailandeses era contagiante. Ruas cheias, restaurantes com grandes filas aguardando lugar, multidões esperando pacientemente na fila do cinema, mercados em azáfama festiva. Em frente de minha casa, deitados no chão, centenas de jovens e menos jovens davam largas à exultação pelo fim do pesadelo dos últimos dias. A palavra de ordem: o comunismo não passou, a violência não aconteceu, o totalitarismo foi travado na capital do reino.

Os tailandeses viram chegar aquela sinistra caravana brandindo ameaças, trazendo miasmas de intolerância agressiva, juras de morte ao governo, ataques velados ao Rei e à democracia; o ressuscitar dos anos 70, quando o Partido Comunista da Tailândia, apoiado pela China quis aqui fixar mais um regime concentracionário, no rescaldo da derrota do Vietname do Sul, do triunfo de Pol Pot no Camboja e do Pathet Lao no Laos. Aqui aguentou-se a maré vermelha e a Tailândia venceu. Aqui não houve campos de morte, limpeza étnica, colectivização, boat people, comissários vermelhos, planos quinquenais, destruição do Budismo, matança da família real, dos quadros, da burguesia e de tudo o que a Utopia reclamava para instalar a servidão, o fim da cidadania e da lei.

Os tailandeses podem ser desatentos, abominarem os jogos da política, a venalidade e a má reputação dos políticos e daqueles que nela se profissionalizaram, mas não são ingénuos e sabem onde está o inimigo, mesmo quando este se apresenta com as blandícias e atavios das mais sedutoras roupagens. Hoje pediram paz e reconciliação, mas a paz da vitória e a magnanimidade com que ontem o primeiro-ministro acenou à turbamulta vermelha que queria provocar um golpe militar, mas só conseguiu o odioso de quebrar os mais elementares princípios da urbanidade. Os vermelhos perderam duplamente: não houve golpe militar, nem cargas policiais, nem gás lacrimogéneo, nem prisões. Chegaram , provocaram, conspurcaram as ruas de sangue, vandalizaram a casa do primeiro-ministro, mas não houve reacção. Depois, incapazes e desnorteados, sem ponto de aplicação da violência que traziam, começaram o festim de antropofagia interna: dividiram-se, insultaram-se uns aos outros, desautorizaram Thaksin e chamaram traidores, divisionistas e demais impropérios que fizeram do comunismo uma seita de contornos religiosos, de uma sub-religião que prometia o paraíso para cá da morte e por todo o lado promoveu as mais terríveis chacinas.


Percorri demoradamente as centenas de desenhos que ali iam fazendo e li com atenção as palavras ศานติสุข (Paz), อิสรภาพ (Liberdade), ชาติภูมิ (Pátria), Fim ao Bombismo, Limpemos a Casa, Amemos a Tailândia, Viva o Rei, Salvar a Tâilândia. É um clamor que percorre o país, após dois anos de manifestações, ameaças de guerra civil e descalabro. Os vermelhos, na tradição local, receberam do governo um aceno de compreensão. Aqui, perder a face é mais ultrajante e irreparável forma de aviltamento, pelo que os líderes mais moderados do Movimento Vermelho, que haviam repelido o acicatamento à violência feito por Thaksin, pediram aos habitantes de Banguecoque que os deixassem partir em paz. Um dos líderes vermelhos disse que amanhã, sábado, uma manifestação, a derradeira, percorrerá as ruas da capital para agradecer e "pedir desculpas" aos bancoquianos por todos os incómodos causados.

É o fim do Movimento Vermelho. Agora, destruída a unidade, separar-se-ão e só espero, como aqui sempre o disse, que aqueles que querem realmente trabalhar numa agenda que permita beneficiar os pobres se entreguem à vida parlamentar, respeitem os valores e práticas da democracia e não acalentem quaisquer formas de vingança. A plutocracia não viu atingidos os objectivos: abolição do Conselho Privado, demissão do primeiro-ministro, indulto a Thaksin e convocação de eleições antecipadas.

