26 maio 2010

O despeitinho das "rádios Moscovo"



Assim se comporta a imprensa comprometida. Aliás, já não é comunicação social, mas comunicação de propaganda, de parti-pris e sibilinos remoques, eco da estupidez alvar à solta, tributo de vassalidade paga aos senhores do mundialismo dourado. Num texto sobre a apresentação do programa do novo governo britânico, a atenção foi desviada para a sumptuária da Rainha Isabel II, da dotação orçamental inerente ao Chefe de Estado e, até, à regalia que os reis de Inglaterra exibem desde há séculos em todos os actos formais. Não, a Rainha devia ter chegado de Mini-Minor, prescindir do condutor, ataviar-se com as farpelas das ditas "marcas" que fazem o encanto dos parvenus das armaninhadas, das marcianadas e das cavallinadas, ler o discurso em power-point e discretear sobre temas dos tablóides.

A diferença, senhores arautos do despenteamento mental, é que a Rainha é um símbolo nacional de prestígio acrescido, investimento no reforço da unidade do Estado, caução contra o domínio dos plutocratas, renda de dignidade. A Inglaterra, que nunca foi tomada pelo vírus continental da revolução, preza tanto sua monarquia como o Canal que a manteve afastada das pulsões igualitárias e da tirania dos códigos, das leis e do papel em que se especializaram as Torres de Babel da Europa dos colarinhos brancos. A Inglaterra é, orgulhosamente, o último bastião da Idade Média, com as suas liberdades municipais, leis consuetudinárias e constituição histórica preservadas e sempre actuais, último reduto das liberdades que não se submeteram a essa "Liberdade" uniformizada que acabou por se transformar no cansado fantasma da Democracia Totalitária. Quantos mais diamantes ostentar na sua tiara, mais livres e seguros se sentirão os britânicos.


"British Eighth" March

3 comentários:

Arquivista disse...

De facto, a ignorância destes jornalistas é atroz. Tinham a obrigação de saber que este discurso, o Gracious Address, nunca é feito em nome da casa real, mas sim do governo em início de funções. Aliás, o discurso é escrito pelo gabinete do novo primeiro-ministro.

Enfim - jornais destes, para quê? Mas diga-se que a notícia do Público está muito melhor informada.

Nuno Castelo-Branco disse...

Entretanto, continuamos a sustentar parasitas que são responsáveis directos pelo estado a que Portugal chegou.

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Por falar em Moscovo, ostaria de saber o que o senhor, que possui experiência militar e está acostumado ao estampido dos tiros, pensa deste vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=frgKTW3jm_Y