26 agosto 2010

Só a Alemanha se salva da vergonha




Falei hoje com um oficial superior do exército tailandês enviado ao Afeganistão como observador. Não se trata de um homem dado a grandes emoções. Disse-me calmamente que a guerra está praticamente perdida, que as notícias da CNN são filtradas ou inventadas, a coligação só domina as grandes cidades [de dia], que ninguém se pode aventurar sair só e sem escolta de Cabul, o governo perdeu o controlo sobre a maioria do território, as forças americanas estão reduzidas à defensiva, a droga e o alcoolismo atingem proporções inimagináveis e que aquilo se transformou num sórdido negócio para os plutocratas. De todo o desastre iminente, só se salvam os alemães. O Bundeswehr dá caça aos guerrilheiros, sobe montanhas, percorre os desertos, acampa fora das cidades e ganhou a confiança da população. De facto, faz falta à Europa a grandeza da Alemanha. Sei que estas coisas são politicamente muito incorrectas, mas há que voltar a falar no rearmamento da Alemanha, pois se algo de muito grave se passar sabemos que não podemos contar com os americanos, em retirada do Iraque depois de uma derrota inapelável.


Jan Kiepura: Heute Nacht oder Nie (1932)

4 comentários:

Mauro Cappelari disse...

E o "Afrika Korps" é sempre o "Afrika Korps", mesmo na Ásia!

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Essa combinação resultante da força crescente do exército alemão e do abandalhamento dos outros exércitos ocidentais não em agrada, especialmente se considerarmos a tendência histórica de aproximação entre a Alemanha e a Rússia.
Mas, deixando isso de lado, as campanhas do Iraque e do Afeganistão não tem como objectivo a vitória, tal e qual a do Vietname. As estórias de "helicópteros pretos" levando talebãs para zonas seguras e trazendo drogas de volta são inúmeras, e parece que os chefes locais afegãos sabem jogar o jogo do polícia mau x polícia bom para obter o máximo de regalias dos ocidentais.
para terminar, noutro dia me enviaram um vídeo que demonstra o que se passa no exército americano no Afeganistão. As imagens ficam mais reveladoras do que lá se passa nas casernas a partir do minuto 1:46.

http://www.youtube.com/watch?v=B7rTY0K6Xbk

Nuno Castelo-Branco disse...

E o que dizer então, daquela controvérsia que já dá berreiro em certos meios? Há algum tempo, foi colocada sobre a mesa, a questão da re-introdução da Cruz de Ferro, talvez a mais conhecida medalha de valor militar. Grasnou-se logo com Hitler, quando a Cruz de Ferro é contemporânea da Legião de Honra francesa. Foi sempre atribuída durante as grandes campanhas militares - guerra de libertação anti-Bonaparte, Guerra Franco-Alemã de 1870, 1ª e 2ª Guerras Mundiais e assim, qual o problema de voltar aos dolmans dos soldados alemães e seus aliados? Não percebo. Sinceramente!

joserui disse...

O exército americano prepara-se para os novos tempos -- uma população gorda e fisicamente nula:
http://www.nytimes.com/2010/08/31/us/31soldier.html

-- JRF