Foi uma derrota sem derramamento de sangue, com entradas de leão e saída de sendeiro, o pior a que um movimento revolucionário pode aspirar. Vão sair derrotados, divididos, sem apoio moral nem qualquer desculpa pelos actos a que deram largas. Sobretudo, vão sair derrotados em paz, sem um tiro, cobertos de vergonha. Hoje, compreendi a força tremenda de paz que o budismo carrega. Hoje, o comunismo sofreu uma derrota inapelável e os títeres da plutocracia vão inventar as mais desbocadas desculpas antes de voltarem a recobrar ânimo.

Combustões acertou em 100%: o espaço para o narcisismo

Em Dezembro de 2008 visitei um comício vermelho no Estádio Nacional de Banguecoque. Tudo o que então escrevi foi liminarmente considerado como fantasia por alguns entendidos em política tailandesa. Lembro que na altura, inebriados por Thaksin, nem queriam ouvir falar em ideologia na Tailândia; não, que tudo não passava de uma luta entre pessoas, grupos de interesses e pouco mais, pois que os tailandeses "não estavam preparados para a vida partidária como nós, no Ocidente". Releio o texto de 2008 e uma pontinha de orgulho obriga-me fazer esta confissão. Afinal, acertei em quatro previsões capitais:

- O PAD iria transformar-se em partido político. Acertei. O PAD (Amarelos) já se constituiu em Partido das Novas Políticas;
- O Movimento Vermelho iria autonomizar-se de Thaksin;
- O Movimento Vermelho tenderia a reconstruir o Partido Comunista da Tailândia, desaparecido nos anos 70.
- O elemento étnico chinês, com ou sem Thaksin, seria um elo de ligação dos comunistas tailandeses à China.

Eu nada sei, nem tão pouco me interessa, a política tailandesa contemporânea, mas o hábito de lidar com as estruturas e linhas permanentes de força da cultura política siamesa faculta-me uma visão de conjunto e a percepção da continuidade dos fenómenos políticos neste país. Hoje sinto que estes dois anos e meio de estadia na Tailândia me facultaram um entendimento desapaixonado de tudo o que aqui acontece. Não é todos os dias que um português se liberta da cartilha dos "fazedores de opinião" eurocêntricos e da conversa redonda. Infelizmente, ninguém em Portugal ou nas Europas quer saber disto.
As pessoas têm de se habituar a trabalhar com conceitos, usando-os com propriedade matalinguística e não como pedras de arremesso. Quando aqui usei os termos fascismo, plutocracia, lumpen, comunismo e aristocracia fi-lo com rigor, sem os carregar com demonização, desprezo, medo ou admiração. A paixão não deve interferir com o processo do pensamento. É tudo.

18 março 2010

Os rostos da ameaça totalitária que pesa sobre a Tailândia

No pronto-a-vestir do opiniarismo que se vai produzindo sobre a situação na Tailândia, a luta em curso trava-se entre a "elite aristocrática, burocrática e reaccionária" (v. contestação aqui) e a Frente Unida pela Democracia Contra a Ditadura, vulgo Camisas Vermelhas, tomada como movimento democrático e emancipador das "classes laboriosas". Ora, tal movimento, que clama pela democracia, é produto da convergência de grupos e personalidades com longo historial anti-democrático ou colaboradores muito próximos da governação de Thaksin, que cometeu, para além de uma selvagem política de roubo organizado, o mais completo catálogo de tremendos crimes de sangue e violações dos direitos humanos. Durante os governos de Thaksin, foram mortos sem julgamento cerca de 4000 supostos toxidependentes, retirados das suas casas e abatidos em plena via pública. Durante os governos de Thaksin, com conhecimento do ex-PM, foi desencadeada uma verdadeira política de extermínio contra os muçulmanos no sul do país, a qual terá causado milhares de mortos. Durante os governos de Thaksin, pela primeira vez na história deste país desde a ditadura fascista de Phibun Songkram, o governo iniciou "campanhas de moralização", pretendendo extirpar bacilos de "imoralidade" numa sociedade proverbialmente tolerante e acolhedora. Este conjunto de práticas e atitudes, que contrariam o ethos tailandês, indiciavam uma escalada ditatorial que, a não ser travada pelo golpe militar de 2006, teria levado inexoravelmente a Tailândia para um regime de feições análogas aos que vigoram na Birmânia, no Laos ou no Vietname. Thaksin, que é chinês, mantém laços de grande intimidade com as autoridades de Pequim e alimenta uma concepção de poder solitário muito próximo da tradição política chinesa do Herói Histórico, um líder sem contestação, omnipotente e providencial.

