08 janeiro 2010

A história desconhecida de Portugal na Ásia: os portugueses que dominaram Hong Kong

Clerk of Councils, ou seja, Secretários Gerais da Colónia, José Maria de Almada e Castro e seu irmão Leonardo de Almada e Castro ocuparam durante décadas a terceira posição na hierarquia administrativa de Hong Kong e foram decisivos para a moldagem institucional da mais importante colónia da coroa britânica no extremo-Oriente. Conselheiros de John Bowring, governador de Hong Kong e embaixador incumbido de negociar o primeiro "tratado desigual" com o Sião em 1859, mantiveram-se como influentes figuras e, depois, o clã Castro ocupou relevantes posições até vésperas da Segunda Guerra Mundial. Não se tratou de caso isolado. Já antes da ascensão dos Castro, outro português, Alexandre Grande-Pré, ocupara as funções de Secretário da Colónia nos conturbados anos 40, ou seja, imediatamente após a cedência de Hong Kong ao Reino Unido, no desfecho da Primeira Guerra do Ópio. Grande-Pré foi depois comandante geral da polícia.

Os britânicos, tal como acontecera em Penangue em finais do século XVIII e em Singapura no primeiro quartel do século XIX, tentaram compreender o funcionamento e aplicar o modelo português, tido por mais experiente e alicerçado num profundo conhecimento dos modos e práticas asiáticos.

Hong Kong fazia parte, em 1848, do "império-sombra" português na Ásia. Ali funcionavam três escolas católicas - uma para rapazes europeus, leccionando em português e inglês; outra para raparigas e outra para chineses - e o ensino aí praticado era considerado modelar, pois desenvolvido por "scholars" (1). Em finais do século XIX, entre 10.000 britânicos e estrangeiros vivendo na cidade, 1.263 eram portugueses; ou seja, 12% de elite da colónia, pois que a massa dos quase 200.000 chineses ocupava funções modestas e detinha acesso limitado à engrenagem do poder.

Não deixa de ser sintomático o facto de Portugal abrir o primeiro consulado em Hong Kong antes de quaisquer outras potências europeias presentes na Ásia e, também, o facto do Sião ter aberto consulado em Macau anos antes de nomear um representante em Hong Kong. No trabalho que realizo detecto outra curiosidade: a chegada ao Sião, nas décadas de 60, 70 e 80 de muitos portugueses de Macau, fez-se através de Hong Kong; ou seja, Hong Kong era utilizado como agente difusor da rede informal de poder que os portugueses possuíam há muito. Positivamente, os portugueses viviam dentro do aparelho britânico, dominavam-lhe as fragilidades e tiravam partido da força britânica para se candidatarem a concursos para lugares de conselheiros junto da corte siamesa.

A defesa de Hong Kong foi, também, desde os primeiros momentos da colonização britânica, entregue a portugueses. Ao criar-se o Corpo de Voluntários, em 1854 - sintomaticamente durante a governação de Bowring - com a incumbência de proteger a cidade e manter a ordem pública, o número de portugueses fardados e armados atingia 15% dos efectivos. Os Voluntários Portugueses mantiveram-se como força relevante do dispositivo militar da colónia até à invasão japonesa de Dezembro de 1941 e muitos pagaram com a vida a defesa da sua terra, caso muito similar ao dos luso-descendentes na Malaia Britânica (actual Malásia), que foram notados pela bravura que demonstraram ao longo dos anos de guerrilha anti-nipónica (1942-45). Igualmente em Xangai se constituiu um Corpo de Voluntários Portugueses, que executava tarefas de vigilância e manutenção da ordem dentro do perímetro da Concessão Internacional.

Para todos quantos cultivam o miserabilismo como princípio para a análise da presença recente portuguesa nesta paragens, estes curtos apontamentos surgem como uma provocação. O propósito não é, evidentemente, provocar, mas contrariar lugares-comuns e essa tremenda inibição que tem feito de nós e da nossa historiografia um caso perdido e digno de piedade no triunfalismo historiográfico que domina a visão anglo-saxónica. Há muito que fazer e investigar, mas este é, creio, o caminho certo.


