10 junho 2010

Liberdade

O vendedor percorria a feira gritando "selos do Senhor da Vida", "compre a nova colecção de selos do nosso Pai". Um casal de idosos britânicos olhava-o e tentava compreender o motivo da azáfama que cercava o vendedor. As pessoas paravam, não hesitavam e compravam uma ou duas cartolinas brilhantes com o retrato do Rei tendo no canto superior direito, debroado a ouro, o selo da emissão. Após uns minutos, a senhora inglesa perguntou-me se eu compreendia a língua e se podia traduzir o que o homem ia debitando. Ajudei-os e o marido interrompeu-me com um gesto da mão direita e disse: "sim, eles gostam do seu Rei como nós gostamos da nossa Rainha. É normal."

A mulher parece não ter gostado da definição e acrescentou: "as pessoas amam os seus reis porque os reis somos nós, a nossa história, a nossa cultura e aquilo que nos faz independentes e diferentes. Ou está a ver um francês ou um italiano a comprar selos com a cara desses tipos (sic bastards) que os enganam, roubam e ainda por cima exigem que lhes paguem as reformas douradas ? Eu nem morta seria obrigada a levar para casa o focinho (sic muzzle) de um desses phoney baloney".

A Inglaterra não vai entrar nessa coisa chamada União; ou antes, está lá como quem faz parte de meia dúzia de associações e não paga as quotas. Aquilo é passageiro, insubstantivo, irrelevante.

1 comentário:

Daniela Major disse...

Essa frase da senhora inglesa fez-me lembrar uma conversa com um amigo meu, inglês, em que ele me tentava explicar a razão pela qual eles gostam tanto da Rainha e tem tanto respeito pela Monarquia. Ele disse-me muito simplesmente: A Rainha é em quem nós podemos confiar mesmo quando tudo à nossa volta cai. Ela representa o melhor do nosso povo. É uma constante.

Fiquei a perceber mais um bocadinho.