19 julho 2010

O suicídio europeu

Modelo social europeu: 11 meses de trabalho, semana de 5 dias, 48 sábados e domingos, doze feriados anuais, metade dos quais, a ocorrerem à terça ou quinta-feira, com direito a "ponte", 14 ordenados, salário mínimo médio correspondente a oito salários médios chineses, "rendimento mínimo obrigatório" imposto pelo Estado, impossibilidade de facto dos empregadores se verem livres de maus trabalhadores, média anual de quinze dias de baixa por razões de saúde invocadas pelos empregados. Em suma, a Europa, prenhe de entusiasmo globalizador, introduzindo lentamente pela boca o cano da pistola com que se vai matar.

7 comentários:

playmaker 10 disse...

Isto é o modelo Europeu ou o Português?

NanBanJin disse...

Meu Caro Miguel:

Não é apenas a Europa a agonizar sob o pêso do "made in China" — e, já agora, do "made in India"—: é o resto do Ocidente, do mundo (ainda) dito 'industrializado' e o dess'outro dito 'em vias de desenvolvimento' — é na verdade o planeta inteiro, incluindo aqueles lugares recentemente empossados no título de "economias emergentes" e envaidecidamente alinhados (com os seus carrascos!) nesse novíssimo 'clube v.i.p.' chamado G20.
Podre de 'chic'!

Meu Grande Abraço do Japão,
L.F. Afonso, NBJ

António de Almeida disse...

Subscrevo, agora mesmo ao almoço conversando com um amigo, por coincidência um socialista, afirmei que a Europa no campeonato da globalização ficará apenas à frente de África...

Manuel Brás disse...

Milagres financeiros = sonhos trapaceiros

Esses milagres financeiros
carecem de veracidade,
não é com sonhos trapaceiros
que se exibe a verdade.

Com os sonhos desvanecidos
entre milagres tão brumosos,
esses sonhos entorpecidos
revelam-se assaz fumosos!

Neste mundo de vendilhões
e seus verbos calaceiros,
esbanjam-se muitos milhões
de recursos financeiros.

dorean paxorales disse...

permita-me uma correcção ou outra.
em inglaterra os feriados são à segunda (bank holiday) e 12 ordenados (a dos catorze é um engano pois o que conta é o salário anual, qualquer que seja o regime de prestações).
na áustria e muitos outros não há pontes e se o salário mínimo não fosse garantido, não haveria consumo mínimo de bens que mantêm a dinâmica da economia mas também de coisas essenciais como a habitação, alimentação, etc.

porque na europa, apesar de tudo, há mais respeito pela condição humana que pelo enriquecimento sem escrúpulos à custa daquela.
é isso que faz a europa o destino de migração de tantos orientais e africanos, sul-americanos, australianos. porque é isso que nos faz melhores que os outros. nunca tantos viveram tão bem no mundo como na europa do último quartel do século vinte até hoje. e se não for para vivermos bem, venha a anarquia que não há modelo económico ou social que interesse para nada.

cumprimentos,
dp

Abel Cohen disse...

Julgo ter entendido que não gosta do modelo social europeu, com os horríveis defeitos de permitir às pessoas conciliarem o trabalho com a vida familiar, entre outros. Não percebi é que alternativa preconiza.
Já agora: começa a haver greves na China. Quid?

Rui Mota disse...

Obviamente que o Estado Social Europeu é difícil de manter, mas a alternativa nunca pode ser a defesa da média salarial chinesa ou indiana. E que tal, mudar de paradigma económico?
Para começar, conseguir acordos internacionais que defendam mais e melhores direitos para os trabalhadores orientais. Até porque estes, também querem um estado social, ou não?