11 dezembro 2010

Goa, terra portuguesa

Do diário de Joaquim Magalhães de Castro, escrito a bordo da Sagres, deixo a seguinte passagem. Aqui está, sem tirar, aquilo por que nos temos batido, a demonstração sem rodriguinhos literários da permanência de Portugal em terras do Oriente, bem fundo, dentro dos corações. Que os nossos governantes acordem e sacudam décadas de preconceitos. Que vão a Goa, a Malaca e Flores, falem com os católicos de Bangkok, ouçam os timorenses e se espantem. Quem não foi a Goa não viu coisa boa ! Nós ali estivemos séculos. A bandeira desceu, mas Portugal ficou. Vá, vão e espantem-se, sacudam o miserabilismo e abram o coração à torrente de portuguesismo que por ali ainda impera.


"16 de Novembro, nove da manhã, uma hora antes da largada da Sagres do porto de Mormugão, Sul de Goa. Dezenas de embarcações de pesca engalanadas com balões, grinaldas de flores e bandeiras portuguesas, repletas de centenas de homens, mulheres e crianças, muitas delas envergando camisolas da selecção nacional, aproximaram-se dessa barca construída num estaleiro de Hamburgo em 1937 mas que a Cruz de Cristo faz nossa, e largaram a música, os panchões e a alegria que traziam com sentidos vivas a Portugal.

Essa manifestação espontânea apanhou de surpresa a tripulação que fazia os preparativos para a largada, concentrada na recolha das lonas de cobertura da ponte e do convés. Num repente, os marujos correram à amurada e corresponderam com acenos e fotografias a tão carinhosa manifestação de afecto.

Na companhia do comandante Pedro Proença Mendes, o recém-chegado cônsul de Portugal em Goa, António Sabido da Costa, também se mostrou atónito com a inesperada despedida dos homens do mar. "É impressionante!", exclamou. "E vê-se que é um sentimento genuíno." Concordei com o seu comentário, mas estava preparado para aquilo. Sabia que muitos goeses, impedidos de visitar a Sagres nos dois derradeiros dias da sua estada em Mormugão, sistematicamente barrados pelas forças policiais, tinham decidido agir por conta própria e fazer a ansiada visita, não por terra mas directamente por mar, numa pacífica abordagem a bombordo, primeiro, e depois a estibordo também.

E lá estava, à proa de uma das maiores traineiras, de garrafa de cerveja na mão e uma camisola vermelha com a palavra Portugal, Simon Pereira, presidente da Associação dos Pescadores de Mormugão, responsável pela colorida iniciativa. Atrás dele, uma banda a preceito interpretava marchas populares, enquanto a aparelhagem de uma embarcação ali próxima atirava cá para fora, em altos decibéis, versões goesas de conhecidos temas populares da nacional canção.

Esta manifestação traduzia bem o sentir dos goeses, que nunca deixaram de ser portugueses. Numa das faixas exibidas bem alto podia ler-se "Viva Portugal. Nós amamos o Portugal. Boa viagem Sagres". Noutra: "Adeus Sagres. Viva Portugal. Goans love you."

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Sabes o que a senhora da foto disse ao chegar a Lisboa? Parece que foi isto:
"Os nossos acompanhantes tiveram muitos problemas de estômago, mas eu e o meu marido não comemos aquelas porcarias picantes".
"Porcarias" que o Vasco da Gama lá foi buscar... Assim não vamos a sítio algum.

Paulo Selão disse...

Só me apraz dizer uma coisa: LOOOOOOOOOOOOL
É mesmo preciso dizer algo melhor?!