Olhando para a galeria dos destacados mentores e animadores do movimento vermelho, sobressai Jatuporn Promphan, que foi secretário de Estado de Thaksin e esteve envolvido na brutal repressão dos camponeses da região de Nakhon Si Thammarat, que clamavam pela posse das terras e queriam impedir a destruição ambiental ante o projecto de Jatuporn de aplicação da devastadora receita javanesa da monocultura de palmeiras produtoras de óleo de palma. Jatuporn, muito ligado à especulação fundiária, terá acumulado grande fortuna com tais operações. É, tipicamente, um apparatchik e homem de mão dos grupos plutocráticos e escapou à prisão em 2009, no decurso da tentativa de tomada violenta do poder por invocação da imunidade parlamentar que detém. É um excelente orador, mas não se consegue adaptar à vida parlamentar, pois não consegue discutir e aceitar contestação. Hoje, é tido como um "moderado" no seio do movimento extremista.


Veera Musikapong, que em 1980 foi inculpado pelo crime de lesa-majestade, é um claro militante anti-monárquico. Liderou em 2009 o ataque às instalações onde decorria a cimeira da ASEAN e foi, então, destacado acicatador dos distúrbios que levaram à invasão e vandalização desse recinto. Hoje, mantém-se na liderança dos Camisa Vermelhas e é, juntamente com Jatuporn, um elemento tido por "moderado". É homem assomadiço e tem os adamanes característicos dos caciques rurais de Thaksin: panama branco, óculos escuros e faixa de pano multicolor à cintura.


Depois, há a ala radical, defensora da luta de classes, do derrube violento da Monarquia e do sistema parlamentar, da recusa de qualquer negociação e compromisso. Este sector, com grande apoio entre as bases vermelhas é a face menos hipócrita e a que reproduz com maior clareza os objectivos do movimento, pois que os "políticos" (supra) tentam fazer crer que a Frente Unida não mais pretende que ampliar e renovar a democracia tailandesa. A figura de destaque deste sector ultra é, sem dúvida, Khattiya Sawasdipol, major-general com larga experiência em acções de espionagem e sabotagem no decurso da guerra do Vietname, tendo recebido formação da CIA e hoje o animador das milícias armadas que Thaksin possui prontas para intervir. Homem perigoso, implicado em múltiplos actos de terrorismo urbano no decurso do levantamento Amarelo no passado ano: ataques à granada, bombas e disparos contra os inimigos de Thaksin. Hoje, apareceu nas pantalhas trajando camuflado e apoiado no cajado à Pol Pot, pelo que foi muito aplaudido pelos vermelhos concentrados em frente da Sala do Trono. É um homem exaltado, dominado por fúrias, sorriso fixo e falar desbragado.

Finalmente, Surachai Danwattananusorn, ex-guerrilheiro perdoado pelo Rei, acusado pelo crime de lesa-majestade em 2009. Inseparável do pijama maoísta e da boina estrelada, é o clássico comunista do período aúreo das guerras do Sudeste-Asiático nos anos 60 e 70. Ali não há dissimulação, requebros ideológicos, fraseologia importada dos manuais do politicamente correcto que agrada aos compagnos de route ocidentais que querem a todo o transe fazer passar a ideia que Thaksin é um democrata perseguido por um regime opressor. Repelido pelos "políticos", é, sem dúvida, uma fortaleza de coerência e pugna pela instação do Terror Vermelho.

