02 junho 2010

Em defesa do bom poder personalizado

Príncipe Vajiralongkorn, futuro Rei da Tailândia



Há que não temer nem as palavras nem o raciocínio: o poder, ou tem um rosto e uma voz, ou é simples associação de criminosos irresponsáveis. O grande drama das democracias contemporâneas - por redundância, do mundo hodierno - é o eclipse da solidão responsável e o triunfo da turbamulta derrancada na tirania das exigências e dos chamados "direitos" inscritos pela mão de quem entende a Cidade como armazém inexaurível de pão e espectáculo gratuitos.



A privação da liberdade política é um flagelo, certo, mas fazendo de advogado do diabo diria que o bom e o mau governo não se aferem apenas pela maior ou menor ilusão de participação e daquelas condições que fazem da democracia o mal menor entre todos os outros regimes políticos. O poder é a capacidade de levar os outros a comportarem-se como nunca o fariam se a tal não fossem constrangidos. Disseminar o poder por muitos implica, a história comprova-o, entregar o bem comum a camarilhas devoristas, pelo que amiúde as chamadas democracias sem cultura de cidadania e sacrifício tresandam a corrupção, amadorismo e demolição das instituições que salvaguardam a unidade de destino.



Há ditadores boníssimos que são, por indução da sua obra, verdadeiros construtores de democracias. O continente africano tem hoje como líder político mais respeitado na arena internacional um ditador: Yoweri Kaguta Museveni. Há autocratas amados que entregaram a vida à sua comunidade e deixam um legado de obra e elevação que envergonharia muitos governantes eleitos. Lembro o nome do Sultão Qaboos bin Said Al Said de Omã. Por seu turno, os mais acabamos exemplos do triunfo das pulsões liberticidas contemporâneas foram eleitos livremente: Hugo Chávez, Robert Mugabe, Evo Morales, Hun Sen, Ahmadinejad e Lukashenko. O Rei-Povo decide, sempre, no estreito limite da sua visão do mundo, pelo que premeia quem com ele se identifica - os Berlusconi, os Zapatero, os Papandreou - e não quem exerce o poder para além da hora que passa.

Ora, uma democracia, para o ser, precisa de um poder não-democrático - isto é, não eleito - que seja agulha polar, que preserve e memória do pacto social, que não se comprometa nem envolva com as camarilhas ávidas e que não se deixa ludibriar pelos caprichos e reivindicações de curta duração da massa. A democracia precisa, desesperadamente, da caução da monarquia.


7 comentários:

tst oproprio disse...

isto é que é um argumento
tangos num blog em que portugal não se denegrir pode
é sintomático do resto
Ora, uma democracia, para o ser, precisa de um poder não-democrático?
isto é, não eleito (e o eleito é democrático porquê se não estamos numa democracia de cidadãos como o era a suiça)
infelizmente este raciocínio primário não serviu a monarka portugalia nim a grega ou outras tantas extintas...


que não se comprometa nem envolva com as camarilhas ávidas e não há sempre comendadores e barões necessitados de o serem e bobões e bobones que o aspiram a voltar a ser,,,,,
clientelas sempre as houve e haverá ...
lê-se pouco,esceve-se munto mal
e para se ser lauriado
ser marquês, saber pegar toiros
e cantar o fado
isto tem um cento e meio de anos...


e que não se deixa ludibriar pelos caprichos e reivindicações de curta duração da massa...e onde estão elas há massas pequeninas...a cada uma seus interesses é como vós monarks cada um com seus pretendentes
uns legítimos outros não filhos de adão..porque uns ungidos reis e seus servos e outros seus escravos

pois servo...infelizmente ninguém quer servir: nem uma ideia de país nem um deus ou + do que um
só a nós próprios
logo sinal dos tempos
em que cada blog é um arauto da sua verdade inquestionável...

como pretende vocemessê ó estulta e nobre criatura que a democracia que nunca existiu, só a sua aparente imagem precise, desesperadamente, da caução da monarquia.

tst oproprio disse...

esqueci-me de um berlusconi espanhol afonso XIII e seu filho que rei não foi
e seu neto ungido com sangue por franco

rei só se for eu
e reinar sobre um povo cuja ignorancia tal como a de todos os povos é absoluta.....

um imbecil reinando sobre outros imbecis

Abel Cohen disse...

O seu blog é interessante e gosto de lê-lo. No entanto, e ao contrário da generalidade dos seus posts, este texto surpreende-me. É verdade que a democracia não se faz só de eleições; é verdade que as democracias podem ser corruptas, eleger maus líderes, e degenerar em regimes tão nocivos quanto as piores ditaturas. Mas, inferir daí que algumas ditaturas até são boazinhas, ou que o que é preciso numa democracia é um poder não eleito, constitui um silogismo dificilmente defensável. Claro que há democracias estáveis que são também monarquias, mas terá que aceitar também que essas são a excepção, e não a regra. Uma última nota: meter líderes com Chavez, Mugabe e Lukashenko no mesmo saco não faz sentido nenhum; mas juntar Zapatero, Berlusconi e Papandreou faz ainda menos. V.Exa. é a favor das monarquias. Pois bem, tem todo o direito. Mas os argumentos que expõe aqui não o ajudam nada.
Cmpts,
AC

António Bettencourt disse...

