27 agosto 2010

Monarquia e liberdade

No próximo domingo realizam-se eleições em Banguecoque destinadas a eleger os deputados locais. A situação mudou, muito e para melhor ao longo dos últimos meses. Reposta a ordem e segurança, as liberdades políticas voltaram ao quotidiano dos cidadãos e partidos. A capital vai assistir a uma luta renhida entre três formações ideológicas muito diferentes e do pleito de domingo começará a desenhar-se o futuro quadro político do país. Ao "centro", o Partido Democrático do primeiro-ministro, partido monárquico advogando reformas lentas e seguras. Abhisit foi o grande triunfador da tentativa falhada de golpe de Estado plutocrática-comunista que assolou a Tailândia no início do ano. Agora, que a economia oferece números de crescimento imparável, terá tempo para consolidar a dinâmica. À "direita", o amarelo Partido das Novas Políticas, monárquico, budista militante, nacionalista e anti-globalização. O resultado que vier a obter mostrará ou não as suas possibilidades como força de desempate, caso os vestígios do thaksinismo ainda consigam expressiva votação. À "esquerda", os vermelhos, já sem a retórica inflamada do passado, muito lavados e cautelosos. O vermelhismo violento está atrás das grades e começa, como aqui dissemos, a surgir uma esquerda trabalhista, moderada e respeitadora do Estado de direito.


Hoje, em vários locais da capital, a comissão nacional de eleições realizou jornadas públicas de apelo ao voto - qualquer que seja, azul, amarelo ou vermelho - lembrando aos cidadãos que a participação é a alma da democracia e que cabe aos eleitores acorrerem às urnas para escolherem os candidatos da sua predilecção. É uma lição de democracia e liberdade, esta que o regime tailandês oferece ao mundo, calando cerce a má-vontade, má-fé e mentiras que os inimigos da Tailândia andaram a espalhar por meio mundo durante o golpe vermelho. A democracia é um método e uma cultura. Os tailandeses estão a construir o caminho da reconciliação, mesmo que alguns bandos terroristas persistam em recorrer à violência e intimidação. Ontem, uma granada foi lançada e feriu gravemente um segurança, mas para os tailandeses tal é interpretado como um acto localizado e insignificante. É sempre bom lembrar que os inimigos da liberdade e da monarquia não páram e que, para terroristas, só há o desprezo e a força da legalidade. Há que ensinar aos terroristas a bondade participação política, do diálogo e da legitimidade pelo voto.
Fotos Combustões

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Aí já tiveram um "ameaço de Rotunda". Aqui, há cem anos, deixava-se o prp fazer o que bem lhe apetecia e o resultado salta à vista. Olho vivo!