Depois, há sempre uns idiotas ocidentais, em férias ou residindo na Tailândia no hotel de cinco estrelas ou nas mansões de Sathorn, que se deliciam nos locais de diversão nocturna e pelas praias paradisíacas e se atrevem pensar que a Tailândia no dia seguinte à tomada do poder pelos vermelhos os manteria por cá. Esta "revolução" plutocrática, com tiques comunistas, traria a ditadura, a completa destruição dos vínculos ao Ocidente, campanhas sistemáticas de "descontaminação" e o fim das liberdades a que os estrangeiros se dão. O "sanuk" (diversão) acabaria e, com Thaksin no poder, apoiado pela China, até as empresas ocidentais teriam de pagar o imposto revolucionário, tivessem ou não feito intriga, espalhado boatos, denegrido a imagem da Monarquia.

17 março 2010

A inteligência que se deve respirar

Finalmente, as pessoas de bom senso acordaram e começam a protestar contra a salsaparrilha das excitações revolucionárias pró-vermelhas que invadiram a imprensa portuguesa nos últimos dias. Com a assinatura de Pedro Quartin Graça, uma das inteligências mais serenas e cuidadas da minha geração, um texto que deve ser obrigatoriamente lido AQUI.

Rádio Moscovo continua a delirar: um recado para o MNE


O movimento dos "camisas vermelhas" reflecte profundas divisões na sociedade tailandesa, entre a população rural e as elites urbanas, mostrando igualmente uma queda de popularidade da monarquia. A verdadeira crise poderá ocorrer na sucessão de Bhumibol, que tem 82 anos e ocupa o trono há 63 anos.

Assim caracteriza o preclaro o DN uma situação que, confesso, com dez anos de leituras sobre a Tailândia e trabalho diário de investigação conducente a tese de doutoramento sobre este país, ainda não consegui compreender em toda a sua complexidade e riqueza de aspectos. Confesso que esta ignorância - sempre arrogante - me infunde profundo pesar, mas não serei ingénuo ao extremo de registar o intuito da notícia: fazer crer que a relação de fidelidade e amor entre os tailandeses e a Monarquia se abeira do fim. Sei que por detrás desta campanha há o grande capital internacional, as promessas que Thaksin anda a fazer a futuros investidores europeus e, também, o papel da China na presente agitação. A UE, perdido o El Dorado indiano para os EUA, quer fazer concessões: entregar a Tailândia aos chineses, como o fez com o Nepal, para daí receber vantagens no Império do Meio. O DN está a transmitir recados e a espalhar inverdades, coisa surpreendente quando não tem jornalistas no terreno, não pede a colaboração de especialistas e se limita ao copy-page da mais desvairada boataria fabricada nas agências que realizam a campanha promocional de Thaksin.


Se me é permitida uma singela sugestão ao nosso MNE, aqui fica: não fazer tandem com a Europa, marcar a diferença, apoiar o governo legítimo da Tailândia, recusar qualquer intromissão nos assuntos internos tailandeses. Quando se abeiram os 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia, uma posição clara e forte de Portugal iria abrir portas para futuras parcerias. O governo está forte, as Forças Armadas vigilantes, a sociedade unida em torno da Monarquia e da Democracia que Thaksin quer destruir. Um vizinho meu, coronel e segundo-comandante de um dos regimentos de infantaria motorizada da capital, disse-me ontem que não vai haver golpe de Estado e que as Forças Armadas apoiam o governo de Abhisit, mas se os vermelhos desencadearem actos de guerra a repressão vai ser tremenda. Talvez seja esse o objectivo do plano vermelho e de alguma diplomacia sem escrúpulos sediada em Banguecoque.

16 março 2010

O vermelhismo: força regressiva e totalitária

Camisas Vermelhas (2009)

Eu sabia com exactidão ao que me referia quando, há dias, aludi ao lumpen vermelho que acabara de invadir Banguecoque. Hoje, com esta impenitente falta de jeito para dourar mitos, senti-me reconfortado com as provas recolhidas perante um dos mais degradantes espectáculos de destruição intencional da imagem da Tailândia enquanto país civilizado, difundido urbi et orbi.


