15 novembro 2010

A culpa a seu dono

Os empresários portugueses não podem fazer melhor. No conjunto das economias recessivas das "democraias do sul", Portugal cresceu percentualmente no período homólogo de Outubro de 2009 a Outubro 2010 sete vezes mais que a Espanha e três vezes mais que a Itália, distanciando-se da Grécia, em plena débâcle regressiva, com 4.5% negativos. As exportações subiram, o volume de encomendas em agenda prevê que a tendência do saldo comercial externo continue a progredir favoravelmente, empurrando a projecção do crescimento de 2011 para 1.3%. Em suma, se não tivessemos um Estado despesista, se acabassem com a via láctea de institutos, fundações, empresas fornecedoras de serviços ao Estado, se os 300 concelhos fossem 100, se as 3000 juntas de feguesia fossem 1000, se o parlamento não tivesse 230 deputados, mas 100, se o governo decretasse o fim das escandalosas reformas de 7000 e 8000 Euros distribuídos por amigos do regime, se fossem denunciados contratos verdadeiramente pornográficos atribuídos a apparatchik nos bancos, nas EDP's e TAP's, se não tivessemos 200 almirantes e 200 generais para umas forças armadas privadas de tudo o que faz um exército e uma marinha dignas desse nome. A culpa não é nem dos portugueses, nem dos empresários. Não é, também, da tão falada "crise que veio de fora", como há dias o sempre ligeiro Mário Soares quis fazer crer. A crise coincide com a dimenão do devorismo, da inconsciência criminosa de tantos funcionários políticos que nunca produziram o que quer que fosse, nunca tiveram emprego certo que e nunca teriam a mínima oportunidade num mercado de trabalho competitivo.

Como não somos derrotistas, ainda acreditamos que a recente descoberta da Ásia pelo nosso Primeiro-Ministro lhe permita abrir os olhos e aplicar, com mão dura, as soluções do futuro.

1 comentário:

NanBanJin disse...

Quase tudo verdade o que aqui escreve, Caro Miguel — conservo o meu cepticismo tão-só no que concerne às estatísticas invocadas relativamente à subida dos números da produtividade e exportações, que cada vez mais se assemelham ao expediente de um qualquer Winston Smith sentado à secretária de um qualquer 'Ministério da Verdade'...

Mas como já escrevi noutros fóruns e mantenho, a questão não se prende, de facto, tanto com a dívida mas sim com a receita — em nada menosprezando o que o Miguel aqui cita acerca dos vícios despesistas do República Portuguesa.

É que não há estado no Mundo que não apresente níveis de desenvolvimento invejáveis e que não seja, simultaneamente, permeável ao mais desenfreado despesismo — olhemos para as três maiores economias mundiais (E.U.A., Japão e R.P.C) e assim concluamos.
O caso do nobre país que me acolhe é, a esse respeito, o 'pior' dos exemplos possíveis — 215% do respectivo P.I.B. de défice orçamental: o pior do planeta suplantado nos indicadores apenas pelo caso do Zimbabwee (que pertence, obviamente, a outro 'campeonato').
Onde está a diferença então?
Dimensão da economia, claro está, sustentabilidade da mesma, diversidade, eficiência e confiança ao nível da produção e desempenho, e tudo isto em condições de plena soberania e garantida primazia dos seus interesses, como é evidente.
Coisas que em Portugal hoje mais não são que memórias de outras Natais.

Mas também eu quero crer que uma mudança drástica é, não apenas necessária, mas absolutamente possível.

Um Grande Abraço,
do Japão,

Luís F. Afonso, NBJ