02 setembro 2010

Os camisas vermelhas sem amigos externos

Não, não é uma fotografia tirada no Soweto nos anos 70. É um carro blindado sul-africano anti-motim aplicado para defender uma justa causa, a causa dos 5% de moçambicanos frelimistas que não são miseráveis, que têm escolas de excelência com mensalidades pagas em dólares e euros, que viajam para os paraísos fiscais, que se cobrem com as armaninhadas e ocupam a totalidade dos lugares na administração, na vida empresarial e na banca. É a repressão necessária contra os camisas-vermelhas de lá, os tais 40% de desempregados, cidadãos de terceira e quarta categoria que vivem com 1 dólar por dia nas barracas de Maputo e da Beira, sem água corrente e sem electricidade. Quando aqui 5000 vermelhos, pagos a fundo perdido por Thaksin ocuparam o centro da capital tailandesa, mataram, lançaram granadas e lançaram fogo a dúzias de edifícios, houve quem os apaparicasse, os recebesse ou fosse recebido entre palmas no estrado de um comício ininterrupto. Os camisas-vermelhas de Moçambique são outra coisa: estão a impedir o "crescimento económico", "sabotar a economia", amedrontam o investimento externo. São uns bandidos, pois atreveram-se contestar os sacrossantos pergaminhos de uma brilhante liberdade que lhes faculta o acesso ao voto em eleições manipuladas. São estes, pois, os critérios dos afanosos amigos de todas as causas justas, sim, aquelas que enchem os bolsos de tanto europeu prenhe de sonhos justiceiros. Esperei dois dias para ouvir dos sempiternos d'Artagnans um simples poemeco em defesa do povo de Maputo. Nada ! O mundo é feito, decididamente, para os hipócritas.


Das lachende Saxophon

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