A cerimónia do sangue - um atentado contra a higiene pública, um ultraje à religião budista e à sacralidade da vida, um instantâneo de selvajaria - que deu por terminada a "revolução" que o não foi, é, também, um sério aviso a todos quantos, com ingenuidade de escuteiro ou dominados por impulsos e ódios secretos contra a Tailândia moderna, urbana, educada, "aristocrática", monárquica e aliada do Ocidente, tudo têm feito para fazer crer que os Vermelhos representam alternativa de governo ao regime hoje prevalecente. Videntes, feiticeiros e "homens santos", mais farrapos do derrotado comunismo dos anos 60 e 70, enquadrados pela cacicagem rural e generosamente supeditados pelos dinheiros de Thaksin ofereceram, afinal, o retrato acabado deste movimento.


Só quem desconhecer a história dos movimentos milenaristas budistas, factor recorrente da reacção ao mundo moderno, as seitas e crenças que os alimentaram, os phumi 's (homens com poderes mágicos) que lhes deram rosto, poderá cometer o atrevimento de converter essa visão do mundo naquilo a que habitualmente recobrimos com a designação de "esquerda". Eu diria, aliás, que este movimento é o inverso de tudo quanto os seus apoiantes ocidentais julgam ser: é uma força saída do bâan (aldeia), uma revivescência do Sakdina (o feudalismo siamês, com a suas estruturas de condicionamento e subordinação a nây [senhores, i.e. caciques] locais, redes de favorecimento) e o medo perante o mundo exterior. Há aqui, é forçoso fazer a analogia, dado serem fenómenos que germinaram em sociedades marcadas pelo mesmo Weltanschauung (o Camboja e a Tailândia), uma indiscutível associação entre os khméres vermelhos dos finais da década de 60 e os Vermelhos: a selva que pretende ver na cidade o antro de dissolução, a divisão da sociedade entre "puros camponeses" e "parasitas citadinos", a ideia que o trabalho braçal é o único trabalho, a incompreensão face ao Estado distante, a esperança na vinda de um homem poderoso, vingador e justiceiro que permitirá o renascimento da pureza primeva, entretando ofendida pelo processo de integração no mundo contemporâneo.


Ao contrário dos Amarelos, que são tradicionalistas nostálgicos de um Sião forte, autónomo, não colonizado pelas ideias ocidentais - mas um Sião com cultura de Estado - estes Vermelhos são, na generalidade, camponeses sem a informação mínima sobre o mundo moderno. Por outro lado, os vermelhos que vivem nas cidades são-no desde há dez ou vinte anos. Continuam camponeses, com a agravante de terem deixado de ser proletariado rural para se transformarem em trabalhadores não qualificados, sem ofício certo, expostos às mais delicadas flutuações do mercado de trabalho, vulneráveis à demagogia e, logo, massa por excelência de agitadores sem escrúpulos. Esse é, com propriedade semântica [marxista], o lumpen.


Depois do ciclo do sangue, a Thaksin só poderá ocorrer o ciclo das fezes e da urina, as coisas mais imundas e jamais tocadas na conversação entre thais, a que se seguirá um ciclo de manias. Repito - importa que a repetição tenha efeito ditáctico - que se essa Tailândia vermelha conseguisse atingir o poder, todo o charme, elegância, boas maneiras e demais coisas que fazem deste país um caso à parte, desapareceria. A selva invadiria a cidade, as instituições culturais mais relevantes - produto da cultura cortesã, "aristocrática" e "feudal", usando os chavões dos inimigos da Monarquia - entrariam em colapso. Uma sociedade terraplanada, vulgarizada, tendo no topo um ditador com a sua visão chinesa do Homem da Providência, apoiado pelo círculo de homens de negócios chineses, porta aberta para o comércio exterior, e na base, indiferenciados, uma massa proletária rural ou o lumpen citadino com uma cultura de ódio contra a classe média que é a espinha da Tailândia moderna. A análise dos problemas políticos não se faz nos jornais, faz-se na leitura cuidada e interpretação das correntes profundas de uma sociedade. Quem o não fizer, jamais compreenderá o que quer que seja.

