06 maio 2010

A monomania do TGV

Há coisas que me fazem espécie. Uma delas é a fixação pelo TGV, pois países há que dele não precisam. Que eu saiba, o Vaticano, Andorra e S. Marino nunca se interessaram pela matéria. No caso português, antes pensar numa rede alargada e integrada de metro de superfície que nessa faraónica, inútil e provinciana quimera de um comboio que só servirá - tamanha é a nossa carteira de exportações - para levar portugueses a 300 à hora para a salvação da emigração.

3 comentários:

NanBanJin disse...

Nem isso, meu Caro Miguel.
Servirá tão-só para uma certa burguesia se pavonear entre Lisboa e Madrid — e só nos primeiros dois anos, porque as viagens vão ser caríssimas e mais tarde ou mais cedo as pessoas aperceber-se-ão da clara vantagem do transporte aéreo para passeatas dessas.

Quem decide destas coisas devia tratar de conhecer bem melhor aquilo que se passa em países como o Japão, cujo mercado é muitíssimo maior que o Península Ibérica, e onde o Shinkansen (vulgo "comboio-bala", TGV de cá) está em funcionamento há quase 50 anos — desde 1964 — como muitas lições a aprender.

Forte Abraço, de Kyushu,
NBJ

Nuno Castelo-Branco disse...

A resposta à questão parece ser a inevitável: teremos o TGV, porque já deve ter havido gente a receber o seu quinhão pelo compromisso.

Manuel Brás disse...

Abyssus abyssum invocat...

Essas obras majestosas
da nossa modernidade
são criações portentosas
da nossa insanidade.

Esta cegueira emblemática
destes anos tão entristecidos
concentra-se numa temática
de elefantes embranquecidos.

As semelhanças são evidentes
nos nossos problemas seculares,
repetem-se razões decadentes
de políticas irregulares.

No meio dessa nulidade
do acaso da governação
brota a infeliz vaidade
da nossa secular inacção.

Epílogo

Deste país deslumbrado
com a entrada de milhões
fica um fado quebrado
pelo pesar dos mexilhões.