Para mim a imagem do militar ajoelhado a abrir a porta ao príncipe é absolutamente chocante. É isto a monarquia que tanto defende? Não obrigado.

Nuno Castelo-Branco disse...

1. Surpreendente, a reacção indignada. Num país onde quem manda de facto, não é eleito e para mais, impõe a moral através dos tribunais, não deixa de se tornar um sintoma do estado de cegueira geral. Qualquer cidadão português é um servo, se o compararmos com um súbdito de qualquer uma das monarquias europeias.

2. Zapatero, Berlusconi, Papandreu: tens razão. A esses acrescentaria mais uns tantos em França, Portugal, etc. O pano de fundo é sempre o mesmo: incompetência, clientelismo desbragado, submissão total ao poder financeiro.

3. Lukashenko, Mugabe e Chávez: estes têm a desculpa de sempre. Um trapinho vermelho à lapela.

4. Protocolo. A generalidade dos brancos jamais se acostumaram às tradições extra-europeias. Muito mais chocante é o grotesco cerimonial cesáreo que rodeia o presidente dos EUA e ninguém protesta. O nosso convencimento de superioridade sobre os outros "a educar" segundo os nossos bastante discutíveis "valores", tornou a Europa nisto que se vê. Uma coisa informe, de reduzido peso como "bloco" e olhada de soslaio. Os brancos nem sequer conseguem entender que um aperto de mão pode em muitos locais ser considerado, como uma intolerável invasão da integridade física de outra pessoa. Os europeus, são peritos nos protocolos deles. Vão a França e verifiquem a sumptuosidade e cerimonial que rodeia o presidente, para nem sequer mencionarmos o vendaval protocolar de Mitterrand, que tinha prazer em se fazer esperar durante horas, por exemplo. Se não entendem as regras de cortesia num país asiático, paciência. Mas não pensem que se estiverem perante o presidente da China, lhe poderão prodigalizar intimidades nas costas, puxá-lo pelo braço ou beijar-lhe a mulher. Julgam que se podem dar a informalidades com a presidente indiana? Não podem, nem de longe.
É certo que jamais carregaria a minha mão com bactérias passadas por gente como Castro, Kim jong Il, Kadaffi, os outros acima mencionados, ou até "os de cá" (abstenho-me de nomeá-los dada a actual situação).

Lembras-te quando em Moçambique e antes de 1974, nos encontrámos algumas vezes com régulos? O respeito que demonstrávamos protocolarmente para com esses representantes das populações? Éramos uns miúdos e já entendíamos o que eles significavam. Infelizmente, muitos brancos - mesmo tendo vivido em países com colónias -, jamais confiarão no perfeito discernimento dos extra-europeus. É uma triste fatalidade, este tipo de preconceitos.

Carlos Velasco disse...

Essa gente que se indigna tão facilmente com costumes ancestrais de outras nações deveria olhar para os novos costumes impostos nas suas próprias.
Antes ter que se ajoelhar em público, num acto simbólico, perante um poder legítimo, que ser obrigado a ficar de quatro em privado para conseguir umas migalhas arrancadas a uma população serva das finanças, só para poder manter a aparência para os amigos.
Portugal se transformou numa terra de covardes, de empregadinhos, de dependentes. Ninguém ousa dizer a verdade pois teme perder os trocos que garantem o empréstimo do carrão, do telemóvel e das férias no lugar da moda. São todos umas criaturas mansas à primeira vista, preocupadas em dizer não a verdade mas em parecer bons, mas que quando podem conspiram, sempre motivados pela inveja.
Só o chamado Zé Povinho tem dignidade, com raras excepções em outras classes, mas este, coitado, é tratado com desdém em todo o lado pelos semi-letrados que ostentam seus fatos Armani e títulos não merecidos de engenheiros, doutores e por aí vai.
E a minha geração, dentre todas, é a pior.
Que os tailandeses não se deixem enganar pelas falsas promessas igualitárias do liberalismo e do socialismo.

mikael disse...

São todos umas criaturas mansas à primeira vista, preocupadas em dizer não a verdade mas em parecer bons, mas que quando podem conspiram, sempre motivados pela inveja.

isto parece um retrato da sociedade portuguesa dos últimos 800 anos

mansos e brutos
alimárias de carga
tanto os mestres como os seus servos bestiais
tudo intrigam, tudo sujam
escrito por filho de um marquezinho..no ano de 1868