07 junho 2010

Falsas dinastias, falsos reis

Gente gananciosa e ávida; desertos mentais e afectivos. Horizontalizadores, estes novos Levellers sonharam com um mundo de plástico, torres de vidro e a soberania do Homem Novo, "cidadão do mundo". Fizeram da usura uma religião, reduziram a política a marketing, a cultura em mercado, a educação em negócio. Reinaram impantes durante duas décadas, legislaram contra o Bem Comum, inventaram entidades supranacionais para alargar as fronteiras da coutada, fizeram guerras para espalhar a boa nova, tornaram o Ocidente odioso aos olhos daqueles que em nós confiavam.

Às suas mãos foram abatidas, uma a uma, as fronteiras que faziam a riqueza e a diversidade dos povos do Ocidente. Planificadores, recusaram aos povos a liberdade económica, riscaram tratados que estilhaçaram a segurança do pão e do trabalho, abriram as portas do Ocidente à China para agora a quererem ver abatida e substituída pela Índia. Às suas mãos, fizeram-se as relocalizações, demoliu-se a agricultura e coroou-se o colarinho branco como novo equites, servido por milhões de escravos trazidos para ecelerar a proletarização da detestada "classe média" de empresários e quadros que se lhes opunha. Abateram o que sobrara das antigas elites, dos corpos profissionais, dos velhos partidos e do associativismo que eram barreiras à expansão do totalitarismo.

Tudo isto aconteceu e ninguém se apercebeu que era uma revolução, tão profunda e perdurável como qualquer dos cataclismos que no passado mudaram para sempre a face do mundo. Surgiram novas referências e novos ídolos, gente surgida do nada fazendo o clamor de exigências montadas sobre grandes mentiras. Tudo o que lhes lembra o passado foi varrido. É este o admirável mundo integrado, globalizado e uniformizado. Tudo passou a global: o clima, o mercado, as ideias, as modas, a língua. Tudo perdeu a magia às mãos desta gentuça.

1 comentário:

Justiniano disse...

Brilhante texto, caro Nuno Castelo Branco.