03 outubro 2010

Raquíticas celebrações


A chuva chegou a Lisboa. Com o frio, o vento e a caras contraídas pelo recente anúncio da recessão - que teve o efeito de uma Estalinegrado sobre os arrebatados celebrantes da tal república do Dente de Ouro e dos pistoleiros do Terreiro do Paço - parece que tudo se está a compor para um funeral digno do Padrinho de Mario Puzo. Os áulicos de Belém - reposteiros-móres, assessores, moços de estribo e demais trabalhadores desocupados, onde nem falta o vetero-testamentário Sarsfield Cabral, subitamente tomado pelos delírios do febrão republicano - organizaram hoje uma fruste festa no palácio que foi dos príncipes antes de se transformar em lugar de má frequência. No fundo, isto é a república, com a moldura das velhotas trazidas em dois autocarros e com direito a farnel, mais os comensais cativos das comissões, os jornalistas semi-letrados reduzidos a psitacídeos, as araras, os periquitos e toda a flora de flores do mal da estupidez, da gula insatisfeita e da mentira incontinente. A república é uma festa.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Houve festa à frente de que palácio? Onde? Não foi notícia.
Ontem pelo fim da manhã, ouvia-se algum som no Terreiro do Paço, mas por aquilo que o rápido cruzar da R. Augusta deixava ver, pouca gente. Ora tomem lá! Lembram-se daquela canção brasileira "Chove chuva?"?