(1) ENDACOTT, G.B. A history of Hong Kong. London: Oxford Press, 1964

07 janeiro 2010

O que andamos a fazer na Europa ?


Fujamos da Europa. O nosso lugar é no mundo. Aqui está a prova que tentam ocultar: fazer esquecer aos portugueses que estivemos na Ásia durante meio milénio, reduzir-nos a um obscuro e periférico lugar no canto extremo do ocidente da Europa dos negócios e dos colarinhos brancos. Venham à Ásia, visitem Goa, Malaca, Flores, Timor, Banguecoque e Macau e descobrirão a tamanha fraude em que nos deixámos enredar. A titulatura régia de outrora mantém plena actualidade: pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. Perdeu-se o Império mas ficaram as gentes fiéis a essa ideia de fraternidade universal que nenhum mercado pode destruir. Enfurece-me ver tanta ignorância adamascada, tanto pateta inteligente e tanto candidato a europeu convencidos da bondade do caminho da anulação em que entusiasticamente nos precipitámos. Ainda há tempo !


A história é simples. No primeiro quartel do século XIX, os holandeses e os franceses foram simplesmente varridos do mapa político da Ásia. Portugal, se bem que Goa fosse ocupada pelos britânicos, recrudesceu a sua iniciativa, pois era aliado do Reino Unido e um precioso complemento para a acção comercial e diplomática da Companhia Britânica das Índias Orientais. Na década de 1820, durante a governação de Diogo de Sousa, Conde de Rio Pardo, Portugal lançou generalizada ofensiva e restabeleceu parcialmente a influência que detivera em finais do século XVII, nesse ainda tão mal conhecido período da regência de D. Pedro. Os dois grandes travões ao retorno de Portugal à Ásia após a independência do Brasil foram, gostemos ou não, a criação da cidadania - que privou os portugueses asiáticos de ligação formal ao corpo da nação - e logo de seguida a extinção das ordens religiosas, que mutilou para sempre a actividade missionária do Padroado no Oriente. Não obstante estes dois fenómenos, verifica-se pujante actividade comercial em torno dos bandéis portugueses espalhados ao longo das costas do Índico, do Mar da China e do Pacífico: da foz do Ganges ao Irrawady, de Penang-Malaca a Singapura, de Batávia a Macau, do Tonquin ao Sião, não esquecendo a consolidação do funcionalismo especializado colocado junto das cortes do Camboja, Birmânia e Sião.


