18 agosto 2010

Cine paradiso Siamensis: o lugar do português


A Luang Pridi Phanomyong, uma das figuras decisivas e controversas da vida política tailandesa do século XX, devo a gratidão de poder ter usufruido centenas de horas de estudo na biblioteca da Universidade de Thammasat, por ele criada. Não foi apenas um político como tantos outros que a memória sepultou: foi jornalista, ensaísta, legislador, investigador, novelista e realizador de cinema. O Rei do Elefante Branco / Phra Jáw Changpeuk (1940), inspirado em novela homónima do próprio Pridi, é hoje considerado pelos cinéfilos um ícone do cinema a preto-e-branco. Conta as guerras entre siameses e birmaneses das décadas de 1540 e 1550, em que Fernão Mendes Pinto participou como soldado da fortuna integrado nos chamados Farang maen pren (corpos militares de europeus) ou samák (voluntários). A presença dos portugueses é uma constante ao longo da fita. Ali está a imagem do farang estereotipada pela fantasia thai do estrangeiro branco, violento, peito couraçado, espada à cintura e arcabuz.


Anteontem pela noitinha assisti à sua projecção ao ar livre, em plena capital. O filme é, bem entendido, um vibrante manifesto nacionalista e emparceira com fitas da mesma geração: Ivan o Terrível, de Eisenstein, Coroa de Ferro, de Blasetti, Camões de Leitão de Barros. Dirão as más línguas que integra a campanha patriótica em curso. Diria, antes, que faz parte - utilizando um palavrão que detesto - do "imaginário" nacionalista thai. Valeu a pena ver a tela encher-se com os grandes planos de batalha, o espaço invadido pelo não-stereo, o magnífico projector dos anos 40 a lançar o jacto de luz.


สดุดีมหาราชา

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Más línguas? Essas bestas sempre prontas para cascar nos outros e espolinhar diante das "novidades" que chegam de fora? Mesmo aquelas patrioteirisses do Eisenstein, capazes de fazer o goebbelsiano Kolberg roer-se de inveja?