04 junho 2010

O passado de uma ilusão

Hoje fui pagar a conta da luz, posto que se esgotara o tempo de pagamento por multibanco e impunha-se que o fizesse directamente num dos guichets da fornecedora. Apanhei um táxi que me levou a Klong Tewy, onde se situa a sede da companhia de electricidade que abastece Banguecoque. Ao chegar, o taxista informou-me laconicamente que "já não pode pagar aqui", pois "eles queimaram tudo". Eu ia absorvido com a leitura de uma revista, pelo que não lhe prestei atenção. Paguei a corrida, saí do carro e parei subitamente, como quem recebe um valente soco no estômago. O grande edifício está lá, mas comido pelo fogo do primeiro ao último andar.

Foi pasto das chamas durante uma noite, precisamente no derradeiro momento da tentativa de golpe de Estado plutocrático-comunista. Foi um acto gratuito de maldade e vandalismo perpetrado intencionalmente por quem se reclamava defensor do "povo", da "democracia" e da "liberdade". Tal como todos os movimentos totalitários, os vermelhos, vendo perdida a jogada, quiseram lançar fogo a toda a cidade e deixar a marca infamante do seu reinado de curta duração. Disse-me um amigo, quadro dirigente no Ministério do Interior, que foram recuperados documentos reveladores do plano vermelho. Tudo estava meticulosamente listado. Em Banguecoque, figuravam mais de 300 edifícios no plano de terra queimada: templos, museus, repartições do Estado, tribunais, centros comerciais, uma estação de caminhos-de-ferro, centrais de comunicações, a sede dos Correios (bem perto da nossa embaixada), duas universidades, hotéis, uma grande estação de autocarros, bancos e mesmo hospitais.

Quem coisas destas faz é capaz de tudo. Tenho para mim que depois dos 300 e tal edifícios, o terror espalhar-se-ia pela cidade e as "massas" e o "povo" - ou seja, dez mil mercenários entre os setenta milhões de tailandeses - invadiriam os bairros de "parasitas do povo" para aí cevarem os seus instintos. Depois, começaria a "justiça popular". Fuzilariam os generais, depois os brigadeiros e os coronéis, para logo de seguida darem caça à "aristocracia", à família real, aos proprietários, aos escritores e professores universitários - responsáveis pela "produção da alienação" - e por aí seguiriam até liquidarem por atacado os tais "5% de inimigos do povo". Se assim foi assim na Rússia, na China, na Coreia, no Camboja, na Roménia, Polónia e RDA, por que razão não o fariam também na doce Tailândia ? Ora, 5% quer dizer 3 milhões e meio de pessoas esbulhadas, presas, empurradas para o exílio ou mesmo mortas. O vermelhismo é igual em todo o lado. A Tailândia esteve a centímetros do abismo, mas aqui houve resistência, o terror não venceu a combatividade, a monarquia e a democracia (a tal "democracia burguesa") venceram a batalha. Que a mão da justiça não trema no acto de aplicar a lei a tais celerados, é tudo o que desejo.



Fire

3 comentários:

tst oproprio disse...

pois se os thai´s tivessem ensinado os turcos a fazerem molotov's não andavam os israelis a gabarem-se do 9 a 0

isto vai ser cá um mundial

herodes para o trono

herodes ou .....
a música melhorou...parece que estou num pântano...só falta o som das balas pra me sentir em casa

jagga nathan простй disse...

a mão da justiça sempre foi adaptável
vive na tailândia...é bonito depois dos 6 anos nunca lá voltei... portanto trema ou não trema no acto de aplicar a lei a tais celerados -pessoas com desejos que mesmo que vencessem nunca concretizariam como foi o vosso 25 de abril
se é tudo o que deseja é pouco muito pouco....

Nuno Castelo-Branco disse...

Exactamente! Aliás, aprenderam bem a lição na Tailândia 2, o Laos. São os mesmos e muito admirado ficarei, se não se comprovar que uma boa parte dos operacionais militarizados não eram laocianos.