Espalhar mentiras sobre o "partido aristocrático"


Notas para esclarecimento dos jornalistas portugueses

Recebi há momentos um telefonema de um jornal de Lisboa, pedindo que explicasse o que é o partido aristocrático" na Tailândia. À jornalista tentei facultar curta informação, que seguidamente transcrevo de memória, esperando ter resolvido e elucidado o simpático pedido.

Não existe na Tailândia o tão citado "partido aristocrático". Os títulos nobiliárquicos foram abolidos em 1932, com o advento do constitucionalismo, pelo que a nobreza, enquanto grupo social, desapareceu há quase oitenta anos. Os Khunnang thais (nobres) nunca foram hereditários, pelo que eram os cargos que ocupavam (krom) que lhes conferiam um lugar distinto na sociedade, perdendo direitos e regalias inerentes aos mesmos ao cessarem funções. Houve, é certo, sobretudo a partir de Rama II e Rama III, a restauração parcial da velha nobreza do período Ayutthaya, mas o seu protagonismo dependeu sempre das necessidades funcionais do Estado e da maior ou menor habilidade das famílias influentes em casarem entre si e lutarem pelo favor do Rei, sem o qual perderiam estatuto e regressavam à condição de comuns.

Importante, igualmente, será de destacar que a mobilidade social no antigo Sião - que não era uma sociedade de castas nem de ordens, mas um regime social decalcado da hierarquia militar - permitiu sempre a ascensão pelo mérito; ou seja, à nobreza podia aspirar qualquer indivíduo com gabarito. Lembro que a Somdet Chao Phraya (arquiduque) chegarem dois descendentes de persas (Bunnag), que a Chao Phraya (duque) chegaram homens saídos das fileiras apeadas do exército, que a Phraya (marquês) chegaram membros da minoria luso-thai e que cargos (krom) inferiores da hierarquia dirigente (Luang = visconde; Khun = barão) chegaram filhos de camponeses e da peonagem.

É confortável, dá jeito e colorido atribuir aos "sectores aristocráticos" o odioso de se furtarem à igualdade e universalidade da lei, de constituírem um travão à democracia e uma força de poder não eleita. O que se esconde neste rótulo inconsistente é o propósito de atacar a Monarquia. Explico. Os únicos títulos nobiliárquicos hoje existentes na Tailândia são exclusivo da família real e da sua parentela alargada que perfaz cerca de 5000 pessoas e inclui o casal real, descendência directa (filhos e netos do Rei), parentes do Rei e da Rainha (irmãos, tios, primos, sobrinhos), descendentes directos até à quinta geração de reis siameses e ainda os respectivo(a)s consortes. Comparando com o período Ayutthaya, este número é estacionário e a sua influência política e económica muito matizada, havendo príncipes (Chao) que vivem em condições de grande modéstia e desempenham actividades profissionais como quaisquer outros cidadãos: há-os artistas plásticos e músicos, jornalistas, professores, comerciantes e até simples funcionários públicos.

O grande objectivo da presente campanha contra a Monarquia é a abolição do Conselho Privado do Rei, considerado uma força anti-democrática e ultra-conservadora, defensora de privilégios e supostamente vivendo parasitariamente. São quatro rematadas insanidades, pois o Conselho Privado do Rei não é apanágio da tal "aristocracia" inexistente, mas um orgão do Estado nomeado pelo Chefe de Estado para o desempenho de funções em tudo análogas ao nosso Conselho de Estado. No presente, o Conselho Privado só integra um príncipe (Mom Rajawongse Thepkamon Devakula), posto que os restantes dezassete membros são oficiais generais das Forças Armadas - todos reformados - antigos ministros, antigos diplomatas e alguns juristas. O orgão é absolutamente apartidário, dele não podendo fazer parte deputados, senadores, juízes e funcionários do Estado no desempenho de funções. O Conselho é o guardião da Monarquia e possui faculdades que permitem ao regime subsistir em momentos de crise - falecimento do monarca, escolha da sucessão ou indicação de regência - bem como apoiar o Rei nas mil e uma actividades e projectos que as suas fundações animam. Importa referir que o Conselho Privado não é inimputável: qualquer documento - até e a nomeação dos seus membros - carece da certificação/autorização do Presidente do Parlamento.

