19 maio 2010

VITÓRIA (1): o triunfo pela magnanimidade


A madrugada foi de intenso fogo em frente de minha casa. Depois, um silêncio prolongado. Com o nascer do sol, chegaram as forças de choque do exército real, acompanhadas por blindados, equipas médicas e snipers das operações especiais. O governo exigiu pelas sete da manhã a rendição incondicional dos sublevados, dando-lhes três horas para que depusessem as armas e saíssem do acampamento com bandeiras brancas. O prazo não foi cumprido e foi feita nova intimação. Por volta da uma da tarde, grupos isolados de vermelhos tentaram fugir através da Ponte Huá Chang e foram capturados. Com a rendição sem condições das figuras proeminentes do partido thaksinista, começou a debandada e subsequente apresentação voluntária de centenas de não-combatentes nos postos de acolhimento montados em frente do Estádio Nacional.



Contrariando o mito de supostas divisões nas forças armadas e da nunca comprovada inimizade entre a polícia e o exército, a verdade é que me foi dado ver clara cooperação e coordenação eficiente e decisiva na execução do assalto ao campo vermelho. Um polícia ferido foi socorrido na terra-de-ninguém por um jovem soldado e um soldado que perdeu os sentidos por insolação foi levado ao colo por um polícia. É esta camaradagem de armas que prevalece; não o que os rumores e fabricantes de boatos foram tecendo na fase ascendente da sublevação plutocrática-comunista.



O exército está a portar-se com grande profissionalismo e magnanimidade. Os civis vermelhos são tratados com toda a simpatia, com gestos de deferência para com os idosos e mostras de carinho pelas crianças. As pessoas carregando fardos pesados são ajudadas por soldados e vi um sargento levando ao colo um cão pertencente a uma militante vermelha. O exército venceu a luta e trata os prisioneiros como concidadãos. Há muitos enfermeiros, socorristas e médicos prestando primeiros-socorros a combatentes e não-combatentes vermelhos. O Estado de Direito não abdica das suas obrigações e, uma vez mais, o governo monárquico e democrático dá mostras de total acatamento da lei e das cartas internacionais.

3 comentários:

João Diogo Faria disse...

E mais importante, sem o tal "banho de sangue" que os profetas da desgraça alheia quiseram fazer crer. Finalmente!

Green Toad disse...

Posso pedir a sua opinião sobre este texto, que saiu hoje no Jornal de Negócios, sobre a situação na Tailandia?

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=426319

Esta é a visão que anda a correr em Portugal sobre os acontecimentos que tem passado na Tailandia e sobre os quais leio no seu blog.

NanBanJin disse...

Meu Caro Miguel:

Fala-se em imposição do recolher obrigatório na capital e em alastramento dos túmultos e confrontos entre vermelhos e forças da autoridade a outras regiões do país.

Que nos tem a dizer sobre estes 'desenvolvimentos'?

Da minha parte, mantenho a esperança que esteja tudo mesmo prestes a terminar em bem, com a Paz, a Lei e a Ordem a regressar triunfantes às ruas de Bangkok em breve.

Em todo o caso, volto a apelar-lhe que se conserve a salvo do perigo. Não vale a pena arriscar a sua vida e integridade para cobrir estes acontecimentos no COMBUSTÕES. O Miguel faz-nos muita falta. A todos nós, que tanto o estimamos.

Grande Abraço do Japão,

L.F. Afonso, NBJ, Kyushu