30 setembro 2010

Se eu fosse chinês: relativismo cultural total


Há quem acredite na pseudomorfose de uma cultura global, de uma só raça humana, de um só sistema político planetário, de um esperanto ideológico, de um só regime económico, de uma lei universal. São fantasias, perigosas como ingénuas, alimentadas por pessoas que querem elevar um tribalismo específico à ditadura do único ou daqueles que, considerando-se "cidadãos do mundo", começam por não ter pátria alguma. Neste mundo tudo é diferente, tudo é relativo ao grupo social em que se nasceu, à religião herdada, aos paradigmas que se sorveram no biberão e nunca nos abandonam. Convidaram-me para uma sessão que teve lugar na universidade Chulalongkorn, subordinada ao apaixonante tema da perspectiva que os Farang (estrangeiros brancos) têm da Tailândia. Não pude ir, mas recebi ecos de dois amigos que por lá passaram e ouviram as costumeiras ossanas ao bezerro de ouro daquilo que, não funcionando no Ocidente, se quer à viva força impor aos pobres e bárbaros thais. Espanta-me o atrevimento, como me indignaria se um chinês chegasse à Europa para nos exigir o "modelo social chinês". o "modelo económico chinês", o "regime político chinês", a "família chinesa", o culto dos antepassados, o Feung Chui, os chop sticks...

Aquilo que me atrai na Ásia é o absolutamente novo, o inesperado, o diferente. Mas há mentezinhas que não o compreendem. As pulsões totalitárias habitam as mais cândidas almas.

2 comentários:

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Aqui no Portugal europeu não é muito diferente. Por cá já tive que humilhar alguns bárbaros calvinistas, luteranos e ateístas metidos a missionários para os meter no devido lugar. Pedem todos desculpas e se calam logo.
Mas a maioria aceita essas "lições de moral" vindas de representantes de povos novos ricos, que quase sempre nem sabem usar o talher ou distinguir um bom vinho tinto de uma porcaria frutada artificialmente da Califórnia, especialmente nas academias. Aí basta ter uma pigmentação "rosa suíno", um sotaque barbaresco e ser professor num local de nome impronunciável para todos se curvarem.
Pior ainda é a intervenção de ONGs financiadas e apoiadas por governos estrangeiros, como a tal "Woman on Waves", na política interna portuguesa.
Deveríamos ter enviado as senhoras de volta para o Red Light District, sem desrespeito ou truculência, e dinamitado aquela embarcação assombrada.

Saudações luso-tropicais.

Luis Moreira disse...

Ainda bem que li isto pois voi amanhã para a China.Não percam o Dia Mundial da Música:http://estrolabio.blogspot.com/2010/09/dia-mundial-da-musica-beatles.html