Para quem quer transformar a Monarquia num adereço sem préstimo e atribuições, a existência do Conselho Privado é um travão. Espanta-me que a ignorância ou a má-fé insistam no tema, pois a mesma realidade existe no Reino Unido - que até possui um corpo representativo hereditário e não eleito, a Câmara dos Lordes - sem que ninguém faça campanhas mundiais pela sua abolição. No que à Tailândia concerne, classifico os opinadores estrangeiros em três grupos distintos:
- Aqueles que, nada sabendo, são facilmente ludibriados pela intoxicação e pela propaganda contra a Monarquia, deixando-se envolver emocionalmente quando confrontados com mitos políticos ocidentais. A Tailândia é uma politéia distinta da nossa. Aqui, a Monarquia convive com a Democracia e com ela reparte o permanente e o transitório. Ao Rei, a permanência, a unidade do Estado e do povo; à Democracia, a livre escolha dos representantes, a produção legislativa e a aplicação das políticas.
- Aqueles, bem intencionados, que acreditam na universalidade do sistema ocidental, mas esquecem a especificidade de um país que nunca foi colonizado. Este grupo, composto por pessoas esclarecidas e com leitura, que gostam deste país e reconhecem a bondade da Monarquia, admiram o Rei e sabem que sem a Monarquia a Tailândia entrará no caos, são inibidos de expressar a sua consciência e aderem, assim, à artificialidade redonda das frases feitas.
- Aqueles que são pagos para conspirar, dizer mal, espalhar boatos do mentidero vermelho plutocrático, que querem ver a Monarquia derrubada para cumprir agenda induzida pelos círculos das negociatas, que se mascaram de sensibilidade social, falam na pobreza e na exclusão, mas que não olham à estabilidade, à prosperidade e à grande liberdade (cultural, económica, social e de costumes) que não existe em qualquer outro país da região e é, até, coisa rara na generalidade dos países ditos livres do Ocidente.

15 março 2010

"Rádio Moscovo não diz a verdade"

Abhisit

Neste fim de semana, a internacional da desinformação andou a fazer horas extraordinárias. Estou em casa a trabalhar sobre a montanha de fotocópias e notas para o meu livro, são três da manhã e o telefone não pára. São amigos e familiares ansiosos por saber as novas da Tailândia. Uns perguntam se as ruas ainda são seguras, se os milhares de vermelhos já tomaram a sede do governo, se o primeiro-ministro já resignou, se a monarquia vai cair e quando regressa Thaksin ao país.

O Ocidente, que perdeu o sentido do ridículo na exacta proporção do esvaziamento do poder e influência nos negócios desta região, confabula, sonha, delira e transforma-se em vítima das suas fantasias. Thaksin gastou muito dinheiro em trazer a Bangkok 40.000 excursionistas, pois que na capital o seu apoio parece quase não existir, mas muito dinheiro mais terá dispendido para promover a campanha de desinformação mediática responsável pela leva de telefonemas que aqui recebo.

Estejam descansados. É só fumaça, ou antes, "rádio Moscovo não diz a verdade". O Primeiro-Ministro tailandês Abhisit Vejajiva, no seu inglês oxfordiano, acaba de resumir numa frase a loucura mitomaníaca que vai pela cabeça dos fabricantes de notciários ocidentais: "must be an extemporaneous first of April" (dia das mentiras antecipado).


