04 outubro 2010

Lula


Não custa dizer mal, arrasar e depreciar, mas nestas coisas há que dizer, sem agravo de outras considerações, que Lula foi um grande presidente e que o peso da língua portuguesa e daquilo que esta representa na geopolítica mundial muito lhe ficaram a dever. Pouco elaborado, rústico, pé-rapado ? Pois, mas deixou obra e bateu o pé à ingerência americana, deu a milhões de brasileiros nova esperança e a burguesia muito lhe ficou a dever, pois Lula no poder quis dizer menos assaltos, menos propriedade devassada, menos raptos. Mais corrupção ? Isso não tem importância, pois o Brasil - como Portugal - quem governa rouba: rouba em nome da lei e dessa estranha legitimidade que os votos conferem para furar todas as convenções. O Brasil é hoje a 5ª economia mundial. Nos oito anos de Lula ultrapassou a França, a Inglaterra e a Itália. É pouco ? Sonho com o dia em que os portugueses, cansados da Europa, se virempara o Brasil e renovem, como outrora, a união com o Brasil.

7 comentários:

Carlos Velasco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nuno Castelo-Branco disse...

Há que não esquecer o terreno lavrado por Fernando H. Cardoso. Os lulistas gostam de omitir o facto, mas tenho de concordar que aparentemente, a situação parece ser muito melhor. Já na década de 60, ocorreu um "milagre brasileiro" que acabou como se sabe e assim, há que aguardar.

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Quanto ao sonho de retorno ao Reino Unido, estou completamente de acordo. Quanto ao resto, o senhor está apenas a levar em conta o que diz a grande imprensa, a mesma imprensa que mentiu descaradamente acerca da crise na Tailândia, como você demonstrou.
A violência no Brasil só caiu em São Paulo, onde era governador José Serra, o opositor de Lula nessa eleição. Mas, apesar dessa queda em São Paulo, de longe o estado mais populoso da federação, no resto do Brasil ela subiu de tal maneira que já vamos em direcção aos 60 mil assassinados por ano. Morrem mais brasileiros anualmente nas mãos do crime do que morreram americanos em cerca de uma década de conflito no Vietname.
A criminalidade é promovida pelo próprio governo, sócio das FARC. Estas, por sua vez, mandam em grupos criminosos com nomes sugestivos, como o Comando Vermelho, formado nas cadeias nos anos 70 depois do contacto com os terroristas comunistas presos.
No campo temos 6 milhões de sem terra e não há lei. Tenho família no interior e os mais jovens já pensam em sair de lá. Toda a gente sabe que os sem terra estão a receber armas e treino paramilitar. As invasões de propriedade são tantas que já nem são notícia. Matam cruelmente os animais, queimam as propriedades e até torturam os caseiros. No blogue do D. Bertrand de Orleans e Bragança se pode acompanhar isso (paz no campo). Só quem paga protecção é que consegue alguma segurança temporária.
Quanto à economia, nada disso é mérito de Lula. A agricultura hoje colhe os frutos da acção da EMBRAPA, criada no regime militar, e as descobertas de petróleo foram possíveis graças à decisão do governo militar de promover a autonomia energética do Brasil após o segundo choque do petróleo.
A EMBRAER também foi criada pelos militares, assim como as grandes empresas siderúrgicas. O crescimento chinês faz o resto. Mesmo assim o Brasil cresceu à ridícula taxa média de 4% ao ano, apesar do aumento exponencial dos gastos públicos e dos juros historicamente baixos. Nos anos 70 crescia a mais de 10%, o que é obrigação para um país tão cheio de recursos como o Brasil.
A verdade é que os poucos sectores que dão certo são fruto da acção dos militares e o Brasil está se desindustrializando rapidamente e se transformando num exportador de "commodities", com excepção de poucos sectores "apadrinhados", como a construção naval, onde o Brasil nem chega perto da posição que teve nos anos 70.
Quanto à posição independente do Brasil em relação aos EUA, isso também é um mito. Por um lado o Brasil sustenta a revolução comunista na América Latina, por outro Lula faz "sacrifícios secundários"(Lenine) à oligarquia internacional. Um desses sacrifícios é a soberania na Amazônia, onde largas porções do território foram fechadas aos "brasileiros" e poderão se tornar "nações indígenas" independentes nas mãos dos novos Cecil Rhodes e Leopoldos II do mundo. O caso da reserva Raposa Serra do Sol é paradigmático.
Não se deixe enganar pela grande imprensa. Dentro de breve o Brasil entrará numa fase mais militante do socialismo e todo o encanto desaparecerá. A NEP brasileira chegou ao fim.

Saudações luso-tropicais.

Du disse...

Compartilho de sua opinião, Miguel. De fato, parece inegável que Lula tenha conseguido elevar a sua pátria tanto no plano interno, quanto externamente. Soube afirmar e firmar um valor ao Brasil condigno ao anseios que devem perfilhar qualquer nação.
É lastimável que a conformação política nacional tenha dado margem às contingências de toda ordem que presenciamos ao longo dos 8 anos de seu governo. Contudo, parece igualmente claro que objetivos dos mais elementares foram alcançados, como a redução drástica da pobreza e o revigoramento do dinamismo nacional, após um esforço diuturno, pragmático, mas ancorado pela legitimidade de seus próprios fins.
Ao Brasil e a Portugal a construção de novos tempos!

Mário Machado disse...

A maior virtude de Lula foi a sua capacidade rara de auto-promoção. Em seus discursos afirma impunimente que o Brasil com ele começou. Trata todos que o antecederam como traidores e vendidos.

A violência de seus discursos em que prega a eliminação de outro partido não devem repercutir muito fora do Brasil (aqui já repercutem pouco).

Conseguiu de fato reduzir a pobreza, mas não vejo nisso triunfo de sua política exclusivamente. Em muito pesou o bom ambiente econômico.

Mas, tudo é questão de observação.

O Brasil está mais importante no mundo e menos miserável isso é uma vitória que se tornou dele.

Abs,

Pedro Leite Ribeiro disse...

Receio que Carlos Velasco tenha razão. Creio que começaremos agora a ver o que é o verdadeiro PT dos amigos de Cuba, Venezuela e Irão.

Igor Montenegro disse...

Lula não rouba em nome da lei, mas em nome de seus apadrinhados políticos. Perfeito o comentário de Carlos Velasco.