22 setembro 2010

Quando a estupidez faz política

Cumpriram-se no passado sábado 189 anos sobre a conjura militar que depôs em Goa D. Diogo de Sousa, Conde de Rio Pardo, Vice-Rei da Índia e homem de grande integridade e visão. Ao ser desapossado do posto no qual investiu a sua máxima competência e zelo, morreu com Rio Pardo a última possibilidade de Portugal se integrar na nova ordem internacional saída da derrota napoleónica e consequente hegemonia global marítima britânica. Os seus inimigos liberais quiseram fazer estragos irreparáveis na imagem e compleição do Estado da Índia, decretando sem pestanejar a extinção de todos os focos de acção diplomática e comercial que D. Diogo de Sousa havia estabelecido ao longo de meia década de intensa actividade. Juntamente com Rio Pardo, terminou a carreira de Miguel de Arriaga Brum da Silveira, o célebre Ouvidor de Macau, estratega da recuperação de Portugal no quadro da aliança marítima luso-britânica. Foi um desastre, pois os libertadores, como se auto-proclamavam, fizeram contra Portugal no Oriente mais que a soma de holandeses, franceses, maratas ,omanis e piratas haviam logrado ao longo de séculos. Foi, sem tirar, tudo muito parecido com aquilo que Melos Antunes, Rosas Coutinhos e demais libertadores conseguiram, quase sem oposição, realizar ao longo do ano e meio em que devastaram Portugal. É certo que a história nunca se repete, mas às vezes repete-se, para pior.

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