13 novembro 2010

Em defesa da governação solitária

A consabida tipologia das democracias, de Sartori, foi liminarmente recusada como expressão de preconceito e pessimismo. A verdade é que o tempo se encarregou de dar plena justificação ao conceito de "democracia latina", sinónimo de incompetência, corrupção, nepotismo e demagogia. Em sociedades com forte gradiente autoritário, hierarquizadas e orgânicas, cadeia de comando e um instintivo respeito pela autoridade, a vaga democrática dos anos setenta do século passado trouxe a desagregação do Estado, a pulverização da justiça e uma total desobediência face às leis, resultando nisso a apropriação do Estado por grupos de amigos e redes clientelares, o descontrolo e o despesismo, o gigantismo do funcionalismo público, a inimputabilidade das chefias e o fim da separação dos poderes. O parlamentarismo não funcionou na Grécia, como se mostrou suficentemente inepto em Espanha e Portugal, pelo que para salvar a democracia e as liberdades civis, importa recorrer quanto antes à concentração do poder e à sua personalização. Sendo adepto da monarquia, não posso deixar de ver com bons olhos a possibilidade do presidencialismo e de um governo que emane do critério meritocrático de selecção de governantes. Estamos na 25ª hora. Agora, já resvalando para o precipício,importa perguntar aos portugueses se querem uma ditadura, resposta natural à bagunça, ou um regime presidencialista que restaure a confiança na vontade nacional. Já não há muito tempo.

2 comentários:

Carlos disse...

Caro Miguel:

É a Hora!

Cumprimentos.

Nuno Castelo-Branco disse...

mas que presidente? Aquele que nós conhecemos e faz parte do esquema?
Há gente que melhor ficaria a gerir uma "boarding house".