เพลงภูมิแผ่นดินนวมินทร์มหาราชา

O DN e as salmonelas plutocráticas


Li a notícia e fiquei perplexo com o refinamento a que pode chegar a vontade de fazer informação ferida de parcialidade. A agência que forneceu ao crédulo DN a notícia conseguiu a proeza de transformar uma derrota num triunfo, de fazer dos vermelhos - leia-se, do movimento pró-plutocracia - a vanguarda da classe operária e dos amanhãs que cantam. Posso agora, com toda a segurança, intuir o que debitarão os jornais sobre a restante actualidade internacional e lançar esse jornalismo de encomenda para o cesto dos papéis.

Ao desejo de ver os sonhos tornados realidade e ao empolamento de pequenas coisas sem expressão, transformando-as em acontecimentos capitais, recobrem os psicólogos com a expressão genérica de delírios. No caso vertente, um delírio com infiltrações pavlovianos de vermelhismo, esse tique romântico dos nostálgicos dos maios de 68 que teima em obnubilar a razão e tomar a núvem por Juno.

14 março 2010

A "revolução" de 0,03%, 500 Bath por cabeça

Andou-se a espalhar aos quatro ventos que Banguecoque seria hoje o altar revolucionário do mundo, que uma massa de milhões iria afluir à capital, desalojar o "poder feudal" (leia-se, a Monarquia), despejar a "camarilha aristocrática" (leia-se, a elite dirigente) e dar ordem de demissão ao governo "ilegítimo" (leia-se, o governo com maioria parlamentar). Tudo não passou de um flop criado pelos ansiosos das manhãs ridentes das jornadas históricas, nomeadamente os círculos da intriga diplomática e dos media ocidentais, sempre excitados com revoluções exóticas nos trópicos, mas bem conservadores do stato quo nessas brilhantes democracias europeias de sucesso que são a Itália de Berlusconi, a Grécia de Papandreou ou a Espanha de Sapateiro.

Andei por Banguecoque, cruzei-me com umas centenas de patuscos trazidos da província em autocarros e carripanas de caixa aberta, alimentados, bebidos, engalanados de vermelho e pagos pelos "líderes da revolução". Afinal, o tal milhão não terá chegado a 60.000 ou 70.000 pessoas, ou seja, 0,03% do total da população deste reino. Extrapolando, isso daria em Portugal umas 12.000 pessoas, coisa que o PC reune em meia dúzia de horas. As pessoas que vi, humildes e simpáticas como são os camponeses desta terra, não fariam mal a uma mosca. A plutocracia tem usado e abusado da crendice desta gente boníssima e sacrificada, pelo que não será de estranhar se a boa liderança vermelha - porque a há - tenha aprendido a lição. O meu sincero desejo é o de ver essa parte inteligente e bem intencionada do "partido vermelho" convertida num partido que defenda a classe trabalhadora, que lute por legislação justa e se separe das fantasias carnavalescas de um homem riquíssimo que quer a todo custo ser o ditador de uma Tailândia desmembrada. Os inimigos dos trabalhadores tailandeses não são nem a "aristocracia" nem o "exército", tão detestado porque impõe respeito, mas o dinheiro novo das senhoritas e senhoritos que querem o ppoder total, arrasar os modos e a cultura política deste povo, converter a Monarquia num pechisbeque antes de lhe assestar o golpe republicano, mas também os farangues das negociatas aos quais interessaria ver a Tailândia transformada numas Filipinas de impunidade neo-colonial. Sobre a multidão, a figura tutelar a patriarcal do Rei mostrava, afinal, que a maior amiga das causas justas foi, é e será a Monarquia.

Ao líder proscrito (Thaksin) talvez só reste, perante tão clamoroso fracasso, recorrer à violência para compensar o ridículo que se abateu hoje sobre a sua causa. As próximas horas mostrarão se tenho ou não razão. Os elementos perigosos da cacicagem thaksinista refrearam os seus instintos, as forças de segurança e o governo portaram-se de forma irrepreensível e ganhou, decididamente, o bom senso. Thaksin vai morrendo a conta-gotas. Os tailandeses viraram-lhe as costas. Hoje, a vaga vermelha teve laivos de carmelinda-pereirismo !