Ao contrário do que recita sem fundamento a lenda negra da decadência - uma pecha comum à tão aclamada Geração de 70 - tínhamos os melhores administradores, os mais sagazes diplomatas, conhecíamos melhor a região que os britânicos, detínhamos a lingua franca, estávamos profundamente incrustados nas sociedades de acolhimento, não nos envolvíamos em conflitos militares possuíamos o tal estatuto de Potência Histórica que funcionava e garantia confiança dos interlocutores. Os britânicos, por seu turno, não representavam um Estado, mas uma companhia, a sua elite tropical era de baixa extracção e falha de preparação, desconhecia as línguas e dialectos locais e eram tidos como agressivos e concorrentes no domínio dos circuitos comerciais há muito estabelecidos: o junk trade chinês e as rotas marítimas que ligavam os negari islâmicos da Insulíndia ao golfo pérsico. Em mais de duzentas obras consultadas até ao presente - memórias e relatórios de viagens de britânicos, franceses, holandeses e germânicos que pelo Sudeste-Asiático passaram entre as décadas de 1810 e 1860 - o mesmo resultado: os portugueses estavam em todo o lado, mantinham entre sí vínculos e trocavam informações, batiam a concorrência, impediam o acesso de forasteiros aos seus santuários. Foi há pouco tempo. Esse capital de memória, se bem que afectado pelo colonialismo europeu na região, manteve-se e ainda hoje, na Índia, no Paquistão, no Sri Lanka, no Bangladesh, na Birmânia, Tailândia, Singapura, Malásia e Indonésia há quem reclame o traço distintivo da herança sanguínea portuguesa.
Ontem, uma agradável descoberta. Dez documentos de uma assentada relativos à chegada da embaixada que Francisco Isidoro Guimarães, Governador de Macau, encabeçou ao Sião em 1859. Comparando-a com os documentos referentes a britânicos, norte-americanos e holandeses, duramente negociados, com "talks about talks" que se prolongaram por anos entre as autoridades siamesas e sucessivos enviados, a embaixada de Portugal apareceu na foz do Chao Phrya, enviou notícia da chegada a Banguecoque e foi recebida. No primeiro acto solene, o Rei Rama IV (Mongkut) disse, satisfeitíssimo: "estávamos há vossa espera há anos e agora apareceram, meus bons amigos". As negociações decorrem em meia dúzia de dias, sempre entre banquetes, representações teatrais e espectáculos de música, com as portas dos palácios e templos abertos em par a oficiais e marujos portugueses. Não houve resistência, medo e aquele ganhar de tempo que caracteriza a diplomacia dos asiáticos. Foi tudo assinado de cruz, regado com Madeira e juras eternas de amizade.
Se me fosse possível falar com o Primeiro-Ministro, dir-lhe-ia: "Excelência, não tenham medo, corram o risco, apareçam em Colombo, Dacca, Naypyidaw, Banguecoque e Phnom Pehn e digam-lhes aqui estamos, para restabelecer o que por ignorância quase deixámos cair no esquecimento". "Para que servem embaixadas na Argentina, Áustria, Bulgária, República Checa, Chile e em Cuba, no Egipto, Finlândia, Irlanda, Sérvia ou na Grécia ? Realizam captação de investimento, a expansão do comércio português, elevam a capacidade negocial portuguesa ? Não tenham medo, invistam o esforço na Ásia nestas últimas décadas de hegemonia ocidental, preparem o futuro".



Goa, 2008




Malaca, 2007

Mare Nostrum

06 janeiro 2010

Sebastianista ? Claro que o sou

Nunca me seduziu a pacata vida da aurea mediocritas, que ilude a felicidade verdadeira que é feita de provação, risco, desafio e inquietude. Aqui disse há dias que os portugueses não gostam da vida que levam, que se sentem tristes e incompletos; por isso, vingam-se com as armas da maledicência, da inveja e da impiedade. O sentimento de viver emparedado no pequeno rectângulo que já foi porta e cais, perante o oceano que foi lavrado pelos braços e sulcado em todas as direcções da aventura, leva cada um, na sua circunstância e fibra, a procurar o exílio interno entre as paredes de uma casa ou o salto para a imensidão dos grandes espaços onde o português se sente livre. Nas primeiras estrofes dos Lusíadas perpassa esse sentimento. Com orgulho, os portugueses de todas as idades e estamentos, leram-no desde o século XVII e desdenharam do Portugal sem glória e sem luz que se lhes oferecia ver. Não, não é a nostalgia de uma grande potência que nos obriga a olhar o passado: é saber que o mesmo pequeno, pobre e periférico país soube resolver a sua incompletude desafiando o medo, a inibição e até o ridículo fazendo coisas que ainda enchem de espanto todos quantos se abeiram da nossa história. Levantámo-nos, caímos e, de novo nos levantámos duas, três, quatro vezes. Esse é o segredo de Portugal.

Se o sebastianismo é esse chamamento, sejamo-lo e exijamos o impossível.

