04 setembro 2010

Der Untergang des Abendlandes


«Mais do que de perda de referências, é de uma perda de magnetismo que se trata hoje. Vive-se uma desmagnetização geral dos valores, e sem valores pode haver chefias, mas não há lideranças. Pode haver impulsos, mas não há soluções. Pode haver gestão, mas não há visão. Lidamos hoje com um mundo em intensa transformação, o que o Ocidente sente como um drama, mas o resto do mundo vê como uma fantástica oportunidade. Todos os dias verifico isto mesmo nas reuniões da UNESCO: um mundo entusiasmado face a um Ocidente desmoralizado. A energia emergente que se contrapõe à fadiga declinante, com Darwin a sugerir a todos e a cada um o seu provável futuro. O Ocidente, e nomeadamente a Europa, aparece cada vez mais como um bloco conservador, nostalgicamente à espera que o tempo volte para trás - aí a meados da década!... -, quando a ilusão do seu natural domínio mundial se começou a esfarelar. Mas não haverá regresso

Manuel Maria Carrilho, ontem no DN

4 comentários:

João Augusto Soares disse...

Se dividíssemos os seres humanos entre criadores e consumidores, Manuel Maria Carrilho estaria nitidamente do lado dos consumidores.
Homem erudito com boa capacidade de análise e... chega!
Falta-lhe o essencial, encontrar soluções para os problemas e provavelmente os tais valores que a geração de 68 ridicularizou e que hoje se queixa que fazem falta.
Os valores da Grécia antiga, que Roma adoptou e Igreja espalhou foram apropriados pelo Estado, esse monstro incógnito, frio e impessoal, representado em Portugal pelo clientelismo e pela incompetência.
O trabalho foi substituído pelos rendimentos da família ou pelo subsídio do Estado, o papel da Igreja foi substituído pelo papel do Estado.
A solução da Europa passa pela desregulamentação e pelo aumento dos níveis de confiança, passa por deixarmos caír esta cultura impessoal por uma nova sociedade de afectos com menos hipocrisia.
Ou acabamos com esta fraude do Estado Social e voltamos a ser uma sociedade de famílias solidárias ou muitos dos nossos filhos (incluindo das nossas pretensas elites) vão ser os futuros agricultores e operários da e na Ásia. Não é que me choque ver um Europeu a ser o empregado de um Asiatico ou de um Africano, mas já me choca viver numa sociedade em que a sua economia, os seus valores e a sua cultura deixaram de ser uma referência.

NanBanJin disse...

Com tudo o que possamos apontar a Carrilho, o texto é primoroso. Faltava dizer mais qualquer coisa, é verdade.

Já o texto de Miguel Morgado no "Cachimbo de Magritte" a rebater o de Carrilho, na verdade acrescenta qualquer coisa a este, que faltava, mas também se fica pelo caminho. Havia que dizer mais, bastante mais...

Em todo o caso, são ambos para ler, reflectir e guardar.


Meus amigáveis cumprimentos,
do Japão,

L.F. Afonso, NBJ

Carlos Velasco disse...

Lindo texto. Só faltou dizer que tudo isso se deve à acção de meninos ao serviço de meta-capitalistas como o próprio Sr. Carrilho.
Não foram estes patetas que "desconstruíram" todo o Ocidente em nome dos seus dogmas revolucionários? O melhor que estes socialistas podiam fazer era desaparecer ao invés de continuar apegados ao poder e nos comprometer a todos. No fim só provarão a eles próprios que estavam errados, quando toda a gente sã já o sabe.
Por fim, ainda há muita energia vital por aqui, ao invés do que ele pensa (Natural que assim seja. Ele vive cercado de nulidades). Eu, que tenho contacto com o homem comum, sei que o potencial continua lá.
O problema é que os indivíduos capazes são sufocados por um sistema "desmeritocrático" que premia pseudo-intelectuais bem conectados como o Doutor Carrilho, e outros ainda piores.
Eles que tenham a decência de deixar o palco e o Ocidente voltará a seguir o seu rumo natural. Mas desconfio que teremos que os derrubar.

Saudações de um homem honesto que vive do próprio suor e está cansado de lamentações.

Nuno Castelo-Branco disse...

Pelo que parece, a estadia fora tem feito-lhe feito bem. No entanto, este texto mostra um Carrilho bem diferente daquele que por cá andou , preocupado em construir casas de banho marmoreadas e cedendo às capas dessas absurdas inutilidades que são as revistinhas ditas "cor-de-rosa". Mas alguém já se esqueceu dos discursos de há uma década?
Anota a evolução. Ainda bem. Falta-lhe dar o passo essencial, mas, sinceramente, duvido muito. Há outras coisas em jogo.