Mitos anti-monárquicos


Segundo os parametros de algumas almas ezquierda-pseudo-intelecto-pós-moderno-páfrentex...
eu por ser monárquico serei...
um "gajo antigo"...às vezes fássista...
patusco...
com cachuchos nos dedos...
sangue azul...(por acaso sou vermelho escuro...ORH+)...
falo nasalado...tem dias...
uso camisas com folhos...já para não falar das cuecas...
a coisa que mais gosto é de decapitar* outras pessoas...
tenho a mania que sou mais que os outros...
(não sou...somente maior em tamanho que a maioria)...
uso bigode retorcido...ou pêra á la D´Artagnan...
tenho nome com dois "L" ou dois "T"...
uso sapatos de tacão com fivela dourada...
peruca...
cheiro rapé...(rapé ainda nunca experimentei)...
sou uma autêntico beato...rato de sacristia...
enfim...
sou uma coisa patusca saudosista do passado...
assim como os belgas...suecos...espanhóis...dinamarqueses...tailandeses...
japoneses...noruegueses...luxemburgueses...canadianos...australianos...
monegascos...neo-zelandeses...holandeses...etc...
ya...!

No Blog de Leste

05 janeiro 2010

A sina de sempre


Bater o pó das botas no acto de partir, refazer a Viagem Magnífica e de longe ver o Portugal verdadeiro; eis a sina de sempre do português que parte como soldado raso para a aventura do Oriente.

04 janeiro 2010

Hitler também era uma pessoa encantadora

Maria Eugénia Cunhal concedeu importante entrevista ao DN. Ali, o registo político hagiográfico nada pesa, pois uma irmã fala do seu irmão com amor, sem ficção e artificialismo, destaca-lhe as qualidades de inteligência, a afectuosidade, a dedicação aos pais, a curiosidade intelectual, a criatividade e a coerência. Cunhal era, naturalmente, um homem com predicados que o superiorizavam e a sua vida privada e familiar, sem os demónios da obsessão ideológica, seria, estou mais que certo, o produto de uma boa educação e de um meio social que lhe proporcionara todas as condições para ser um senhor. Olhando para as fotos de família de Cunhal- o Cunhal descontraído, sorridente e quase infantil (todos somos crianças quando na companhia dos nossos) - ressalta esse outro Cunhal. No fundo, os líderes políticos encontram na vida íntima poderoso elemento de descompressão, procuram nas conversas inocentes sobre as doenças, o estado do tempo, a pintura que a casa pede e a encadernação do tal livro raro que pede preservação o contraponto à identidade pública que afivelam. Fulanos há que são notoriamente facínoras públicos e amantíssimos para aqueles que integram a esfera da sua vida caseira.
Hitler também o era: gostava de animais, com eles perdia horas em brincadeiras, era gentilíssimo para as senhoras, cujas mãos beijava, adorava crianças, era artista ou procurava sê-lo, interessava-se por temas que hoje dele fariam um ecologista entusiasta ou um ambientalista sem mácula, interessava-se pelo estado de espírito das suas dactilógrafas, era um casamenteiro quase feminino, sempre à procura da mulher certa para os membros do seu séquito e até foi visto passeando desprecupadamente no seu quartel-general no Leste amparado no braço de um simples cabo das SS em quem vira sintomas de depressão e solidão, reconfortando-o e perorando sobre os problemas da vida.

Há que saber separar os homens nas diferentes esferas em que se movimentam. Preferia mil vezes ter Hitler ou Cunhal por companheiros de uma longa viagem de avião, com eles poder discutir matérias de interesse, livros, história e arte que ter de suportar o vazio absoluto de humanidade na companhia de um desses homens insignificantes que enchem as parangonas dos jornais de negócios. Os homens que reclamam o poder absoluto sobre a vida dos demais são, naturalmente, mais encantadores, possuem magnetismo, sedução e prendas que os colocam numa dimensão diferente. Contudo, estes homens separam de forma tal a vida privada da vida pública que os podemos considerar casos de desdobramento de personalidade; logo, casos patológicos. Leni Riefenstahl disse de Hitler que durante anos nele só viu a dimensão solar, até se aperceber que a outra dimensão - aquela que tantos milhões de mortes causou - era a que interessava, pois fora aquela que a levaram à presença do tirano. Na biografia que Chandler escreveu sobre Salot Sar, ou seja, Pol Pot, o mesmo fenómeno. Pol Pot era um homem absolutamente fascinante para os amigos e familiares: sorridente, delicado e manso, sempre insatisfeito e indagando sobre os mais pequenos acidentes da vida de cada um. O mesmo direi de Cunhal. Tivessemos caído nas malhas da sua visão do mundo e o pasmo e incredulidade ante o depoimento de Maria Eugénia Cunhal não mais seriam que uma provocação de mau gosto.


Adolf Hitlers Lieblingsblume

03 janeiro 2010

Os umbigos colonialistas

As comunidades ocidentais "expatriadas", como aqui se diz, reunem-se uma ou duas vezes por ano: por altura do Ano Novo e por ocasião das festas nacionais dos países. Há comunidades fortes e influentes, ricas, empreendedoras - dinamarqueses, suecos, alemães, italianos, britânicos - como as há tão discretas e invisíveis que dir-se-ia não existirem. Há aquelas que se unem para patrocinar edições de obras sobre as relações históricas entre o Sião e os seus países de origem, animar exposições de artes, promover encontros e, até, abrirem restaurantes e pub's. Há, finalmente, aquelas que se encontram para matar saudades do idioma e para pôr em dia a má-língua. Dizia-me há tempos um grego, meu companheiro de escola de língua thai, que evitava participar nesses encontros, pois a miniatural confraria dos seus conterrâneos parecia ter-se especializado em dizer mal de tudo o que à Grécia e à Tailândia respeitava.

Os europeus possuem destas coisas. Querem sair da Europa a todo o transe, não gostam do clima frio, das chuvas e das neves, da água gélida das praias, da vida cinzenta, das intrigas do trabalho, das arrelias da política. Contam ansiosamente os meses, as semanas e os dias que precedem as férias de verão para partirem para os trópicos, mas quando se fixam nos trópicos fecham-se nas suas referências e encasulam-se numa blindagem de preconceitos contra a sociedade que os acolheu, ou desgastam-se em estéreis lutas intestinas. Vivem fora, olham de fora, criticam, desprezam, mas gostam de aqui viver. Europeus há aqui que nestas terras vivem há décadas e não falam meia dúzia de palavras em tailandês, não lêem uma linha, nunca entraram num museu, num templo, não sabem o significado dos códigos morais e de etiqueta locais, não passam do bife com batatas fritas e ovo a cavalo. Uma vizinha canadiana teve o atrevimento de se zangar com a sua mulher-a-dias porque esta não compreendera o significado do dia de natal e aparecera, como sempre o faz, para limpar a casa no dia 25 de Dezembro. Outro, suíço, gabou-se ter sobrevivido dez anos com recurso a linguagem gestual.

Inventaram um mundo. O fenómeno não é tailandês; é uma velha tendência colonial que já Roland Meyer, que assinava Komlach, detectara no Camboja do Protectorado Francês dos anos Vinte do século passado: "os brancos sem raízes que amaldiçoam e ignoram o Camboja desde os confins do seu bairro europeu, onde preservam as pueris manias da sua vida dita civilizada". No fundo, querem é criados, passar por grandes senhores, exibir status. O Ocidente só perde, pois nada sabe sobre o Oriente e o que julga saber não passa de fantasias colonialistas.Diverte-me ouvir os colonialistas falarem aos tailandeses de "Lord Buda", quando os thais não sabem o que Buda significa, pois aqui é referido como Phraá. Rio-me das referências que fazem a Luís XIV, a Platão, a Proust, a Degas, a Brecht e ao estilo barroco. Os thais sabem tanto disso como nós de Phra Narai, Sunthorn Phu, Kukrit Pramoj, Vajrayana, o Ramakien, o teatro likay.


Josephine Baker: Ma Tonkinoise (1931)